O que é a embolia pulmonar?
A embolia pulmonar é uma condição grave que ocorre quando um coágulo sanguíneo bloqueia uma ou mais artérias dos pulmões, dificultando a circulação do sangue e comprometendo a oxigenação do organismo. Na maioria dos casos, esse coágulo se forma inicialmente nas veias profundas das pernas ou da pelve, caracterizando a trombose venosa profunda, e posteriormente se desloca até os pulmões.
A gravidade da embolia pulmonar depende do tamanho do coágulo, da quantidade de vasos acometidos e das condições clínicas do paciente. Em situações mais extensas, a doença pode provocar insuficiência respiratória, sobrecarga do coração e representar risco à vida, tornando o diagnóstico e o tratamento precoces fundamentais.
A Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) atua na promoção da saúde, na prevenção de doenças e na assistência integral aos pacientes por meio de hospitais, ambulatórios e unidades de saúde vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Como acontece a embolia pulmonar?
Na maior parte das vezes, a embolia pulmonar é consequência de uma trombose venosa profunda. O processo ocorre quando um coágulo se forma em uma veia profunda, geralmente dos membros inferiores. Se parte desse coágulo se desprender, ele pode viajar pela corrente sanguínea até alcançar as artérias pulmonares, causando sua obstrução.
Essa obstrução da circulação dificulta as trocas gasosas realizadas pelos pulmões e pode reduzir a quantidade de oxigênio disponível para os tecidos do organismo. Dependendo da extensão da obstrução, o quadro pode variar desde sintomas leves até uma emergência médica.
Quais são as principais causas?
A embolia pulmonar está diretamente relacionada à formação de coágulos nas veias profundas. Diversas situações favorecem esse processo, principalmente aquelas que reduzem a circulação sanguínea ou aumentam a tendência do sangue à coagulação.
Entre as principais causas, estão:
- trombose venosa profunda;
- longos períodos de imobilização;
- internações hospitalares prolongadas;
- cirurgias de grande porte;
- traumas;
- algumas doenças que aumentam o risco de formação de coágulos.
Nos últimos anos, a prevenção da trombose venosa profunda e da embolia pulmonar passou a receber ainda mais atenção. Em 2026, foi sancionada uma lei que determina que hospitais públicos e privados com serviços de internação mantenham estruturas voltadas à prevenção do tromboembolismo venoso, incluindo a avaliação sistemática do risco de trombose e embolia pulmonar em pacientes internados.
Quem apresenta maior risco?
Embora qualquer pessoa possa desenvolver embolia pulmonar, alguns fatores aumentam significativamente essa possibilidade.
Entre eles, destacam-se:
- idade avançada;
- internação hospitalar;
- permanência prolongada no leito;
- cirurgias recentes;
- histórico de trombose venosa profunda ou embolia pulmonar;
- câncer;
- gestação e puerpério;
- obesidade;
- tabagismo;
- uso prolongado de terapias hormonais, quando indicado pelo médico;
- doenças hereditárias relacionadas à coagulação do sangue.
A presença desses fatores não significa que a embolia pulmonar irá ocorrer, mas indica a necessidade de avaliação individualizada e, quando apropriado, adoção de medidas preventivas durante internações ou outras situações de risco.
VEJA TAMBÉM: Embolia pulmonar: sintomas, diagnóstico, tratamento e prevenção
Quais são os sintomas da embolia pulmonar?
Os sintomas podem surgir de forma súbita e variam conforme a extensão da obstrução das artérias pulmonares. Em alguns casos, o quadro é discreto, enquanto em outros a embolia pulmonar representa uma emergência médica.
Os sinais e sintomas mais frequentes, incluem:
- falta de ar de início súbito;
- dor no peito, especialmente ao respirar profundamente;
- respiração acelerada;
- aumento da frequência cardíaca;
- tosse, que pode estar acompanhada de sangue em alguns casos;
- tontura ou sensação de desmaio;
- suor intenso;
- ansiedade associada ao desconforto respiratório.
Quando a embolia pulmonar está relacionada à trombose venosa profunda, também podem estar presentes sinais nas pernas, como:
- dor;
- inchaço;
- sensação de calor;
- vermelhidão em apenas um dos membros inferiores.
Quando procurar atendimento imediatamente?
A embolia pulmonar é uma condição potencialmente fatal e exige avaliação médica urgente sempre que houver suspeita.
É fundamental procurar imediatamente um serviço de saúde diante de:
- falta de ar intensa e de início repentino;
- dor forte no peito sem causa conhecida;
- desmaio ou perda de consciência;
- tosse com sangue;
- dificuldade importante para respirar associada a dor ou inchaço em uma das pernas.
O diagnóstico e o tratamento precoces são determinantes para reduzir o risco de complicações e aumentar as chances de recuperação.
Como é feito o diagnóstico da embolia pulmonar?
A embolia pulmonar é uma emergência médica que exige diagnóstico rápido para reduzir o risco de complicações. A avaliação começa pela análise dos sintomas, do histórico clínico e da presença de fatores de risco, como cirurgia recente, internação prolongada, imobilização, trombose venosa profunda ou câncer.
Quando há suspeita clínica, o médico pode solicitar exames laboratoriais e de imagem para confirmar o diagnóstico e avaliar a extensão da obstrução das artérias pulmonares. Entre os exames mais utilizados estão a angiotomografia das artérias pulmonares, considerada um dos principais métodos diagnósticos, além de ultrassonografia dos membros inferiores quando há suspeita de trombose venosa profunda, exames de sangue e avaliação da oxigenação. O conjunto dessas informações permite definir rapidamente a conduta mais adequada para cada paciente.
O diagnóstico precoce é essencial porque a embolia pulmonar pode evoluir rapidamente quando não tratada. Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de recuperação e menor o risco de sequelas.
Como é o tratamento da embolia pulmonar?
O tratamento depende da gravidade da embolia pulmonar, da estabilidade clínica do paciente e da extensão do comprometimento pulmonar. O objetivo principal é impedir o crescimento do coágulo, evitar a formação de novos trombos e restabelecer a circulação sanguínea nos pulmões.
Nos casos mais graves, o atendimento deve ser iniciado imediatamente em ambiente hospitalar, onde o paciente recebe monitoramento contínuo e suporte clínico. Em situações menos graves, o acompanhamento também deve ser realizado de forma individualizada, sempre conforme avaliação médica.
Após a fase aguda, muitos pacientes necessitam de acompanhamento periódico para monitorar a recuperação, identificar possíveis complicações e reduzir o risco de novos episódios.
Como prevenir a embolia pulmonar?
Grande parte dos casos de embolia pulmonar pode ser evitada por meio da prevenção da trombose venosa profunda. A identificação precoce dos fatores de risco e a adoção de medidas preventivas são especialmente importantes durante internações hospitalares, após cirurgias e em pessoas com mobilidade reduzida.
Entre as principais medidas preventivas, estão:
- estimular a movimentação precoce após cirurgias e internações;
- evitar permanecer longos períodos sentado ou deitado sem movimentar as pernas;
- manter acompanhamento médico em situações de maior risco;
- controlar doenças crônicas que aumentam o risco de trombose;
- manter hábitos de vida saudáveis;
- seguir corretamente as orientações da equipe de saúde durante a internação.
A prevenção é considerada uma das estratégias mais eficazes para reduzir a ocorrência da embolia pulmonar, principalmente entre pacientes hospitalizados.
A importância da prevenção durante a internação hospitalar
A prevenção do tromboembolismo venoso ganhou ainda mais relevância com a publicação da Lei nº 15.448/2026, que determina que hospitais públicos, privados e demais unidades com serviços de internação mantenham uma estrutura voltada para ações profiláticas relacionadas ao tromboembolismo venoso.
Na prática, isso significa que os pacientes internados devem passar por uma avaliação sistemática do risco de desenvolver trombose venosa profunda e embolia pulmonar, permitindo que medidas preventivas sejam adotadas de acordo com as diretrizes médicas e as características clínicas de cada pessoa. A legislação reforça uma prática já recomendada pelas diretrizes assistenciais e fortalece a cultura de segurança do paciente nos serviços de saúde.
Trombose venosa profunda e embolia pulmonar: qual é a diferença?
| Característica | Trombose venosa profunda | Embolia pulmonar |
| Local de ocorrência | Veias profundas, principalmente das pernas | Artérias dos pulmões |
| O que acontece | Formação de um coágulo na veia | Deslocamento do coágulo até os pulmões |
| Sintomas mais comuns | Dor, inchaço, calor e vermelhidão em uma das pernas | Falta de ar súbita, dor no peito, tosse e dificuldade para respirar |
| Gravidade | Pode evoluir para embolia pulmonar se não for tratada | É uma condição potencialmente fatal e requer atendimento imediato |
Perguntas frequentes sobre embolia pulmonar
Toda trombose causa embolia pulmonar?
Não. Nem toda trombose venosa profunda evolui para embolia pulmonar. Entretanto, quando o coágulo se desprende e alcança as artérias pulmonares, a embolia pode ocorrer. Por isso, o diagnóstico e o tratamento precoces da trombose são fundamentais.
A embolia pulmonar sempre apresenta sintomas intensos?
Não. Algumas pessoas apresentam sintomas discretos, enquanto outras desenvolvem falta de ar intensa e dor no peito de forma súbita. A intensidade depende da extensão da obstrução e das condições clínicas do paciente.
É possível prevenir a embolia pulmonar?
Sim. A prevenção envolve identificar fatores de risco, estimular a mobilização precoce durante internações, seguir as orientações médicas e adotar medidas preventivas quando indicadas.
Quem já teve embolia pulmonar pode voltar a apresentar a doença?
Pode. O risco de recorrência depende da causa do primeiro episódio e de outros fatores individuais. Por isso, o acompanhamento médico é importante mesmo após a recuperação clínica
O papel da SPDM no cuidado aos pacientes com embolia pulmonar
O atendimento à embolia pulmonar exige rapidez, integração entre diferentes especialidades e acompanhamento contínuo para reduzir o risco de complicações e recorrências. Nesse contexto, a SPDM atua na promoção do cuidado integral por meio de hospitais, ambulatórios e unidades de saúde vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS), oferecendo assistência baseada em protocolos clínicos, diagnóstico oportuno e atuação multiprofissional.
O cuidado ao paciente não se limita ao tratamento da fase aguda. Após a estabilização clínica, o acompanhamento médico periódico é fundamental para avaliar a recuperação, monitorar fatores de risco, orientar medidas preventivas e incentivar hábitos de vida que contribuam para reduzir a ocorrência de novos episódios. A integração entre diferentes profissionais de saúde permite que o cuidado seja individualizado e adequado às necessidades de cada paciente.
Como ter acesso ao atendimento especializado pelo SUS?
Pessoas com suspeita de embolia pulmonar devem procurar atendimento imediatamente, pois a doença pode evoluir rapidamente e é considerada uma emergência médica.
Após o atendimento inicial e a estabilização do quadro, o acompanhamento ocorre conforme a necessidade clínica de cada paciente. Na rede pública, o acesso aos serviços especializados administrados pela SPDM acontece por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).
Em geral, a porta de entrada é a Unidade Básica de Saúde (UBS), responsável pelo acompanhamento após a alta hospitalar, pela avaliação clínica e, quando necessário, pelo encaminhamento para consultas especializadas, exames complementares e ambulatórios de referência, conforme os fluxos estabelecidos pela Rede de Atenção à Saúde.
Nos casos de urgência ou emergência, o atendimento deve ser realizado imediatamente em unidades de pronto atendimento ou hospitais habilitados pelo SUS, permitindo o diagnóstico e o início rápido do tratamento.
Considerações finais
A embolia pulmonar é uma condição potencialmente grave, mas que pode ter melhores desfechos quando identificada precocemente e tratada de forma adequada. Conhecer os fatores de risco, reconhecer os sintomas e procurar atendimento imediato diante de sinais de alerta são medidas essenciais para reduzir complicações e preservar a vida.
Da mesma forma, a prevenção da trombose venosa profunda desempenha papel fundamental na redução dos casos de embolia pulmonar. A avaliação sistemática do risco de tromboembolismo durante internações hospitalares, o estímulo à mobilização precoce e a adoção de protocolos assistenciais fortalecem a segurança do paciente e contribuem para uma assistência mais qualificada. A recente legislação que tornou obrigatória a implantação de medidas de prevenção do tromboembolismo venoso em hospitais com internação reforça a importância dessas estratégias na prática assistencial.
Fontes consultadas
- Câmara dos Deputados. Comissão aprova prevenção obrigatória à trombose em hospitais com internação. Disponível em: https://www.camara.leg.br/noticias/1258050-COMISSAO-APROVA-PREVENCAO-OBRIGATORIA-A-TROMBOSE-EM-HOSPITAIS-COM-INTERNACAO
- Câmara dos Deputados. Nova lei fortalece medidas hospitalares de prevenção ao tromboembolismo. Disponível em: https://www.camara.leg.br/noticias/1286980-nova-lei-fortalece-medidas-hospitalares-de-prevencao-ao-tromboembolismo/
- Ministério da Saúde. Trombose: prevenção, fatores de risco e complicações. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/t/trombose
- PubMed. Revisões e diretrizes recentes sobre embolia pulmonar. (2021–2025). Disponível em: https://pmc-ncbi-nlm-nih-gov.translate.goog/articles/PMC7284001/?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt&_x_tr_hl=pt&_x_tr_pto=tc