HPV e câncer: entenda a relação, os riscos e como prevenir

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O Papilomavírus Humano (HPV) é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns no mundo. Estima-se que a maioria das pessoas sexualmente ativas tenha contato com o vírus em algum momento da vida. Na maior parte dos casos, a infecção desaparece espontaneamente graças à resposta do sistema imunológico. No entanto, algumas infecções persistentes podem provocar alterações celulares capazes de evoluir para diferentes tipos de câncer. 

Nas últimas décadas, o avanço das pesquisas permitiu compreender melhor a relação entre HPV e câncer, demonstrando que determinados tipos do vírus estão diretamente associados ao desenvolvimento de tumores em diferentes regiões do corpo. Atualmente, a prevenção por meio da vacinação e dos exames de rastreamento é considerada uma das estratégias mais eficazes para reduzir a incidência dessas doenças.

A Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), com mais de 90 anos de história dedicados à promoção da vida, reforça a importância da informação baseada em evidências científicas para a prevenção, o diagnóstico precoce e o cuidado integral da população.

VEJA TAMBÉM: Importância da vacina de HPV

O que é o HPV?

O HPV é um grupo composto por mais de 200 tipos de vírus. Alguns deles são considerados de baixo risco e podem causar verrugas na pele e nas mucosas. Outros são classificados como de alto risco por estarem associados ao desenvolvimento de lesões precursoras e de diversos tipos de câncer. A transmissão ocorre principalmente por contato íntimo envolvendo pele e mucosas. Em muitos casos, a infecção não provoca sintomas, o que favorece sua disseminação.

Tipos de HPV

Os tipos de HPV podem ser divididos em duas grandes categorias:

  • HPV de baixo risco, geralmente associado a verrugas;
  • HPV de alto risco, relacionado ao desenvolvimento de lesões pré-cancerosas e cânceres.

Entre os tipos de alto risco, os HPV 16 e HPV 18 são responsáveis pela maior parte dos cânceres associados à infecção. 

Como o HPV pode causar câncer?

Quando o organismo não consegue eliminar a infecção, o vírus pode permanecer por anos nas células infectadas. Essa persistência pode provocar alterações genéticas progressivas, levando ao surgimento de lesões pré-cancerosas e, posteriormente, ao desenvolvimento de tumores malignos. 

É importante destacar que a presença do HPV não significa que uma pessoa necessariamente desenvolverá câncer. A maioria das infecções desaparece naturalmente em um período de um a dois anos. O risco aumenta principalmente quando a infecção por tipos de alto risco persiste por longos períodos. 

Quais tipos de câncer estão relacionados ao HPV?

Segundo o National Cancer Institute (NCI), o HPV está associado a seis principais tipos de câncer. 

Câncer do colo do útero

É o câncer mais fortemente associado ao HPV. Praticamente todos os casos estão relacionados à infecção persistente por tipos de alto risco do vírus.

Câncer de orofaringe

Afeta estruturas da garganta, incluindo amígdalas e base da língua. Atualmente, representa um dos cânceres relacionados ao HPV com crescimento significativo em diversos países. 

Câncer anal

Mais de 90% dos casos de câncer anal estão associados à infecção pelo HPV. 

Câncer de pênis

Embora seja considerado raro, uma parcela importante dos casos apresenta relação com infecção persistente pelo vírus. 

Câncer de vulva

A infecção tende a ocorrer com maior facilidade em regiões de mucosa e pele mais fina, características da vulva e da região anogenital, o que favorece a instalação e a persistência do vírus.

Câncer de vagina

Também pode estar associado à infecção persistente pelos tipos oncogênicos do HPV, especialmente os HPV 16 e HPV 18, responsáveis pela maior parte dos casos relacionados ao vírus.

Tabela: HPV e tipos de câncer associados

Tipo de câncer Relação com HPV
Colo do útero Praticamente todos os casos estão relacionados ao HPV
Anal Mais de 90% dos casos associados ao HPV
Orofaringe Grande parte dos casos relacionada ao HPV
Pênis Associação significativa com tipos de alto risco
Vulva Importante relação com infecção persistente
Vagina Frequentemente associado ao HPV de alto risco

 

Quais fatores aumentam o risco de câncer relacionado ao HPV?

Embora o vírus seja o principal fator causal, algumas condições podem favorecer a persistência da infecção e aumentar o risco de evolução para câncer.

Entre elas, estão:

  • infecção persistente por tipos de alto risco;
  • sistema imunológico enfraquecido;
  • tabagismo;
  • ausência de rastreamento preventivo;
  • múltiplos fatores de risco associados ao estilo de vida.

 

Quais são os sintomas?

A infecção pelo HPV geralmente não apresenta sintomas.

Por isso, muitas pessoas desconhecem que foram infectadas.

Quando surgem manifestações clínicas, elas podem variar conforme a região afetada e o estágio da doença.

Entre os sinais que merecem investigação médica, estão:

  • verrugas genitais;
  • sangramentos fora do padrão habitual;
  • dor persistente;
  • lesões em mucosas;
  • dificuldade para engolir;
  • rouquidão persistente;
  • alterações ginecológicas identificadas em exames preventivos.

Nos estágios iniciais, muitos cânceres relacionados ao HPV podem não apresentar sintomas evidentes.

Como prevenir o HPV e os cânceres associados?

Vacinação

A vacinação é considerada uma das estratégias mais eficazes para prevenir infecções pelos tipos de HPV mais frequentemente associados ao câncer. Diversos estudos demonstram redução significativa das lesões precursoras e dos cânceres relacionados ao vírus em populações vacinadas. 

Exames preventivos

O rastreamento permite identificar alterações celulares antes que evoluam para câncer.

No caso do câncer do colo do útero, os exames preventivos continuam sendo fundamentais para o diagnóstico precoce e a prevenção da doença. 

Práticas de prevenção

Outras medidas importantes incluem:

  • adoção de práticas sexuais mais seguras;
  • acompanhamento médico regular;
  • realização dos exames preventivos recomendados;
  • atenção a sintomas persistentes.

Existe tratamento para o HPV?

Não existe um tratamento capaz de eliminar diretamente o vírus em todos os casos.

O manejo clínico depende das manifestações apresentadas e das alterações provocadas pela infecção.

Quando há lesões precursoras ou câncer, a conduta é definida individualmente por equipes especializadas, considerando fatores como localização, extensão da doença e condições clínicas do paciente.

O diagnóstico precoce aumenta significativamente as possibilidades de tratamento e melhores resultados clínicos.

Mitos e verdades sobre HPV e câncer

HPV sempre causa câncer

Mito. A maioria das infecções desaparece espontaneamente sem provocar complicações. 

Apenas mulheres precisam se preocupar com HPV

Mito. O vírus pode afetar homens e mulheres e está associado a diferentes tipos de câncer em ambos os sexos. 

A vacinação ajuda a prevenir cânceres relacionados ao HPV

Verdade. A vacinação é uma das principais estratégias de prevenção atualmente disponíveis. 

É possível ter HPV sem apresentar sintomas

Verdade. Grande parte das infecções é assintomática.

Perguntas frequentes sobre HPV e câncer

Toda pessoa com HPV desenvolverá câncer?

Não. A maioria das infecções é eliminada naturalmente pelo organismo sem causar lesões ou tumores. 

O HPV afeta apenas mulheres?

Não. Homens também podem adquirir a infecção e desenvolver doenças relacionadas ao vírus. 

Quanto tempo leva para o HPV causar câncer?

Quando ocorre evolução para câncer, o processo geralmente leva anos ou até décadas. 

Quem foi vacinado ainda precisa realizar exames preventivos?

Sim. A vacinação reduz significativamente os riscos, mas não substitui as recomendações de rastreamento indicadas pelos profissionais de saúde. 

O HPV pode desaparecer sozinho?

Sim. Na maioria dos casos, o sistema imunológico consegue eliminar a infecção naturalmente. 

Considerações finais

A relação entre HPV e câncer está bem estabelecida pela ciência. Embora a maioria das infecções seja transitória e não cause problemas graves, a persistência de tipos de alto risco pode levar ao desenvolvimento de diferentes tipos de câncer ao longo dos anos. Por isso, a prevenção, a vacinação, os exames de rastreamento e o acompanhamento médico desempenham papel fundamental na proteção da saúde.

A SPDM atua no fortalecimento da assistência integral à população por meio de hospitais, ambulatórios, unidades básicas de saúde e serviços especializados. O acesso aos serviços ocorre por meio dos fluxos estabelecidos na rede pública de saúde, incluindo atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), que podem realizar a avaliação inicial, orientar medidas preventivas e encaminhar pacientes para investigação e acompanhamento quando necessário.

A informação baseada em evidências continua sendo uma das ferramentas mais importantes para reduzir o impacto dos cânceres relacionados ao HPV e ampliar as oportunidades de prevenção e diagnóstico precoce.

Fontes consultadas

National Cancer Institute (NCI). HPV and Cancer. Disponível em: https://www.cancer.gov/about-cancer/causes-prevention/risk/infectious-agents/hpv-and-cancer

National Cancer Institute (NCI). Cervical Cancer Causes, Risk Factors, and Prevention. Disponível em: https://www.cancer.gov/types/cervical/causes-risk-prevention

National Cancer Institute (NCI). Cervical Cancer Screening. Disponível em: https://www.cancer.gov/types/cervical/screening

Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Cancers Linked with HPV Each Year. Disponível em: https://www.cdc.gov/cancer/hpv/cases.html

American Cancer Society. Cancers Linked with HPV. Disponível em: https://www.cancer.org/cancer/risk-prevention/hpv/hpv-and-cancer-info.html

National Institutes of Health (NIH). One Dose of HPV Vaccine as Effective as Two. Disponível em: https://www.nih.gov/news-events/nih-research-matters/one-dose-hpv-vaccine-effective-two

National Cancer Institute (NCI). New Guidelines for HPV Testing Using Self Collection. Disponível em: https://dceg.cancer.gov/news-events/news/2025/self-collection-hpv-testing

 

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