Esquecimentos frequentes são normais ou motivo de preocupação?

Esquecer onde deixou as chaves, entrar em um cômodo e não lembrar por que foi até lá ou demorar alguns segundos para recordar o nome de uma pessoa são situações comuns e que fazem parte da rotina de muitas pessoas. Esses lapsos, por si só, não significam necessariamente a presença de uma doença neurológica.

A memória é um processo complexo que depende da atenção, da qualidade do sono, do estado emocional e da capacidade do cérebro de registrar, armazenar e recuperar informações. Quando algum desses fatores é afetado, pequenas falhas podem se tornar mais frequentes, sem que isso represente, obrigatoriamente, um quadro de demência ou doença de Alzheimer.

Ao mesmo tempo, existem situações em que os esquecimentos deixam de ser esperados e passam a comprometer a autonomia e as atividades do dia a dia. Nesses casos, a avaliação médica é fundamental para identificar a causa e iniciar o acompanhamento adequado o mais precocemente possível.

A Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) atua na promoção da saúde, na prevenção de doenças e no cuidado integral da população. A instituição reforça a importância do diagnóstico precoce das alterações cognitivas e da adoção de hábitos que favoreçam a saúde cerebral ao longo de toda a vida.

Como a memória funciona?

A memória não funciona como um arquivo em que todas as informações ficam armazenadas de maneira permanente e facilmente acessível. Para que uma lembrança seja formada, o cérebro precisa percorrer diferentes etapas, que incluem a atenção, o registro da informação, seu armazenamento e, posteriormente, sua recuperação.

Isso significa que nem todo esquecimento acontece porque uma informação foi "apagada". Em muitos casos, ela sequer foi registrada adequadamente porque a atenção estava dividida entre diversas tarefas, havia excesso de estímulos ou a pessoa estava cansada ou estressada.

Especialistas destacam que fatores como ansiedade, privação de sono, sobrecarga mental e algumas condições clínicas podem prejudicar temporariamente o desempenho da memória, tornando os lapsos mais frequentes mesmo em pessoas jovens.

Esquecimentos frequentes podem ser normais?

Sim. Pequenos esquecimentos fazem parte do funcionamento normal do cérebro e tendem a ocorrer em diferentes fases da vida.

É relativamente comum, por exemplo:

  • esquecer temporariamente nomes de pessoas ou palavras específicas;
  • não lembrar onde colocou um objeto, mas conseguir encontrá-lo depois ao refazer os passos;
  • entrar em um ambiente e esquecer momentaneamente o que pretendia fazer;
  • precisar consultar uma agenda para lembrar um compromisso;
  • demorar alguns instantes para recuperar uma informação conhecida.

Esses episódios costumam ser ocasionais e não comprometem a capacidade de trabalhar, estudar, administrar a própria rotina ou manter a independência.

Além disso, esquecer faz parte do funcionamento saudável da memória. O cérebro seleciona continuamente quais informações devem ser mantidas e quais podem ser descartadas, evitando uma sobrecarga de dados irrelevantes. A capacidade de esquecer determinados detalhes também contribui para que novas informações sejam aprendidas e organizadas de maneira mais eficiente.

Quando os esquecimentos deixam de ser esperados?

O principal sinal de alerta não é simplesmente esquecer, mas perceber que os esquecimentos se tornam progressivos e começam a interferir nas atividades habituais.

É importante procurar avaliação médica quando a pessoa passa a apresentar situações como:

  • repetir frequentemente as mesmas perguntas ou histórias sem perceber;
  • esquecer acontecimentos recentes de forma repetitiva;
  • perder-se em locais conhecidos;
  • apresentar dificuldade para administrar contas, compromissos ou tarefas antes realizadas com facilidade;
  • esquecer informações importantes relacionadas ao trabalho ou à rotina doméstica;
  • demonstrar alterações importantes de linguagem, raciocínio ou orientação;
  • apresentar mudanças de comportamento associadas aos problemas de memória.

Nessas situações, o esquecimento pode estar relacionado a diferentes condições clínicas. Embora a doença de Alzheimer seja uma das possibilidades, ela não é a única causa. Alterações do sono, depressão, ansiedade, deficiência de vitaminas, doenças da tireoide e outros problemas de saúde também podem provocar prejuízo cognitivo e precisam ser investigados.

Quais fatores podem prejudicar a memória sem estar relacionados ao Alzheimer?

Diversas condições podem afetar temporariamente a capacidade de concentração e de memorização, sem representar uma doença neurodegenerativa.

Entre as mais comuns, estão:

  • privação de sono;
  • estresse crônico;
  • ansiedade;
  • depressão;
  • excesso de informações e multitarefas;
  • sedentarismo;
  • isolamento social;
  • algumas doenças metabólicas e hormonais;
  • uso de determinados medicamentos, conforme avaliação médica.

Em muitos desses casos, tratar a causa subjacente e adotar hábitos saudáveis pode contribuir para melhorar o desempenho cognitivo e reduzir a frequência dos esquecimentos.

VEJA TAMBÉM: Doença de Alzheimer: aspectos clínicos, fisiopatologia e critérios diagnósticos

Esquecimento normal ou sinal de doença? Como diferenciar

Esquecer um compromisso ocasionalmente, demorar para lembrar um nome ou não recordar onde deixou um objeto não significa, necessariamente, que exista uma doença. Lapsos de memória podem ocorrer em qualquer fase da vida e se tornar mais perceptíveis em períodos de estresse, cansaço, privação de sono ou sobrecarga de informações.

O principal ponto de atenção não é um episódio isolado, mas a frequência, a progressão e o impacto dos esquecimentos na vida cotidiana. Quando as falhas de memória se tornam recorrentes, pioram com o tempo ou começam a comprometer atividades habituais e a autonomia, é importante buscar avaliação profissional.

O que diferencia um esquecimento esperado de uma condição que merece investigação é, principalmente, o impacto na vida cotidiana. Enquanto os esquecimentos normais costumam ser pontuais e a pessoa consegue recuperar posteriormente a informação ou encontrar soluções para a situação, as alterações cognitivas relacionadas às demências tendem a ser progressivas e comprometem a autonomia.

Na doença de Alzheimer, uma das alterações mais comuns nas fases iniciais envolve a memória de acontecimentos recentes. A pessoa pode repetir perguntas, esquecer conversas ou fatos ocorridos há pouco tempo e apresentar dificuldade para reter novas informações. Conforme a doença progride, podem surgir alterações em outras funções cognitivas, incluindo linguagem, capacidade de planejamento e orientação no tempo e no espaço.

Como proteger a memória ao longo da vida?

Embora o envelhecimento seja um processo natural, diversos estudos demonstram que hábitos saudáveis ajudam a preservar a saúde cerebral e reduzem fatores de risco associados ao declínio cognitivo.

Entre as principais recomendações, estão:

  • manter uma boa qualidade do sono;
  • praticar atividade física regularmente;
  • controlar pressão arterial, diabetes e colesterol;
  • manter alimentação equilibrada;
  • estimular continuamente o cérebro por meio de leitura, aprendizado e novas experiências;
  • preservar uma vida social ativa;
  • controlar o estresse;
  • evitar tabagismo e consumo excessivo de bebidas alcoólicas.

Estratégias como fazer associações, revisar conteúdos periodicamente e compreender o significado daquilo que está sendo aprendido favorecem a consolidação das lembranças.

Perguntas frequentes

O estresse e o cansaço podem aumentar os esquecimentos?

Sim. Períodos de estresse, privação de sono, cansaço e sobrecarga de informações podem prejudicar temporariamente a atenção e a capacidade de registrar novas informações, dando a sensação de que a memória está pior.

Ansiedade pode causar falhas de memória?

Sim. Ansiedade, estresse e privação de sono podem reduzir a atenção e dificultar o registro das informações, aumentando a frequência dos esquecimentos.

Toda pessoa idosa terá perda importante de memória?

Não. O envelhecimento pode tornar a recuperação de algumas informações um pouco mais lenta, mas a maioria das pessoas envelhece mantendo independência e boa capacidade cognitiva.

Quando os esquecimentos devem ser avaliados por um profissional?

A avaliação é recomendada quando as falhas de memória se tornam frequentes, apresentam piora progressiva ou começam a interferir na rotina e na autonomia, como dificuldade para administrar compromissos, realizar tarefas habituais ou se orientar em locais conhecidos.

Como ter acesso ao atendimento especializado pelo SUS?

Pessoas que apresentam esquecimentos frequentes, progressivos ou associados à perda de autonomia devem procurar inicialmente uma Unidade Básica de Saúde (UBS).

Após a avaliação clínica, a equipe de Atenção Primária poderá identificar possíveis causas para os sintomas, orientar os primeiros cuidados e, quando houver indicação, realizar o encaminhamento para consultas especializadas, exames complementares e ambulatórios de neurologia, geriatria ou outras especialidades, conforme os fluxos estabelecidos pela Rede de Atenção à Saúde.

Essa investigação é importante porque diferentes condições podem causar alterações de memória, muitas delas passíveis de tratamento ou controle quando identificadas precocemente. O acompanhamento contínuo também permite monitorar a evolução clínica e oferecer suporte ao paciente e à família quando necessário.

Considerações finais

Esquecer ocasionalmente onde deixou um objeto ou demorar alguns instantes para lembrar um nome pode fazer parte do funcionamento normal da memória. Entretanto, quando os esquecimentos passam a comprometer atividades rotineiras, interferem na autonomia ou se tornam progressivamente mais frequentes, é importante buscar avaliação médica.

Reconhecer precocemente os sinais de alerta permite investigar diferentes causas, muitas das quais podem ser tratadas ou controladas. Além disso, hábitos como manter uma boa qualidade do sono, praticar atividade física, controlar doenças crônicas, preservar a vida social e estimular continuamente o cérebro contribuem para a saúde cognitiva ao longo da vida.

A SPDM reafirma seu compromisso com a promoção da saúde cerebral, o diagnóstico precoce e o cuidado integral da população. Por meio de seus hospitais, ambulatórios e unidades de saúde vinculados ao SUS, a instituição contribui para que pacientes com alterações cognitivas tenham acesso à avaliação especializada, ao acompanhamento adequado e a orientações baseadas em evidências científicas.

Fontes consultadas

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