Centro de Referência da Dor Crônica de Pirituba promove cuidado integral e especializado aos pacientes do SUS

A dor crônica é uma condição que afeta milhões de pessoas e pode comprometer significativamente a qualidade de vida, o bem-estar emocional e a capacidade de realizar atividades cotidianas. Diante desse cenário, o acesso a serviços especializados torna-se fundamental para o diagnóstico adequado, o tratamento individualizado e o controle dos sintomas.

Em São Paulo, o Centro de Referência da Dor Crônica (CR Dor) de Pirituba é um serviço da Secretaria Municipal da Saúde, gerenciado em parceria com a SPDM/PAIS, Organização Social de Saúde, criado para oferecer assistência integral e especializada a pacientes que convivem com dor persistente. A unidade reúne atendimento multiprofissional e diferentes abordagens terapêuticas voltadas ao manejo da dor crônica, ampliando o acesso ao cuidado especializado e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida dos pacientes.

Com o objetivo de oferecer atendimento humanizado, multidisciplinar e especializado para pessoas que convivem com dor persistente, o CR Dor de Pirituba atua como referência regional no município de São Paulo. Em entrevista exclusiva, Aline Rigolo Oliveira, coordenadora do serviço, explicou o funcionamento da unidade, os principais tratamentos oferecidos e os impactos da dor crônica na vida dos pacientes.

Segundo a especialista, a dor é uma das principais causas de procura pelos serviços de saúde no Brasil.

"A dor é o motivo mais frequente de busca por serviços de saúde no Brasil. Cerca de 70% das pessoas atendidas apresentam a dor como queixa principal", explica Aline Rigolo Oliveira.

Implantado pela Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, o Centro de Referência da Dor Crônica foi criado para ampliar o acesso ao tratamento especializado, reduzir filas de espera e evitar que os pacientes precisem percorrer diferentes serviços em busca de atendimento. A unidade oferece assistência integral a pessoas com dor crônica, definida como aquela que persiste por mais de três meses, contando com equipe multiprofissional e diferentes estratégias terapêuticas para o cuidado contínuo.

O que é a dor crônica e quando buscar ajuda especializada?

A dor crônica é caracterizada pela persistência da dor por mais de três a seis meses, mesmo após o tratamento da causa inicial. Além do desconforto físico, ela também pode afetar o sono, o humor, a capacidade funcional e a saúde emocional dos pacientes.

“A dor crônica é uma experiência multidimensional, envolvendo aspectos sensitivos, cognitivos, afetivos e emocionais, podendo gerar sofrimento e incapacidade”, destaca a coordenadora.

De acordo com o CR Dor, qualquer impacto importante na rotina, funcionalidade ou bem-estar já é motivo para buscar avaliação especializada.

Quem pode ser atendido no CR Dor Pirituba?

O serviço atende adolescentes e adultos acima de 13 anos que convivem com dor crônica há mais de três meses e que não apresentaram melhora com os tratamentos realizados anteriormente.

Os encaminhamentos são feitos pelas equipes multiprofissionais da Atenção Básica, após acompanhamento inicial e discussão clínica do caso.

“O CR Dor não funciona em regime de portas abertas. O usuário precisa atender aos critérios do programa e ser encaminhado pela Atenção Básica”, explica Aline.

O Centro de Pirituba atende usuários encaminhados por aproximadamente 95 Unidades Básicas de Saúde (UBS) da região Norte do município de São Paulo e realiza cerca de 400 atendimentos mensais.

Como funciona a avaliação inicial dos pacientes?

Ao chegar ao serviço, o paciente passa por uma avaliação biopsicossocial realizada pela equipe multiprofissional do CR Dor.

A partir dessa análise, é desenvolvido um Plano Terapêutico Singular (PTS), elaborado de forma individualizada conforme as necessidades de cada paciente.

“O cuidado é construído de forma integrada, considerando não apenas a dor física, mas também os impactos emocionais, sociais e funcionais”, afirma a coordenadora.

A equipe define:

  • profissionais envolvidos no tratamento;
  • tempo de acompanhamento;
  • atividades individuais e coletivas;
  • necessidade de exames;
  • ajustes medicamentosos;
  • terapias complementares.

Abordagem multiprofissional e cuidado integral

O tratamento da dor crônica no CR Dor é realizado por uma equipe formada por:

  • médicos fisiatras;
  • especialistas em dor;
  • médicos acupunturistas;
  • fisioterapeutas;
  • terapeutas ocupacionais;
  • psicólogo;
  • enfermeira;
  • farmacêutica;
  • assistente social.

A proposta é oferecer um cuidado ampliado, integrando diferentes áreas da saúde.

“O objetivo é promover melhora da funcionalidade, qualidade de vida e bem-estar geral do paciente”, reforça Aline Rigolo Oliveira.

Tratamentos oferecidos no Centro de Referência da Dor Crônica

Além dos atendimentos clínicos especializados, o CR Dor oferece:

  • fisioterapia;
  • terapia ocupacional;
  • acupuntura;
  • grupos de educação em dor;
  • práticas integrativas e complementares em saúde (PICS).

Entre os recursos terapêuticos disponíveis, estão:

  • eletroacupuntura;
  • auriculoterapia;
  • moxabustão;
  • ventosaterapia;
  • fitoterapia;
  • meditação;
  • yoga;
  • reflexologia.

Segundo a equipe, o tratamento nem sempre depende exclusivamente do uso de medicamentos.

“Nem todos os pacientes precisam necessariamente de intervenção medicamentosa. Outros recursos terapêuticos podem ser utilizados conforme cada caso”, explica a coordenadora.

Dor crônica e saúde mental

O CR Dor também trabalha os aspectos emocionais relacionados à dor persistente, já que ansiedade, estresse e depressão frequentemente estão associados aos quadros crônicos.

“A relação entre dor e saúde mental é profunda e bidirecional. O sofrimento é multidimensional e exige uma abordagem completa”, destaca Aline.

O suporte psicológico faz parte do tratamento e auxilia os pacientes no manejo emocional da dor e na recuperação da autonomia.

Existe melhora para quem convive com dor crônica?

Embora nem toda dor crônica tenha cura definitiva, o acompanhamento especializado pode proporcionar melhora significativa da funcionalidade e da qualidade de vida.

Segundo a coordenadora, o foco do tratamento moderno é reabilitar o paciente e devolver autonomia para suas atividades diárias.

“O objetivo principal é restaurar a funcionalidade e promover qualidade de vida, não necessariamente eliminar completamente a dor”, afirma.

Entre as estratégias utilizadas estão:

  • atividade física supervisionada;
  • educação em dor;
  • psicoterapia;
  • terapia cognitivo-comportamental;
  • terapias integrativas;
  • medicina intervencionista;
  • tratamento medicamentoso individualizado.

Casos mais atendidos no CR Dor

Os quadros mais frequentes acompanhados pela unidade incluem:

  • lombalgia;
  • cervicalgia;
  • fibromialgia;
  • dores musculares;
  • dores articulares;
  • migrânea;
  • cefaleia tensional;
  • dores neuropáticas;
  • lombociatalgia;
  • cervicobraquialgia.

O serviço também atende pacientes com síndromes dolorosas complexas e dores relacionadas a alterações neurológicas.

Considerações finais

O Centro de Referência da Dor Crônica de Pirituba desempenha um papel fundamental no cuidado especializado aos pacientes do SUS que convivem com dor persistente.

Por meio de uma abordagem multiprofissional, individualizada e humanizada, o serviço busca reduzir o sofrimento, restaurar a funcionalidade e melhorar a qualidade de vida dos usuários.

“O tratamento vai além do uso de medicamentos. O cuidado precisa considerar o paciente de forma integral”, conclui Aline Rigolo Oliveira.

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