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Mundo vive maior surto global de sarampo desde 2006; cobertura vacinal é uma das mais baixas em anos

Mundo vive maior surto global de sarampo desde 2006; cobertura vacinal é uma das mais baixas em anos

De janeiro a agosto de 2019, Brasil já confirmou mais de 1.300 casos da doença

Lá em 2017, alertamos sobre o surto de sarampo na Europa e os movimentos antivacina. Naquele ano, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), houve 110 mil mortes por sarampo no mundo, principalmente entre crianças com menos de cinco anos. Em 2018, a doença chegou ao Brasil, com força principalmente na região Norte, nos estados do Amazonas e Roraima. De lá para cá, o sarampo chegou ao sudeste e o número de casos vem aumentando.

Em março de 2019, o Brasil perdeu o certificado de país livre de sarampo, recebido em 2016. Até o mês de agosto foram confirmados 1.388 casos.

Esta semana, a OMS emitiu um alerta de que estamos diante do maior surto global de sarampo desde 2006. De janeiro até o início de agosto, 182 países notificaram 364.808 casos de sarampo, quase três vezes mais do que os registrados no mesmo período do ano passado.

Os números mostram a importância e os resultados da vacina. Ainda de acordo com a OMS, entre 2000 e 2017 a vacinação contra o sarampo resultou em uma queda de 80% no número de mortes pela doença; foram cerca de 21,1 milhões de mortes evitadas.

Em 2017, o Ministério da Saúde já havia alertado que o Brasil vivia o pior período de cobertura vacinal nos últimos 10 anos. Atualmente, dados do Programa Nacional de Imunizações mostram que diversas vacinas estão com cobertura abaixo do recomendado pela OMS, que é de 95%.

A cobertura vacinal da tríplice viral, que protege contra o sarampo, caxumba e rubéola, passou de 103,74% em 2009 para 90,92% em 2018. Já a taxa de vacinação da poliemielite, aplicada aos dois meses contra a paralisação infantil, passou de 103,66% em 2009 para 87% em 2018. O índice de vacinação contra a difteria (DTP) foi de 101,71% em 2009 para 86,14% em 2018. As coberturas acima de 100% acontecem quando são aplicadas doses extras ou acima do previsto.

Os perigos da baixa cobertura vacinal

“O maior perigo é o retorno de doenças que a transmissão já estava eliminada no Brasil, como o sarampo, poliomielite, rubéola, entre outras. Infelizmente, temos observado uma baixa cobertura vacinal em todo o país de doenças preveníveis pela vacinação”, diz Eduardo Medeiros, infectologista do Hospital São Paulo.

O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa, cujos sintomas iniciais em geral incluem febre alta, manchas na boca, que geralmente aparecem de 2 a 3 dias antes das manchas pelo corpo, mal-estar, perda de apetite, olhos vermelhos e lacrimejantes, coriza e tosse com pouca secreção mucosa. Depois, as manchas avermelhadas se espalham pelo corpo. “É uma doença grave que está associada a complicações respiratórias, neurológicas e morte, principalmente em pessoas desnutridas e imunodeprimidas”, alerta o infectologista. Vale lembrar que não existe tratamento específico contra o vírus, sendo este apenas sintomático e das complicações que podem surgir.

Hoje a orientação do Ministério da Saúde é que todas as pessoas de 15 a 29 anos tomem a vacina. A campanha também orienta que todas as crianças entre 6 meses e 11 meses e 29 dias sejam vacinadas durante a campanha.

A importância do calendário vacinal

O infectologista explica que diversas vacinas são recomendadas na infância, de acordo com o Calendário Nacional de Vacinação, e, dependendo da situação epidemiológica em determinada região do país, algumas vacinas podem ser acrescentadas. “Desde o nascimento, são recomendadas algumas vacinas como a BCG (contra a tuberculose) e contra a hepatite B. Geralmente estas são administradas ainda na maternidade, antes da alta. Depois, os pais ou responsáveis devem seguir o calendário do Ministério da Saúde e levar a criança nas Unidades Básicas de Saúde para completar o esquema vacinal”, lembra o especialista.

O calendário vacinal inclui, por exemplo, as vacinas tríplice viral, composta do vírus atenuado do sarampo, caxumba e rubéola, e a tetra viral que, além destes vírus, também possui o vírus da varicela, que protege contra a catapora. “A vacina tríplice é recomendada para ser administrada aos 12 meses de idade e a tetra aos 15 meses. Caso não tenham sido imunizados, os adultos até os 29 anos devem tomar duas doses da vacina tríplice, e dos 30 aos 49 anos apenas uma dose da vacina tríplice”, explica o médico.

Se uma pessoa não tomou uma vacina quando criança, pode e deve atualizar seu esquema vacinal de acordo com a idade, mesmo que não tenha a caderneta de vacina. “A Unidade Básica de Saúde fará a atualização e fornecerá uma nova caderneta de vacinas. É muito importante retornar para tomar as doses de reforço”, diz o médico.

Infelizmente grupos antivacina estão crescendo pelo mundo e, irresponsavelmente, geram insegurança nos pais, que passam a não querer vacinar seus filhos, aumentando o perigo de um surto de uma doença que poderia ser totalmente evitada. Esses grupos alegam que a vacina pode ter efeitos colaterais perigosos, citando até mesmo o autismo como sendo uma consequência da vacina contra o sarampo, o que é uma afirmação sem nenhum estudo científico. O infectologista ressalta que as vacinas são muito seguras e conseguiram eliminar ou controlar doenças que no passado levavam a alta mortalidade e sequelas graves. É claro que as vacinas podem ter seus eventos adversos, principalmente as de vírus atenuado, mas os eventos graves são muito raros. “Como são compostas de vírus vivo atenuado, podem, embora raramente, produzir sinais e sintomas de leve intensidade, como febre e mal-estar, bem mais brandos que a doença. Os pais ou responsáveis também podem e devem se informar com o pediatra ou na própria Unidade Básica de Saúde para se sentirem mais tranquilos ao administrar a vacina em seus filhos”, reforça o especialista.

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