Conheça os principais transtornos mentais: sintomas, diferenças e quando procurar ajuda

A saúde mental é parte fundamental da saúde e influencia a maneira como as pessoas lidam com emoções, relacionamentos, trabalho, estudos e acontecimentos cotidianos. Quando alterações do pensamento, do humor, da percepção ou do comportamento se tornam persistentes e provocam sofrimento significativo ou prejuízo à rotina, pode existir um transtorno mental que necessita de avaliação adequada.

Os transtornos mentais constituem um importante desafio de saúde pública. Em 2021, cerca de 1,1 bilhão de pessoas viviam com algum transtorno mental no mundo, o equivalente a quase uma em cada sete pessoas, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Entre os mais frequentes estão os transtornos de ansiedade e os transtornos depressivos.

Apesar da elevada ocorrência, reconhecer essas condições nem sempre é simples. Tristeza não significa necessariamente depressão, sentir ansiedade diante de uma situação difícil não caracteriza automaticamente um transtorno de ansiedade e mudanças de humor não são suficientes para diagnosticar transtorno bipolar.

Por isso, conhecer as características dos principais transtornos mentais pode contribuir para reconhecer sinais que merecem atenção, reduzir preconceitos e favorecer a busca por avaliação profissional.

A Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) considera a saúde mental parte do cuidado integral à população. A instituição atua na prevenção, assistência e promoção da saúde, considerando as diferentes necessidades que podem surgir ao longo da vida.

VEJA TAMBÉM: Estresse Pós-Traumático: sinais de alerta, impactos na saúde mental e caminhos para o tratamento

O que são transtornos mentais?

Os transtornos mentais são condições caracterizadas por alterações clinicamente significativas na cognição, na regulação das emoções ou no comportamento. Essas alterações geralmente estão associadas a sofrimento ou prejuízo em áreas importantes da vida, como relacionamentos, estudos, trabalho, autocuidado e participação social.

Existem diferentes tipos de transtornos mentais, com sintomas, duração, intensidade e formas de evolução distintas. Entre eles estão os transtornos de ansiedade, depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia e outras psicoses, transtornos alimentares, além de outras condições que podem comprometer a saúde mental e a funcionalidade.

O desenvolvimento de um transtorno mental não costuma depender de uma única causa. Fatores individuais, biológicos, familiares, sociais, econômicos e ambientais podem interagir de diferentes maneiras ao longo da vida. Situações como exposição à violência, desigualdade e outras adversidades sociais podem aumentar a vulnerabilidade, mas nenhum desses fatores determina isoladamente que uma pessoa desenvolverá um transtorno mental.

Transtorno mental é diferente de sofrimento emocional?

Sim. Essa diferença é fundamental para evitar tanto a banalização dos transtornos mentais quanto a patologização de emoções naturais.

Tristeza após uma perda, ansiedade antes de uma decisão importante, medo diante de uma ameaça e alterações temporárias do humor fazem parte da experiência humana. Ter essas emoções não significa necessariamente apresentar um transtorno mental.

A saúde mental, inclusive, é um conceito mais amplo do que a ausência de doenças. A OPAS define saúde mental como um estado que permite às pessoas enfrentar momentos de estresse, desenvolver suas habilidades, aprender, trabalhar e participar da comunidade. A experiência de saúde mental varia entre os indivíduos e pode envolver diferentes níveis de dificuldade e sofrimento.

Nos transtornos mentais, as alterações apresentam características clínicas específicas e podem provocar sofrimento significativo ou comprometer o funcionamento da pessoa. Para diferenciá-las, os profissionais consideram fatores como intensidade, duração, frequência, contexto dos sintomas e impacto sobre a vida cotidiana.

Por esse motivo, identificar um sintoma isolado na internet não é suficiente para estabelecer um diagnóstico.

VEJA TAMBÉM: Esquizofrenia: entender os sinais e a importância do diagnóstico precoce

Quais são os transtornos mentais mais comuns?

Existem diversos transtornos mentais e diferentes classificações diagnósticas. Em escala global, os transtornos de ansiedade e os transtornos depressivos estão entre os mais frequentes. Além deles, existem condições importantes como transtorno bipolar, esquizofrenia, transtorno de estresse pós-traumático, dependência química e transtornos alimentares, que apresentam manifestações e necessidades de acompanhamento próprias.

Conhecer algumas dessas diferenças ajuda a compreender por que sintomas aparentemente semelhantes não devem ser interpretados isoladamente.

Transtornos de ansiedade

Sentir ansiedade em determinadas situações é uma reação normal do organismo. Ela pode aparecer diante de uma prova, entrevista de emprego, problema familiar, decisão importante ou situação de perigo.

Nos transtornos de ansiedade, entretanto, o medo e a preocupação tornam-se excessivos e podem provocar sofrimento significativo ou prejuízo ao funcionamento cotidiano.

Existem diferentes transtornos dentro desse grupo, incluindo transtorno de ansiedade generalizada, transtorno do pânico, transtorno de ansiedade social e outros quadros.

Dependendo da condição, podem ocorrer manifestações como:

  • preocupação excessiva e difícil de controlar;
  • medo intenso ou persistente;
  • sensação de apreensão frequente;
  • dificuldade de concentração;
  • alterações do sono;
  • sintomas físicos associados à ansiedade;
  • evitação de situações que despertam medo ou desconforto.

Os sintomas variam conforme o tipo de transtorno e não aparecem necessariamente da mesma maneira em todas as pessoas.

Um ponto essencial é observar o impacto. Quando ansiedade e medo passam a limitar atividades, relacionamentos, estudos, trabalho ou outras áreas importantes da vida, a avaliação profissional torna-se necessária.

Depressão

A depressão é um transtorno mental frequente, mas não deve ser confundida com momentos passageiros de tristeza.

Durante um episódio depressivo, podem ocorrer humor deprimido, sensação de vazio ou irritabilidade e perda de interesse ou prazer em atividades. Essas manifestações persistem durante a maior parte do dia, quase todos os dias, por um período prolongado, acompanhadas de outros sintomas.

Entre as manifestações possíveis, estão:

  • perda de interesse ou prazer;
  • alterações do sono;
  • mudanças no apetite ou no peso;
  • cansaço ou redução da energia;
  • dificuldade de concentração;
  • sentimentos excessivos de culpa ou desvalorização;
  • desesperança;
  • pensamentos relacionados à morte ou ao suicídio.

A intensidade e a combinação dos sintomas variam entre as pessoas. A condição pode comprometer atividades profissionais, acadêmicas, familiares e sociais.

Em um estudo brasileiro publicado em 2023 com 525 usuários adultos e idosos de 35 Unidades Básicas de Saúde de Pelotas, a depressão foi o transtorno mais relatado entre os participantes que informaram diagnóstico de transtorno mental. Os próprios autores destacam limitações metodológicas que impedem generalizar essa prevalência para toda a população brasileira, mas o resultado demonstra a presença relevante dos problemas de saúde mental no contexto da Atenção Primária.

Dependência Química

Também merecem atenção os transtornos relacionados ao uso de álcool e outras drogas, que podem provocar prejuízos importantes à saúde física e mental, aos relacionamentos e ao funcionamento cotidiano.

A dependência química é uma condição relacionada ao uso de substâncias psicoativas na qual o consumo passa a assumir um papel central na vida da pessoa, podendo envolver dificuldade de controlar o uso, forte desejo de consumir a substância e manutenção do comportamento apesar das consequências negativas. Dependendo do caso, também podem ocorrer tolerância, caracterizada pela necessidade de quantidades maiores para obter determinados efeitos, e sintomas de abstinência quando o consumo é reduzido ou interrompido. Nem toda pessoa que utiliza álcool ou outras drogas desenvolve dependência, e a avaliação deve considerar o padrão de consumo e seus impactos sobre a saúde e a vida cotidiana.

Em 2021, estima-se que 17,7 milhões de pessoas viviam com transtornos por uso de drogas na Região das Américas, segundo dados da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Esses transtornos estão associados a uma importante carga de mortalidade e incapacidade e representam um desafio para a saúde pública.

Transtorno bipolar

O transtorno bipolar apresenta características diferentes das oscilações comuns de humor.

A condição envolve episódios de alteração do humor, incluindo períodos com sintomas de mania e episódios depressivos. Durante episódios de mania, podem ocorrer elevação ou irritabilidade do humor, aumento importante da energia ou da atividade e outras alterações características.

Entre as manifestações que podem surgir nos episódios de mania, estão:

  • aumento incomum de energia ou atividade;
  • necessidade reduzida de sono;
  • fala mais acelerada;
  • pensamentos acelerados;
  • autoestima aumentada;
  • maior distraibilidade;
  • comportamentos impulsivos ou de risco.

Essa diferença é importante porque uma pessoa apresentar mudanças de humor ao longo de um dia ou de uma semana não significa que tenha transtorno bipolar.

O diagnóstico depende da avaliação das características dos episódios, intensidade, duração, prejuízo funcional e histórico clínico. Por isso, utilizar expressões como "estou bipolar" para descrever mudanças comuns de humor contribui para uma compreensão equivocada da condição.

VEJA TAMBÉM: O impacto da depressão no cérebro

Esquizofrenia

A esquizofrenia é um transtorno mental que pode provocar alterações importantes na percepção da realidade, no pensamento, no comportamento e no funcionamento cognitivo.

Segundo a OMS, aproximadamente 23 milhões de pessoas vivem com esquizofrenia no mundo. Entre suas possíveis manifestações estão delírios persistentes, alucinações, pensamento desorganizado, comportamento muito desorganizado e alterações cognitivas.

É importante destacar que a esquizofrenia não significa "dupla personalidade" ou "personalidade dividida". Essa associação é incorreta e contribui para o estigma enfrentado pelas pessoas que convivem com o transtorno.

Os sintomas podem variar consideravelmente entre indivíduos e ao longo da evolução clínica. O impacto também pode atingir relacionamentos, estudos, trabalho, autocuidado e participação social.

O acompanhamento adequado pode envolver diferentes estratégias de cuidado e suporte psicossocial, definidas conforme as necessidades de cada pessoa.

Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT)

O transtorno de estresse pós-traumático pode se desenvolver após a exposição a uma situação extremamente ameaçadora ou traumática. Nem toda pessoa que vivencia um trauma desenvolverá o transtorno, já que diferentes fatores individuais e contextuais influenciam a resposta emocional a esses acontecimentos.

Entre as manifestações que podem ocorrer, estão:

  • lembranças intrusivas ou recorrentes relacionadas ao acontecimento;
  • pesadelos relacionados à experiência traumática;
  • tentativa de evitar situações, lugares ou pensamentos associados ao trauma;
  • sensação persistente de ameaça;
  • estado de alerta aumentado;
  • alterações emocionais e comportamentais que interferem na rotina.

Para caracterizar o transtorno, os sintomas precisam atender a critérios clínicos específicos, incluindo persistência e impacto significativo sobre o funcionamento da pessoa. Por isso, apresentar medo, tristeza ou ansiedade após uma experiência traumática não significa, isoladamente, que exista um transtorno de estresse pós-traumático.

Transtornos alimentares

Os transtornos alimentares são condições de saúde mental caracterizadas por alterações persistentes relacionadas à alimentação e, dependendo do quadro, preocupações com peso, forma corporal e comportamentos associados.

Entre os transtornos desse grupo, estão: anorexia nervosa, bulimia nervosa e transtorno de compulsão alimentar. Cada condição possui critérios diagnósticos e manifestações próprias.

Alguns sinais que podem indicar a necessidade de avaliação incluem:

  • preocupação intensa e persistente com alimentação, peso ou imagem corporal;
  • restrições alimentares importantes;
  • episódios recorrentes de ingestão de grande quantidade de alimentos acompanhados de sensação de perda de controle;
  • comportamentos compensatórios inadequados;
  • mudanças alimentares que provocam prejuízos físicos, emocionais ou sociais.

Os transtornos alimentares não devem ser interpretados como uma questão de escolha, vaidade ou falta de força de vontade. São condições complexas que podem comprometer tanto a saúde mental quanto a saúde física e exigem avaliação adequada.

Por que os sintomas dos transtornos mentais podem ser confundidos?

Ansiedade, alterações do sono, dificuldade de concentração, irritabilidade, cansaço e mudanças no comportamento podem aparecer em diferentes condições de saúde mental. Alguns desses sintomas também podem ocorrer diante de problemas físicos, situações de estresse ou acontecimentos difíceis da vida.

Isso significa que um mesmo sintoma pode ter significados clínicos diferentes.

A dificuldade para dormir, por exemplo, pode estar presente em transtornos de ansiedade e depressivos, mas também pode ocorrer por diversos outros motivos. Da mesma maneira, irritabilidade não caracteriza isoladamente transtorno bipolar, assim como tristeza não estabelece diagnóstico de depressão.

Essa sobreposição explica por que o diagnóstico não deve ser feito apenas a partir de listas de sintomas. A avaliação considera o conjunto das manifestações, sua duração, intensidade, evolução, contexto e impacto sobre o funcionamento cotidiano.

No Brasil, a Atenção Primária à Saúde também possui papel importante na identificação e no acompanhamento das necessidades relacionadas à saúde mental. O estudo publicado nos Cadernos Saúde Coletiva destaca o acolhimento e a construção de vínculo como elementos relevantes para o cuidado de usuários com transtornos mentais no contexto da Atenção Primária e do Sistema Único de Saúde (SUS).

Como diferenciar os transtornos mentais?

Não existe um único exame capaz de diferenciar todos os transtornos mentais. O diagnóstico é realizado a partir de avaliação clínica, considerando os sintomas apresentados, sua duração e intensidade, o histórico da pessoa e o impacto sobre diferentes áreas da vida.

Essa avaliação é especialmente importante porque diferentes condições podem compartilhar manifestações semelhantes.

Uma pessoa com dificuldade de concentração, por exemplo, pode estar vivenciando sintomas relacionados à ansiedade, depressão, alterações do sono ou outras condições. Da mesma forma, mudanças de humor podem ocorrer em diferentes contextos e não caracterizam, por si só, transtorno bipolar.

Também é necessário considerar a possibilidade de condições físicas contribuírem para determinados sintomas. Por isso, a investigação deve ser individualizada e não baseada exclusivamente em questionários encontrados na internet ou na identificação pessoal com relatos de outras pessoas.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico de um transtorno mental envolve uma avaliação ampla da saúde, dos sintomas e do contexto de vida da pessoa. O médico psiquiatra tem papel central na avaliação diagnóstica, considerando também possíveis condições clínicas que possam estar relacionadas às manifestações apresentadas. O psicólogo também pode participar do processo de avaliação psicológica, investigando aspectos emocionais, cognitivos e comportamentais e contribuindo para a compreensão do quadro e para o planejamento do cuidado.

Além das manifestações atuais, esses profissionais podem investigar quando os sintomas começaram, como evoluíram e quanto interferem na rotina. Dependendo do caso, são considerados aspectos como:

  • características e duração dos sintomas;
  • intensidade e frequência das manifestações;
  • histórico de saúde física e mental;
  • alterações recentes no comportamento e na rotina;
  • impacto sobre trabalho, estudos, relacionamentos e autocuidado;
  • acontecimentos relevantes e condições sociais;
  • histórico familiar, quando pertinente.

Avaliações complementares podem ser necessárias para investigar outras condições capazes de produzir ou contribuir para determinados sintomas. Conforme o quadro, outros profissionais de saúde também podem participar da investigação e do acompanhamento.

Uma avaliação adequada é importante porque manifestações semelhantes podem estar presentes em diferentes transtornos ou mesmo relacionadas a outras condições de saúde. Identificar corretamente o quadro permite definir as estratégias de cuidado e tratamento mais apropriadas às necessidades de cada pessoa.

Como é definido o tratamento dos transtornos mentais?

A definição do tratamento considera o diagnóstico, o tipo e a intensidade dos sintomas, o impacto na vida cotidiana, as condições de saúde associadas, o contexto familiar e social e as necessidades de cada paciente. A partir dessa avaliação, é definida a estratégia terapêutica mais adequada para cada pessoa.   

O plano de cuidado pode envolver psicoterapia, acompanhamento com médico psiquiatra, intervenções psicossociais, orientações relacionadas ao estilo de vida e outras estratégias terapêuticas. Dependendo do quadro e de sua complexidade, psicólogos, psiquiatras e outros profissionais de saúde podem atuar de forma integrada. O tratamento também pode ser revisto ao longo do tempo conforme a evolução dos sintomas e a resposta às intervenções propostas.

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) destaca que existem opções eficazes de prevenção e tratamento para diferentes transtornos mentais, embora dificuldades de acesso aos cuidados em saúde mental ainda estejam presentes em diferentes partes do mundo.

Além de reduzir ou controlar sintomas, o tratamento busca favorecer a funcionalidade e o bem-estar da pessoa. Conforme cada caso, os objetivos podem incluir preservar ou recuperar a autonomia, melhorar a qualidade de vida, fortalecer vínculos, retomar atividades cotidianas e ampliar a participação social.

Por isso, a definição do tratamento deve partir de uma avaliação individualizada e ser acompanhada ao longo do tempo. Mudanças importantes nos sintomas, novas necessidades ou dificuldades durante o cuidado podem exigir ajustes na estratégia terapêutica.

Quando procurar ajuda profissional?

Não é necessário esperar que os sintomas atinjam intensidade extrema. Mudanças emocionais e comportamentais persistentes que começam a comprometer a rotina merecem atenção.

A avaliação profissional deve ser considerada especialmente quando houver:

  • sofrimento emocional intenso ou persistente;
  • mudanças importantes no sono, apetite ou comportamento;
  • ansiedade ou medo que dificultem atividades habituais;
  • perda persistente de interesse ou prazer;
  • dificuldade crescente para trabalhar, estudar ou cuidar de si;
  • isolamento social significativo;
  • alterações importantes da percepção, pensamento ou comportamento;
  • pensamentos de morte, suicídio ou comportamentos que coloquem a própria segurança em risco.

Diante de risco imediato para a própria vida ou para outras pessoas, a situação requer atendimento de urgência em um serviço de saúde.

Buscar avaliação não significa necessariamente receber um diagnóstico de transtorno mental. O objetivo inicial é compreender o que está acontecendo e identificar a necessidade de cuidado.

O papel da Atenção Primária no cuidado em saúde mental

A saúde mental faz parte do cuidado integral oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e a Atenção Primária ocupa posição importante na identificação de necessidades, no acolhimento e na continuidade da assistência.

O estudo publicado nos Cadernos Saúde Coletiva, realizado com usuários de 35 Unidades Básicas de Saúde de Pelotas, identificou associação entre transtornos mentais relatados e diferentes características sociodemográficas e de saúde. Os autores também destacam a importância do vínculo entre profissionais e usuários para o cuidado em saúde mental na Atenção Primária.

Esse aspecto é relevante porque o cuidado não deve se limitar ao diagnóstico. Condições sociais, vínculos familiares, saúde física, autonomia e participação na comunidade também podem influenciar a saúde mental e precisam ser considerados conforme as necessidades de cada pessoa.

Considerações finais

Os transtornos mentais abrangem condições diferentes entre si. Ansiedade, depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia, transtorno de estresse pós-traumático, transtornos alimentares e transtornos relacionados ao uso de álcool e outras drogas possuem características próprias e não podem ser identificados apenas pela presença isolada de um ou dois sintomas.

Observar a persistência, a intensidade e o impacto das alterações na vida cotidiana é fundamental. Ao mesmo tempo, a avaliação deve ser realizada por profissionais capacitados. O médico psiquiatra tem papel importante no diagnóstico e na definição do tratamento, enquanto o psicólogo atua na avaliação psicológica e no acompanhamento das questões emocionais, cognitivas e comportamentais. Conforme as necessidades de cada pessoa, outros profissionais também podem integrar o cuidado.

A Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) reconhece a saúde mental como parte essencial do cuidado integral à saúde. Por meio de sua Rede de Psiquiatria, a instituição atua na assistência a pessoas com diferentes necessidades em saúde mental, contando com equipes multiprofissionais que incluem médicos psiquiatras, psicólogos e profissionais de outras áreas, de acordo com o perfil de cada serviço e as necessidades dos pacientes.

Com mais de 90 anos de história dedicados à promoção da vida, a SPDM reforça a importância do acesso à informação confiável, da identificação adequada dos sinais de sofrimento psíquico e do acompanhamento profissional, contribuindo para um cuidado em saúde mental baseado nas necessidades de cada pessoa e integrado à rede de atenção à saúde.

 

Fontes Consultadas

Organização Pan Americana da Saúde. Transtornos mentais. Conteúdo institucional sobre características, impacto e cuidado relacionado aos transtornos mentais.
OPAS: Transtornos mentais

Organização Mundial da Saúde. Mental disorders. 2025. Informações epidemiológicas e clínicas atualizadas sobre os principais transtornos mentais.
OMS: Mental disorders

Cadernos Saúde Coletiva. Prevalência de transtornos mentais e fatores associados em usuários da Atenção Primária. 2023. Estudo brasileiro sobre transtornos mentais entre usuários de Unidades Básicas de Saúde e fatores associados.
SciELO: estudo sobre transtornos mentais na Atenção Primária

Organização Mundial da Saúde (OMS). Mental disorders. 2025.
A fonte informa que, em 2021, aproximadamente 1,1 bilhão de pessoas viviam com algum transtorno mental no mundo e que 16 milhões apresentavam transtornos alimentares.
Organização Mundial da Saúde

Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Transtornos por uso de drogas são uma preocupação crescente de saúde pública nas Américas, aponta estudo da OPAS. 2026. Segundo a publicação, em 2021, cerca de 17,7 milhões de pessoas nas Américas viviam com transtornos por uso de drogas, com quase 78 mil mortes diretamente atribuíveis a essas condições.
Organização Pan-Americana da Saúde

Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). The rising burden of drug use disorders in the Americas, 2000–2021. 2026. Estudo que analisa a carga dos transtornos relacionados ao uso de substâncias psicoativas em 38 países da Região das Américas, utilizando estimativas do Global Burden of Disease Study 2021.
Organização Pan-Americana da Saúde

 

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