O que é trombose?
A trombose é caracterizada pela formação de um coágulo, chamado trombo, dentro de um vaso sanguíneo.
A coagulação é um mecanismo natural do organismo e ajuda a controlar sangramentos quando ocorre uma lesão. O problema aparece quando um coágulo se forma dentro da circulação de maneira inadequada e interfere no fluxo normal do sangue.
Na trombose venosa profunda, ou TVP, o coágulo se desenvolve em uma veia profunda. Os membros inferiores são os locais mais frequentemente afetados.
O que acontece quando um coágulo se forma?
Quando o coágulo dificulta a passagem do sangue pela veia, podem surgir manifestações como inchaço, dor, sensação de calor e alteração da coloração da pele.
Entretanto, nem toda pessoa com trombose apresenta sinais evidentes. Da mesma forma, esses sintomas podem ter outras causas.
Por isso, a avaliação profissional é indispensável. A história clínica, o exame físico e, quando indicados, exames complementares ajudam a estabelecer o diagnóstico.
Diferença entre trombose venosa e outros tipos
A trombose pode ocorrer em diferentes vasos. Na circulação venosa, a trombose venosa profunda merece atenção pelo risco de complicações.
Também existe a trombose venosa superficial, que envolve veias mais próximas da pele e possui características próprias. Já as tromboses arteriais comprometem artérias e estão relacionadas a outros quadros cardiovasculares.
Essa diferença é importante porque investigação, riscos e formas de tratamento não são necessariamente os mesmos.
Principais fatores de risco
A formação de coágulos pode estar relacionada à redução do fluxo sanguíneo, a alterações da coagulação e a lesões na parede dos vasos.
O risco não depende apenas de um fator. Idade, condições de saúde, histórico pessoal e familiar e situações temporárias podem contribuir.
Imobilidade prolongada
Ficar muito tempo sem movimentar as pernas pode favorecer a redução do fluxo sanguíneo venoso.
Isso pode acontecer durante períodos prolongados de repouso ou em viagens longas. Ainda assim, o risco varia entre as pessoas e tende a ser maior quando outros fatores estão presentes.
Movimentar-se periodicamente pode ser uma medida útil em situações de imobilidade prolongada, quando não houver restrição profissional.
Cirurgias e internações
Algumas cirurgias e períodos de internação podem aumentar o risco de trombose, especialmente quando envolvem redução da mobilidade. Por essa razão, as equipes de saúde avaliam o risco individual durante a internação e após determinados procedimentos, definindo as medidas preventivas conforme as características clínicas de cada paciente.
Em 2026, a prevenção hospitalar ganhou um reforço com a Lei nº 15.448/2026, que ampliou as medidas de prevenção do tromboembolismo venoso no país. A legislação determina que hospitais públicos e privados e unidades de saúde que ofereçam serviços de internação mantenham estrutura destinada à promoção de ações profiláticas relacionadas ao tromboembolismo venoso, conforme regulamentação. Onde houver, essas ações poderão ser realizadas pelos Núcleos de Segurança do Paciente.
A medida reforça a importância de identificar o risco de trombose durante a assistência hospitalar e adotar estratégias preventivas de acordo com a situação de cada paciente, especialmente em contextos de internação, procedimentos cirúrgicos e redução da mobilidade.
Gestação, anticoncepcionais e outros fatores de risco
A gestação e o período após o parto estão associados a alterações naturais na coagulação e podem aumentar o risco de tromboembolismo venoso.
O uso de alguns anticoncepcionais hormonais, especialmente os que contêm estrogênio, também está associado ao aumento do risco de formação de coágulos. Esse risco não é igual para todas as pessoas e pode variar conforme o tipo de contraceptivo utilizado e a presença de outros fatores, como idade, obesidade, tabagismo, histórico pessoal ou familiar de trombose e determinadas alterações da coagulação.
Outros fatores relacionados ao tromboembolismo venoso incluem idade mais avançada, câncer, histórico anterior de trombose e algumas condições hereditárias ou adquiridas que favorecem a formação de coágulos.
A presença de um ou mais desses fatores não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá trombose. O risco deve ser avaliado individualmente pelo profissional de saúde, inclusive antes da escolha de um método contraceptivo hormonal, considerando o histórico clínico e os demais fatores de risco.
Sinais de alerta
A trombose venosa profunda pode não causar sintomas. Quando eles aparecem, algumas manifestações merecem atenção:
- inchaço, principalmente quando ocorre em apenas um membro;
- dor ou sensibilidade sem uma explicação evidente;
- aumento da temperatura na região afetada;
- vermelhidão ou mudança na coloração da pele.
Esses sinais não permitem fazer um diagnóstico em casa. Quando aparecem de forma repentina ou sem uma causa clara, é importante procurar avaliação profissional.
Quando procurar atendimento?
Dor e inchaço persistentes ou repentinos em uma perna, especialmente quando associados a fatores de risco para trombose, justificam avaliação médica. O angiologista ou cirurgião vascular pode investigar alterações da circulação, avaliar a possibilidade de trombose venosa e, quando necessário, solicitar exames para confirmar ou afastar o diagnóstico e definir a conduta adequada.
É necessário procurar atendimento de emergência imediatamente quando surgirem falta de ar súbita, dor no peito, desmaio, sensação intensa de fraqueza ou outros sintomas respiratórios importantes. Esses sinais podem estar relacionados a diferentes emergências, incluindo a embolia pulmonar, uma possível complicação do tromboembolismo venoso.
Não é recomendado esperar que sintomas intensos desapareçam espontaneamente nem tentar determinar a causa apenas pela aparência da região afetada. A avaliação profissional é fundamental para identificar a origem dos sintomas e iniciar o tratamento adequado quando necessário.
Relação entre trombose e embolia pulmonar
Uma das complicações mais importantes da trombose venosa profunda é a embolia pulmonar.
Ela pode acontecer quando parte de um coágulo se desprende, percorre a circulação e chega aos vasos dos pulmões. A obstrução pode comprometer a circulação pulmonar e a oxigenação do organismo. Em casos graves, a embolia pulmonar pode causar instabilidade circulatória e levar à morte.
Por isso, reconhecer sinais compatíveis com TVP e procurar atendimento contribui para que a investigação seja realizada no momento adequado.
Hábitos e medidas que podem contribuir para prevenção
Algumas medidas gerais contribuem para a saúde vascular e podem ajudar a reduzir fatores associados ao tromboembolismo venoso.
Manter-se fisicamente ativo, evitar longos períodos sem movimentação e cuidar do peso corporal fazem parte dessas medidas. Durante viagens prolongadas, levantar-se e movimentar as pernas periodicamente pode ser recomendado.
Após cirurgias ou durante internações, as orientações da equipe de saúde devem ser seguidas. A mobilização precisa respeitar as condições clínicas e as limitações de cada pessoa.
Não é indicado adotar tratamentos ou medidas específicas de prevenção por conta própria.
Importância da avaliação individual para pessoas de maior risco
Quem já apresentou trombose, possui histórico familiar relevante ou reúne outros fatores de risco pode precisar de acompanhamento específico.
A avaliação também é importante antes de cirurgias, durante períodos prolongados de imobilidade e em outras situações que aumentem o risco.
Nem todas as pessoas precisam das mesmas medidas preventivas. A conduta depende da história clínica, do risco de formação de coágulos e também de possíveis riscos associados às intervenções.
Perguntas frequentes
O que leva uma pessoa a ter uma trombose?
A trombose pode ocorrer quando o fluxo sanguíneo fica mais lento, há lesão na parede dos vasos ou maior tendência à coagulação. Na trombose venosa, fatores como imobilização prolongada, cirurgias, câncer, gravidez, pós-parto e predisposição hereditária podem aumentar o risco.
Qual o primeiro sinal de trombose?
Não existe um primeiro sinal único. Na trombose venosa profunda, podem surgir inchaço, dor, calor e alteração da cor da pele, geralmente em uma das pernas. Algumas pessoas não apresentam sintomas. Essas mudanças exigem avaliação rápida. Falta de ar súbita, dor no peito ou desmaio são sinais de emergência.
Quais são as três fases da trombose?
Os termos aguda, subaguda e crônica podem aparecer para descrever o tempo de evolução e as características da trombose. Entretanto, não representam três etapas obrigatórias. Na trombose venosa profunda, alterações residuais após o episódio também não significam necessariamente um coágulo ativo. A interpretação depende da avaliação clínica e dos exames.
Trombose tem cura?
Tem cura, e muitas pessoas se recuperam. Entretanto, podem permanecer sequelas ou ocorrer novos episódios. O acompanhamento busca controlar o quadro, prevenir complicações e reduzir o risco de recorrência.
Considerações finais
A trombose pode apresentar manifestações diferentes e, em alguns casos, não provocar sintomas evidentes. Dor, inchaço, calor e vermelhidão merecem atenção, mas não devem ser usados isoladamente para concluir que existe um coágulo.
Conhecer os fatores de risco e evitar períodos prolongados de imobilidade são cuidados importantes. Pessoas com risco aumentado precisam de orientação individualizada.
Em caso de suspeita de trombose, procure uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para avaliação e orientação sobre os próximos cuidados. Na rede pública de saúde, a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), atua em diferentes serviços que podem contribuir para o cuidado e o encaminhamento dos pacientes, conforme a necessidade de cada caso.
Fontes consultadas
Ministério da Saúde. Trombose.
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/t/trombose
Albricker ACL et al. Diretriz Conjunta sobre Tromboembolismo Venoso. Arquivos Brasileiros de Cardiologia. 2022.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35508060/
Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular. Guidelines on deep vein thrombosis of the Brazilian Society of Angiology and Vascular Surgery. 2024.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39286300/
American Society of Hematology et al. Guidelines for prevention of venous thromboembolism in surgical and medical patients and long-distance travelers in Latin America. 2022.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35195676/
Radio Senado | Lei amplia prevenção de trombose em hospitais | https://www12.senado.leg.br/radio/1/noticia/2026/07/02/lei-amplia-prevencao-de-trombose-em-hospitais