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Tabagismo e alcoolismo aumentam o risco de câncer de cabeça e pescoço

Tabagismo e alcoolismo aumentam o risco de câncer de cabeça e pescoço

Tumores nesta região atingem mais homens do que mulheres

No dia 27 de julho é celebrado o Dia Mundial de Conscientização e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço. Os tumores considerados de cabeça e pescoço são aqueles localizados na boca, faringe, laringe, glândulas salivares, cavidade nasal e tireoide.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), em geral os tumores de cabeça e pescoço são mais frequentes na população masculina. O Instituto estima para o Brasil 11.200 casos novos de câncer da cavidade oral em homens e 3.500 em mulheres para cada ano do biênio 2018-2019. Esses valores correspondem a um risco de 10,86 casos novos a cada 100 mil homens, ocupando a quinta posição, e de 3,28 casos novos a cada 100 mil mulheres, sendo o 12º mais frequente. Se não considerarmos os tumores de pele não melanoma, o câncer da cavidade oral em homens é o quarto mais frequente na região Sudeste (13,77 a cada 100 mil). Em relação ao câncer de laringe, estimam-se 6.390 casos novos de câncer de laringe em homens e 1.280 em mulheres para cada ano do biênio 2018-2019.

Os principais fatores de risco para o câncer nessa região são tabagismo e o consumo excessivo de álcool. “Embora as taxas mais altas de câncer de cabeça e pescoço sejam em homens mais velhos, a incidência tem aumentado em mulheres, à medida que mais mulheres usam tabaco, e em jovens não fumantes por conta do papilomavírus humano (HPV), que desempenha um papel cada vez mais importante como fator etiológico para o desenvolvimento de câncer orofaríngeo”, explica Ricardo Oliveira da Fonseca, oncologista do Hospital Municipal de Barueri (HMB). Outros fatores de risco incluem a exposição à radiação, deficiências vitamínicas, doença periodontal, imunossupressão e outras exposições ambientais e ocupacionais.

Sintomas e tratamento

A apresentação clínica do câncer de cabeça e pescoço pode variar muito, sendo que a pessoa pode estar assintomática ou apresentar sinais relacionados ao local e extensão da doença. O especialista alerta que o paciente deve ficar atento com sintomas como dor de ouvido, tumoração cervical, dor ou aftas na boca sem cicatrização, dificuldade e/ou dor para engolir, rouquidão que não melhora, alteração persistente da voz, perda de peso, sangramento nasal, obstrução nasal, dor de cabeça e na face.

Quando diagnosticada precocemente, as chances de cura da doença são melhores. Mas, para os casos em estágio mais avançado é observado um prognóstico ruim, influenciando em uma menor qualidade de vida, apesar do tratamento. “Por isso, se uma pessoa observar algum sintoma como os citados, é importante procurar um médico para ser examinada”, lembra o oncologista.

Além de dar mais chances ao paciente, o diagnóstico precoce permite terapias menos agressivas e, consequentemente, menos sequelas. “Quando a doença se apresenta localmente avançada, seja pela patologia em si ou pelo tratamento mais agressivo, pode deixar sequelas na fala e dificuldade de se alimentar por via oral”, explica o médico.

O tratamento vai depender da localização e da extensão do tumor, podendo ser realizado através de cirurgia, radioterapia e/ou quimioterapia associado à terapia de suporte multidisciplinar. “O acompanhamento é realizado por equipe multidisciplinar, que envolve profissionais como médico oncologista clínico, radioterapeuta, cirurgião de cabeça e pescoço, enfermeiro, odontólogo, nutricionista, fonoaudiólogo, psicólogo, assistente social e fisioterapeuta”, esclarece Fonseca.

A campanha durante o mês de julho é uma forma distribuir informações sobre a prevenção e detecção precoce da doença. “A prevenção através de medidas que evitem os principais fatores de risco, como a cessação do tabagismo e/ou alcoolismo e vacinação contra o HPV, contribuem para a redução do número de novos casos dessas neoplasias”, alerta o especialista. Vale ressaltar que o HPV é transmitido principalmente através do sexo desprotegido, por isso é preciso reforçar a importância do uso de preservativo em qualquer relação. E lembre-se: ao notar qualquer sintoma anormal, procure um médico o mais rápido possível para avaliação e tratamento.

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