Doença de Huntington: entenda o que é, sintomas e como é feito o diagnóstico

O que é a doença de Huntington?

A doença de Huntington é uma condição genética e neurodegenerativa. Isso significa que é causada por uma alteração genética e envolve a perda progressiva da função de determinadas células nervosas.

Sua origem está relacionada a uma alteração no gene HTT. Nesse gene, ocorre uma expansão anormal de uma sequência do DNA conhecida como CAG. A identificação dessa alteração faz parte da confirmação genética do diagnóstico.

Os sintomas podem mudar ao longo do tempo e não seguem exatamente o mesmo padrão em todas as pessoas. Enquanto algumas apresentam alterações nos movimentos, outras percebem primeiro mudanças no raciocínio, nas emoções ou no comportamento. 

Como a doença é transmitida?

A herança é chamada de autossômica dominante. Em termos simples, quando um dos pais possui a alteração genética associada à condição, cada filho tem 50% de chance de herdá-la. A probabilidade é individual para cada gestação.

Para quem tem casos da doença na família, conhecer essa probabilidade pode trazer muitas dúvidas. Algumas envolvem a realização do teste genético, enquanto outras dizem respeito ao planejamento familiar e às decisões pessoais. 

Quais são os principais sintomas?

Os primeiros sinais não são iguais para todas as pessoas. Alterações nos movimentos podem chamar atenção inicialmente, mas mudanças no raciocínio, no humor ou no comportamento também podem aparecer antes ou ao longo da evolução. 

Algumas pessoas apresentam inicialmente alterações motoras, enquanto outras podem perceber primeiro mudanças cognitivas ou emocionais.

Sintomas motores

A coreia é uma das manifestações mais conhecidas. O termo descreve movimentos involuntários, irregulares e imprevisíveis que podem afetar diferentes partes do corpo.

Também podem ocorrer alterações no equilíbrio, na coordenação e nos movimentos voluntários. Com a progressão, algumas pessoas apresentam rigidez e dificuldades para falar ou engolir.

Sintomas cognitivos

Com o tempo, algumas pessoas podem ter mais dificuldade para planejar atividades, organizar tarefas ou lidar com várias informações ao mesmo tempo. Essas mudanças podem interferir no trabalho e em outras situações da rotina. 

Esses sinais, quando aparecem isoladamente, não permitem identificar a doença. Dificuldades de memória, concentração ou organização podem ter muitas outras causas.

Sintomas emocionais e comportamentais

Depressão, ansiedade, irritabilidade e apatia estão entre as manifestações que podem ocorrer. Mudanças no comportamento também podem fazer parte da evolução do quadro.

Essas mudanças podem afetar tanto a pessoa quanto sua convivência familiar e social. Por isso, aspectos emocionais e comportamentais também precisam fazer parte do acompanhamento. 

Os sintomas sempre aparecem na mesma idade?

Não. A doença geralmente se manifesta na vida adulta, mas a idade de início apresenta grande variação. Há pessoas que desenvolvem sintomas mais tarde e, em situações menos frequentes, eles podem surgir ainda na juventude.

A idade, portanto, não deve ser utilizada isoladamente para confirmar ou descartar uma suspeita.

Como é feito o diagnóstico?

A investigação considera o histórico da pessoa e da família, além de avaliações neurológicas, cognitivas e comportamentais. Quando há suspeita clínica, o teste genético molecular permite identificar a alteração característica no gene HTT.

A situação é diferente quando uma pessoa sem sintomas, mas com casos na família, pensa em realizar o teste para saber se herdou a alteração genética. Saber antecipadamente se uma pessoa herdou uma alteração genética pode trazer impactos emocionais, familiares e sociais.

Conhecer esse resultado antes do aparecimento dos sintomas pode ter impactos emocionais, familiares e sociais. Por isso, essa decisão deve contar com aconselhamento especializado. 

Existe tratamento para a doença de Huntington?

Atualmente, não há cura ou tratamento capaz de interromper a progressão da doença. Mesmo sem um tratamento capaz de interromper a evolução da doença, há cuidados que ajudam a controlar sintomas e preservar, dentro do possível, a autonomia e as atividades do dia a dia. 

O cuidado é definido conforme as necessidades e a fase da doença e requer uma abordagem multidisciplinar. O acompanhamento pode envolver neurologista, responsável pela avaliação das manifestações motoras, cognitivas e da progressão da doença, e psiquiatra, especialmente diante de alterações como depressão, ansiedade, irritabilidade, apatia e outros sintomas comportamentais. Fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional também podem contribuir para preservar a mobilidade, a comunicação, a deglutição e a autonomia nas atividades cotidianas. O acompanhamento nutricional ganha importância diante do risco de perda de peso e das alterações de deglutição que podem surgir com a progressão da doença, enquanto o suporte psicológico pode auxiliar o paciente e seus familiares a lidar com os impactos emocionais e sociais da condição.

Como a doença de Huntington é genética e apresenta padrão de herança autossômica dominante, o cuidado também pode incluir profissionais especializados em genética médica e aconselhamento genético. Filhos de uma pessoa que apresenta a expansão genética causadora da doença têm 50% de probabilidade de herdar essa alteração. O aconselhamento é particularmente relevante quando há histórico familiar, na discussão sobre testes genéticos preditivos em adultos assintomáticos e nas decisões relacionadas ao planejamento familiar.

A composição da equipe não é necessariamente a mesma para todos. Ela deve ser ajustada conforme as manifestações presentes e a evolução da doença, integrando o acompanhamento médico às estratégias de reabilitação, nutrição, saúde mental e suporte ao paciente e à família.

Além disso, o acompanhamento regular permite observar mudanças nos movimentos, na cognição, no comportamento e na capacidade de realizar atividades cotidianas. O suporte à família e aos cuidadores também faz parte desse processo.

Qual é a importância do aconselhamento genético?

O aconselhamento genético ajuda a família a compreender como ocorre a hereditariedade, quais testes estão disponíveis e o que seus resultados podem representar.

Para uma pessoa sem sintomas, por exemplo, descobrir se possui alteração genética pode influenciar decisões pessoais e familiares. O objetivo do aconselhamento é explicar essas possibilidades e suas implicações. A decisão de realizar ou não o teste cabe à própria pessoa. 

Quando procurar avaliação profissional?

Pessoas com histórico familiar de doença de Huntington podem buscar orientação especializada para esclarecer dúvidas sobre risco genético, mesmo sem apresentar sintomas.

Alterações progressivas nos movimentos, no raciocínio ou no comportamento também devem ser avaliadas. Entretanto, esses sinais podem ocorrer em diversas condições e não confirmam um diagnóstico por conta própria.

Para quem já recebeu o diagnóstico, o acompanhamento periódico ajuda a adaptar os cuidados conforme as necessidades de cada fase.

Perguntas frequentes sobre a doença de Huntington

A doença de Huntington pode começar em qualquer idade?

Sim. Embora os sintomas apareçam com maior frequência na vida adulta, a idade de início pode variar consideravelmente. Existem formas de início mais precoce e também casos em que as manifestações surgem mais tarde. A idade em que os sintomas começaram em outros familiares não permite prever com precisão quando a doença poderá se manifestar em outra pessoa.

Pessoas com doença de Huntington podem continuar trabalhando e realizando atividades cotidianas?

Isso depende da fase da doença e das manifestações apresentadas por cada pessoa. Nos estágios iniciais, algumas conseguem manter diversas atividades habituais, eventualmente com adaptações. Conforme alterações motoras, cognitivas ou comportamentais evoluem, tarefas profissionais, administração financeira, condução de veículos e outras atividades que exigem autonomia e segurança podem precisar ser reavaliadas individualmente.

A doença de Huntington afeta apenas os movimentos?

Não. Embora os movimentos involuntários sejam uma das manifestações mais conhecidas, a doença também pode causar alterações cognitivas, emocionais e comportamentais. Dificuldades para planejar e organizar atividades, mudanças de humor, irritabilidade, ansiedade, depressão ou apatia podem fazer parte do quadro. A combinação e a intensidade dessas manifestações variam de uma pessoa para outra.

Ter histórico familiar significa que a pessoa necessariamente desenvolverá a doença?

Não necessariamente. O risco depende de a pessoa ter herdado ou não a alteração genética associada à doença. Quando um dos pais possui essa alteração, cada filho tem 50% de chance de herdá-la. Para pessoas sem sintomas que tenham casos da doença na família, a decisão sobre realizar um teste genético deve ser acompanhada de orientação e aconselhamento especializado, considerando também os possíveis impactos pessoais e familiares do resultado. 

Considerações finais

Conviver com a doença de Huntington envolve desafios que podem mudar ao longo do tempo. Como os sintomas e a evolução variam entre as pessoas, o acompanhamento deve considerar as necessidades de cada paciente e também o contexto familiar. A Unidade Básica de Saúde (UBS) pode ser o primeiro ponto de avaliação na rede pública, realizando o acolhimento inicial, acompanhando as necessidades gerais de saúde e, quando indicado, encaminhando o paciente para serviços especializados por meio dos fluxos de referência e regulação do SUS. Nesse percurso, unidades e serviços administrados pela SPDM podem integrar a rede de cuidado, conforme a disponibilidade e a organização assistencial de cada região, possibilitando o acesso às especialidades necessárias para o acompanhamento multidisciplinar.

Embora ainda não exista cura, há formas de controlar diferentes manifestações da doença e oferecer suporte durante sua evolução. O acompanhamento de profissionais de diferentes áreas pode contribuir para o cuidado de pacientes, familiares e cuidadores.

Além disso, ter acesso à informação confiável ajuda a combater estigmas e a compreender que uma pessoa não deve ser definida pelo diagnóstico.

A Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) compartilha conteúdos que aproximam informações de saúde da realidade de pacientes, familiares e cuidadores, contribuindo para decisões mais conscientes ao longo do cuidado.

Fontes consultadas:

GeneReviews, NCBI Bookshelf. Huntington Disease.
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK1305/

PubMed. Huntington's disease: A clinical primer for acute and general physicians.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38588915/

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