AVC: como reconhecer os sinais, agir rapidamente e reduzir os riscos?

O Acidente Vascular Cerebral, conhecido pela sigla AVC, é uma emergência médica. Ele ocorre quando um vaso que leva sangue ao cérebro é obstruído ou se rompe, comprometendo a circulação sanguínea e podendo provocar danos às células cerebrais.

No dia 29 de outubro, o Dia Mundial do Acidente Vascular Cerebral e o Dia Nacional de Prevenção ao Acidente Vascular Cerebral chamam a atenção para a importância de reconhecer os sintomas, controlar os fatores de risco e agir rapidamente diante de uma suspeita.

No Brasil, a data nacional foi instituída pela Lei nº 14.885, de 11 de junho de 2024. Entre os objetivos estabelecidos pela legislação estão: incentivar ações educativas e ampliar o conhecimento da população sobre a identificação dos sinais do AVC, o controle dos fatores de risco, a prevenção, o diagnóstico, o tratamento e a reabilitação.

A Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) atua em diferentes etapas da linha de cuidado relacionada ao AVC, desde o acompanhamento de fatores de risco, como hipertensão arterial e diabetes, até a assistência hospitalar especializada e a reabilitação.

O que acontece durante um AVC?

Existem dois tipos principais de AVC: o isquêmico e o hemorrágico. No AVC isquêmico, uma artéria é obstruída, impedindo que sangue e oxigênio cheguem adequadamente a uma região do cérebro. É a forma mais frequente e corresponde a aproximadamente 85% dos casos.

No AVC hemorrágico, ocorre o rompimento de um vaso sanguíneo cerebral, provocando uma hemorragia. Embora represente uma parcela menor dos casos de AVC, essa forma pode apresentar maior risco de morte.

Nos dois tipos, a rapidez do atendimento é fundamental. Quanto mais cedo forem realizados o diagnóstico e o tratamento adequado, maiores podem ser as chances de sobrevivência e recuperação.

Quais são os principais sinais de alerta do AVC?

Os sintomas geralmente aparecem de maneira súbita. Um dos sinais mais característicos é a perda súbita de força ou alteração da sensibilidade principalmente em um lado do corpo.

Outras manifestações que devem chamar atenção incluem:

  • fraqueza ou formigamento repentino no rosto, braço ou perna, principalmente de um lado do corpo;
  • alteração súbita da fala ou dificuldade para compreender o que outras pessoas estão dizendo;
  • confusão mental;
  • alteração repentina da visão em um ou nos dois olhos;
  • tontura, perda do equilíbrio, alteração da coordenação ou dificuldade para caminhar;
  • dor de cabeça súbita e intensa, sem causa aparente.

Uma maneira simples de perceber algumas dessas alterações é observar o rosto, os braços e a fala. Peça à pessoa para sorrir e verifique se um lado do rosto parece diferente. Em seguida, peça para levantar os dois braços e observe se um deles cai ou apresenta dificuldade para permanecer elevado. Também é possível pedir que repita uma frase simples e verificar se a fala está alterada.

Qualquer alteração súbita desse tipo deve ser tratada como sinal de alerta.

Suspeita de AVC: por que cada minuto importa?

Diante de sinais compatíveis com AVC, não é indicado esperar para observar se a pessoa melhora espontaneamente.

O Ministério da Saúde orienta procurar atendimento médico imediatamente. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) pode ser acionado pelo número 192.

O horário em que os primeiros sintomas apareceram também é uma informação importante e deve ser comunicado à equipe de saúde. A definição do tratamento depende de fatores como o tipo de AVC, a região cerebral afetada, as condições clínicas do paciente e o tempo transcorrido desde o início dos sintomas.

No ambiente hospitalar, exames de imagem ajudam a diferenciar o AVC isquêmico do hemorrágico e orientam a conduta médica.

Por isso, diante da suspeita, não se deve aguardar o surgimento de outros sintomas para buscar assistência.

Atendimento especializado ao AVC no Hospital São Paulo

A rapidez necessária diante de um AVC também exige uma estrutura hospitalar preparada para receber, diagnosticar e acompanhar pacientes com quadros agudos. Em abril de 2026, o Hospital São Paulo, gerenciado pela SPDM, foi habilitado pelo Ministério da Saúde como Centro de Atendimento de Urgência Tipo III aos pacientes com AVC, integrando a rede especializada do Sistema Único de Saúde (SUS). 

Com a habilitação, a unidade passou a contar com 12 novos leitos destinados ao atendimento especializado de casos agudos, sendo 10 específicos para AVC e dois de isolamento. O serviço dispõe ainda de recursos para suporte diagnóstico, como Doppler transcraniano, e funciona de maneira integrada às demais especialidades do hospital.

A estrutura reforça uma linha de cuidado que vai além do atendimento inicial da emergência. A assistência especializada permite avaliar rapidamente o quadro, estabelecer o diagnóstico, definir a conduta adequada e acompanhar as necessidades clínicas do paciente. Essa organização é especialmente relevante no AVC, em que o tempo entre o início dos sintomas e o atendimento pode influenciar as possibilidades terapêuticas e a recuperação.

Quem apresenta maior risco de sofrer um AVC?

O AVC pode acontecer em diferentes idades, embora alguns fatores aumentem sua probabilidade.

Existem fatores que não podem ser modificados, como idade e predisposição genética. Outros, entretanto, estão relacionados a condições de saúde e hábitos que podem ser acompanhados e controlados.

Entre os principais fatores de risco estão:

  • hipertensão arterial;
  • diabetes;
  • colesterol elevado;
  • excesso de peso e obesidade;
  • tabagismo;
  • sedentarismo;
  • consumo de bebidas alcoólicas;
  • determinadas doenças cardiovasculares;
  • histórico familiar.

A hipertensão arterial merece atenção especial porque está entre os principais fatores de risco cardiovasculares. Como pode permanecer sem sintomas durante muito tempo, acompanhar regularmente a pressão arterial é uma medida importante de prevenção.

É possível reduzir o risco de AVC?

Nem todos os episódios podem ser evitados, mas diversos fatores associados ao AVC são modificáveis. Isso significa que medidas preventivas e o acompanhamento adequado de condições preexistentes podem contribuir para reduzir o risco.

Entre os cuidados recomendados estão:

  • não fumar;
  • manter uma alimentação equilibrada;
  • praticar atividade física regularmente, considerando as condições individuais;
  • manter o peso corporal adequado;
  • acompanhar e controlar a pressão arterial;
  • acompanhar adequadamente a glicemia em pessoas com diabetes;
  • controlar alterações do colesterol;
  • realizar acompanhamento periódico de condições cardiovasculares;
  • evitar o consumo de bebidas alcoólicas.

Prevenção não significa apenas mudar hábitos. Pessoas com hipertensão, diabetes, alterações cardiovasculares ou outros fatores de risco precisam manter o acompanhamento indicado pelos profissionais de saúde.

Depois do AVC, o cuidado continua

Sobreviver a um AVC não encerra o cuidado. Dependendo da região cerebral afetada e da extensão da lesão, podem permanecer alterações motoras, cognitivas, de comunicação, de deglutição e de outras funções.

O tratamento depende do tipo de AVC, da causa, da gravidade do quadro e do tempo transcorrido desde o início dos sintomas. Na fase aguda, a prioridade é restabelecer ou preservar a circulação cerebral, quando possível, controlar possíveis complicações e reduzir o risco de novos danos. As condutas são definidas pela equipe médica após avaliação clínica e exames que permitem identificar se o AVC é isquêmico ou hemorrágico. Por isso, o atendimento rápido é determinante para que as opções terapêuticas adequadas possam ser consideradas.

Após a estabilização clínica, a reabilitação é planejada de acordo com as necessidades de cada pessoa e pode envolver diferentes profissionais. O objetivo é favorecer a recuperação funcional, ampliar a autonomia possível e reduzir o impacto das limitações sobre as atividades cotidianas.

Também é necessário investigar e controlar os fatores que contribuíram para o primeiro evento. Quem já apresentou AVC ou ataque isquêmico transitório possui risco de novos eventos, e a prevenção secundária precisa ser individualizada conforme a causa identificada e as condições clínicas do paciente.

Informação e prevenção fazem parte do cuidado

Reconhecer um AVC não é responsabilidade exclusiva dos profissionais de saúde. Familiares, amigos e pessoas próximas também podem perceber uma alteração súbita na fala, no rosto, nos movimentos ou no equilíbrio e contribuir para que o atendimento seja procurado rapidamente.

Essa conscientização está entre os próprios objetivos da Lei nº 14.885/2024, que instituiu o Dia Nacional de Prevenção ao AVC. A legislação prevê ações de informação sobre sinais, fatores de risco e cuidado integral às pessoas acometidas pela doença.

Ao mesmo tempo, a prevenção precisa acontecer durante todo o ano. Acompanhamento da pressão arterial, controle de doenças crônicas, atividade física, alimentação equilibrada e abandono do tabagismo são medidas que contribuem não apenas para reduzir o risco de AVC, mas também para a saúde cardiovascular de forma mais ampla.

Considerações finais

No AVC, prevenção e rapidez no atendimento ocupam lugares igualmente importantes. Controlar fatores de risco ajuda a diminuir a probabilidade de ocorrência da doença. Quando os sintomas surgem, reconhecer os sinais e procurar assistência imediatamente pode influenciar diretamente as possibilidades de tratamento e recuperação.

A assistência ao AVC também evidencia a importância de uma rede de saúde integrada, capaz de conectar prevenção, atendimento de urgência, diagnóstico, tratamento, acompanhamento e reabilitação.

Fontes consultadas

Ministério da Saúde. Acidente Vascular Cerebral (AVC). Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/avc

Presidência da República. Lei nº 14.885, de 11 de junho de 2024. Institui o Dia Nacional de Prevenção ao Acidente Vascular Cerebral (AVC). Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2024/lei/L14885.htm

Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Acidente Vascular Cerebral Isquêmico Agudo. Atualizado em 2025. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/pcdt/a/acidente-vascular-cerebral-isquemico-agudo/view

Veja Saúde. 5 sintomas de AVC para ficar atento. Disponível em: https://saude.abril.com.br/medicina/5-sintomas-de-avc-para-ficar-atento/

Kleindorfer DO, Towfighi A, Chaturvedi S, et al. 2021 Guideline for the Prevention of Stroke in Patients With Stroke and Transient Ischemic Attack. Stroke. 2021;52(7). Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34024117/

Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) | Hospital São Paulo é habilitado pelo Ministério da Saúde como Centro de Urgência para AVC. Disponível em:
https://spdm.org.br/blog/hospital-sao-paulo-e-habilitado-pelo-ministerio-da-saude-como-centro-de-urgencia-para-avc/ 

 

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