A poliomielite também conhecida como paralisia infantil é uma doença viral que marcou a história da saúde pública no século XX. Altamente contagiosa e capaz de causar paralisias permanentes e até a morte, ela foi por décadas motivo de preocupação para famílias e governos em todo o mundo.
Graças à vacinação em massa e às políticas públicas de imunização conduzidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o Brasil conseguiu eliminar a circulação do vírus há mais de 30 anos.
No entanto, o risco de reintrodução da poliomielite ainda existe, e a manutenção da cobertura vacinal é essencial para impedir que o vírus volte a ameaçar as novas gerações.
O histórico da poliomielite no Brasil
O primeiro grande surto de poliomielite no Brasil foi registrado na década de 1930. A doença se espalhava com rapidez, afetando principalmente crianças menores de cinco anos e deixando sequelas irreversíveis.
Durante décadas, milhares de pessoas conviveram com os impactos físicos e emocionais da doença.
O cenário começou a mudar a partir dos anos 1970, com a introdução da vacina oral contra a pólio e o início das campanhas nacionais de vacinação. Em 1988, o Brasil aderiu à Iniciativa Global de Erradicação da Poliomielite, liderada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e apoiada por governos e instituições de saúde de todo o mundo.
O resultado foi histórico: desde 1990, nenhum caso de poliomielite autóctone foi registrado no país.
Esse marco só foi possível graças à atuação do Programa Nacional de Imunizações (PNI), uma das políticas públicas mais bem-sucedidas do SUS e ao engajamento de milhões de profissionais de saúde.
Você sabia?
O Brasil recebeu o certificado de erradicação da poliomielite em 1994, concedido pela OMS e pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). No entanto, o país continua em estado de vigilância permanente, pois o vírus ainda circula em regiões da Ásia e da África, podendo ser reintroduzido por meio de viagens internacionais.
Como o vírus age e por que a vacinação é fundamental
O vírus da poliomielite (poliovírus) é transmitido por via oral-fecal, geralmente através de água ou alimentos contaminados. Uma vez no organismo, ele se multiplica no intestino e pode atingir o sistema nervoso central, causando inflamação e destruição das células motoras.
Em alguns casos, a infecção é assintomática; em outros, provoca sintomas leves, como febre e dor de garganta. No entanto, em situações mais graves, pode levar à paralisia flácida aguda, comprometendo permanentemente os músculos dos membros e da respiração.
A vacinação é o único método capaz de interromper a transmissão do vírus.
Existem dois tipos de imunizantes utilizados no Brasil:
- Vacina Inativada Poliomielite (VIP): aplicada por injeção, contém vírus mortos e é usada nas primeiras doses da infância.
- Vacina Oral Poliomielite (VOP): as famosas “gotinhas”, usadas em campanhas de reforço e em faixas etárias específicas.
Ambas são seguras e eficazes, estimulando a produção de anticorpos protetores e contribuindo para a imunidade coletiva, que impede a circulação do vírus na comunidade.
O risco da baixa cobertura vacinal
Nos últimos anos, o Brasil vem enfrentando uma queda preocupante nos índices de vacinação infantil.
De acordo com dados do Ministério da Saúde (2024), a cobertura vacinal contra a poliomielite está abaixo de 85% em muitos municípios, quando o ideal é manter o índice acima de 95% para garantir a proteção coletiva.
Esse cenário reacendeu o alerta da OMS e da OPAS, que classificam a reintrodução do vírus no país como um risco real, especialmente em regiões com falhas na cobertura vacinal.
Basta um único caso importado para que a poliomielite volte a circular e cause surtos em comunidades desprotegidas.
Dado importante
Em 2023, a Nigéria e o Paquistão registraram novos casos de poliomielite após anos de controle. Esses episódios reforçam a necessidade de vigilância epidemiológica e campanhas contínuas de imunização, inclusive em países que já haviam erradicado a doença.
Políticas públicas e o papel do SUS
O Programa Nacional de Imunizações (PNI), criado em 1973, é o principal responsável por coordenar e garantir o acesso gratuito a todas as vacinas essenciais, incluindo as da poliomielite.
O programa é referência internacional por sua capilaridade e cobertura populacional, atendendo desde grandes centros urbanos até comunidades rurais e ribeirinhas.
Além disso, o SUS mantém ações permanentes de:
- Monitoramento epidemiológico e vigilância laboratorial;
- Campanhas de vacinação em massa, com apoio das Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde;
- Educação em saúde, para conscientizar pais e responsáveis sobre a importância de manter o cartão de vacinação atualizado.
A Fiocruz e o Instituto Butantan também desempenham papéis estratégicos na produção e no controle de qualidade das vacinas utilizadas em território nacional.
O compromisso da SPDM com a imunização e a saúde pública
A Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) é uma das maiores gestoras de serviços públicos de saúde do país e atua em parceria com o SUS na implementação de programas de imunização, vigilância e educação em saúde.
Nas unidades sob sua gestão, a instituição promove ações que vão além da aplicação das vacinas: envolvem informação, acolhimento e sensibilização da população sobre a importância da prevenção.
Entre as iniciativas estão:
- Campanhas educativas voltadas à conscientização sobre a importância da vacinação infantil;
- Apoio logístico e técnico a equipes municipais de saúde em períodos de campanha nacional;
- Formação de profissionais em boas práticas de imunização e comunicação em saúde;
- Promoção de ambientes seguros para atendimento de crianças, adolescentes e adultos durante as ações de vacinação.
Essas ações reforçam o compromisso da SPDM em fortalecer o SUS e garantir o acesso universal às políticas públicas de saúde, baseadas em evidências científicas e no cuidado humanizado.
Vacinar é um ato de proteção coletiva
A erradicação da poliomielite é uma conquista da ciência e da sociedade, resultado da união entre governos, profissionais de saúde e famílias.
Mas essa conquista precisa ser mantida todos os dias. Cada dose aplicada é uma barreira contra o retorno de uma doença que já devastou gerações.
Manter o esquema vacinal completo é um ato de responsabilidade e solidariedade.
Ao vacinar uma criança, protegemos não apenas ela, mas também toda a comunidade, especialmente aqueles que, por motivos médicos, não podem receber a vacina.
A SPDM reafirma seu compromisso em promover informação, prevenção e acesso à imunização como pilares fundamentais para uma saúde pública mais forte e segura.
Fontes consultadas
- Ministério da Saúde (MS). Programa Nacional de Imunizações – PNI. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/pni
- Polioeradication. Fundação Mohamed Bin Zayed para a Humanidade sediará momento global de compromissos contra a poliomielite em Abu Dhabi. Disponível em: https://polioeradication.org/
- Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS Brasil). Erradicação da Poliomielite nas Américas: desafios e vigilância. Disponível em: https://www.paho.org/pt/topicos/poliomielite
- Fiocruz. A história da Poliomielite e de sua erradicação noBrasil. Disponível em: https://drive.google.com/file/d/1rXX1KvjbqJ46_Uu4Zklv1UcOK2dGv8kc/view?usp=sharing
Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM). Campanhas e ações institucionais de imunização. Disponível em: https://spdm.org.br









