O câncer de mama ocorre quando células anormais se multiplicam de forma desordenada, podendo formar um tumor maligno. É o câncer mais incidente entre as mulheres no Brasil, depois dos tumores de pele não melanoma, e também pode acometer homens, embora seja muito menos frequente nesse grupo.
Conhecer o próprio corpo, compreender os fatores que podem aumentar o risco e manter o acompanhamento de saúde adequado são medidas importantes. Isso não significa viver em alerta permanente, mas reconhecer alterações que merecem investigação e entender que diagnóstico precoce e rastreamento são estratégias diferentes e complementares.
Quais sinais nas mamas merecem atenção?
O nódulo, conhecido popularmente como caroço, é provavelmente o sinal mais associado ao câncer de mama. No entanto, não é a única alteração que deve ser observada.
Entre os sinais que merecem avaliação estão:
- nódulo endurecido, fixo ou que esteja aumentando de tamanho;
- saída espontânea de líquido de um dos mamilos, especialmente quando há sangue;
- retração ou mudança no formato do mamilo;
- alteração persistente na pele da mama;
- pele com aspecto semelhante à casca de laranja;
- aumento progressivo do tamanho de uma das mamas;
- nódulos ou caroços na região das axilas ou do pescoço.
Essas alterações não significam necessariamente câncer. Diversas condições benignas também podem provocar mudanças nas mamas. A orientação, porém, é não tentar determinar a causa apenas pela aparência ou pelo toque. Uma alteração suspeita precisa ser avaliada para que sua origem seja esclarecida.
Conhecer as próprias mamas é diferente de fazer autoexame
Durante muitos anos, o autoexame realizado de maneira sistemática, seguindo uma técnica e uma periodicidade fixa, foi divulgado como estratégia de detecção do câncer de mama. Atualmente, a orientação é diferente.
As evidências não demonstraram redução da mortalidade por câncer de mama com o autoexame sistemático. A recomendação atual valoriza a chamada conscientização sobre a saúde das mamas. Isso significa conhecer o próprio corpo e observar as mamas em situações cotidianas, sem obrigação de seguir uma técnica específica ou uma data fixa todos os meses.
O objetivo é perceber aquilo que foge do padrão habitual. Se surgir uma alteração nova ou persistente, a orientação é procurar avaliação médica.
Conhecer as mamas, portanto, não substitui os exames indicados pelos profissionais de saúde.
Quem apresenta maior risco de desenvolver câncer de mama?
Não existe uma causa única para o câncer de mama. O risco resulta da combinação de diferentes fatores, e possuir um ou mais deles não significa que uma pessoa necessariamente desenvolverá a doença.
A idade é um dos principais fatores. O risco aumenta especialmente a partir dos 50 anos. Aspectos relacionados à história reprodutiva e hormonal, determinadas alterações genéticas e o histórico familiar também podem estar associados.
Alguns fatores relacionados ao estilo de vida também podem contribuir para o aumento do risco, entre eles excesso de peso corporal, inatividade física e consumo de bebidas alcoólicas.
Há ainda pessoas com risco elevado devido a uma forte predisposição hereditária. Nesses casos, o acompanhamento deve ser individualizado, considerando a história pessoal e familiar.
É possível prevenir o câncer de mama?
Nem todos os fatores associados à doença podem ser modificados. Idade e predisposição genética, por exemplo, não dependem das escolhas individuais.
Ainda assim, determinadas medidas relacionadas ao estilo de vida podem contribuir para reduzir o risco. Entre elas estão: manter o peso corporal adequado, praticar atividade física regularmente, adotar uma alimentação equilibrada e evitar o consumo de bebidas alcoólicas.
É importante compreender o significado de prevenção nesse contexto. Hábitos saudáveis ajudam a reduzir riscos, mas não oferecem garantia absoluta contra o desenvolvimento do câncer. Por isso, prevenção, atenção aos sinais e acompanhamento adequado precisam caminhar juntos.
Mamografia: quando o exame é indicado?
Aqui existe uma distinção fundamental: mamografia de rastreamento não é a mesma coisa que investigação de uma alteração suspeita.
O rastreamento é realizado em pessoas sem sinais ou sintomas, com a finalidade de identificar alterações antes que se tornem clinicamente perceptíveis. Desde setembro de 2025, o Ministério da Saúde recomenda, como estratégia populacional de rotina, mamografia a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos.
Mulheres entre 40 e 49 anos e aquelas acima de 74 anos, mesmo sem sintomas, também podem acessar a mamografia de rastreamento no Sistema Único de Saúde (SUS) por demanda, após orientação profissional sobre riscos e benefícios. Pessoas com risco elevado devem passar por avaliação individualizada para definição da estratégia mais adequada.
A situação é diferente quando existe um sintoma suspeito. Nesse caso, não se deve esperar chegar à faixa etária do rastreamento ou aguardar o próximo exame de rotina. A investigação diagnóstica pode envolver avaliação clínica e exames de imagem indicados conforme cada situação.
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e Bem-Estar - HSP
Diagnóstico precoce pode mudar o caminho do cuidado
Perceber uma alteração na mama costuma gerar preocupação. Entretanto, adiar a avaliação por medo do diagnóstico pode atrasar justamente a investigação necessária para esclarecer o que está acontecendo.
A detecção precoce envolve duas estratégias. A primeira é o diagnóstico precoce de pessoas que já apresentam sinais ou sintomas. A segunda é o rastreamento de uma população sem sintomas, dentro das recomendações estabelecidas.
Essa diferença explica por que não existe uma única orientação válida para todas as pessoas. Idade, sintomas, histórico familiar, risco individual e resultados de avaliações anteriores precisam ser considerados.
Cuidar da saúde das mamas significa, portanto, combinar atenção ao próprio corpo com acompanhamento profissional e realização dos exames indicados para cada situação.
Considerações finais
O Dia Mundial de Combate ao Câncer de Mama é celebrado anualmente em 19 de outubro e amplia uma conversa que precisa continuar durante todo o ano. Conhecer as próprias mamas, adotar hábitos que contribuam para reduzir fatores de risco, realizar o rastreamento quando indicado e procurar avaliação diante de alterações suspeitas são partes de uma mesma estratégia de cuidado.
Essa atenção envolve diferentes pontos da rede de saúde, desde ações educativas e acompanhamento na Atenção Primária até investigação diagnóstica, tratamento e acompanhamento especializado quando necessários.
A Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) atua na gestão de serviços públicos de saúde em diferentes níveis de atenção, contribuindo para uma linha de cuidado que envolve prevenção, diagnóstico, assistência especializada e acompanhamento dos pacientes.
Fontes consultadas
BBC News Brasil. Câncer de mama: os sinais menos conhecidos da doença. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/geral-58976947
BBC News Brasil. Câncer de mama: os impactos da pandemia no diagnóstico e tratamento da doença no Brasil. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-54727088
Ministério da Saúde. Câncer de mama. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/c/cancer-de-mama
Instituto Nacional de Câncer. Câncer de mama: versão para população. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/tipos/mama/versao-para-populacao
Instituto Nacional de Câncer. Detecção precoce do câncer de mama. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/gestor-e-profissional-de-saude/controle-do-cancer-de-mama/acoes/deteccao-precoce
Instituto Nacional de Câncer. Prevenção do câncer de mama. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/gestor-e-profissional-de-saude/controle-do-cancer-de-mama/acoes/prevencao