Quando procurar um oftalmologista? Situações que merecem avaliação especializada

A visão desempenha um papel essencial nas atividades do dia a dia. Ler, dirigir, trabalhar, estudar e reconhecer pessoas dependem do bom funcionamento dos olhos e das estruturas que compõem o sistema visual. Apesar disso, muitas pessoas só procuram um oftalmologista quando apresentam sintomas intensos ou percebem perda significativa da visão.

O Dia da Saúde Ocular, celebrado em 10 de julho, reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce das doenças oculares. Diversas alterações podem evoluir lentamente e, em alguns casos, causar danos irreversíveis antes mesmo do aparecimento de sintomas evidentes.

Além disso, o estilo de vida moderno trouxe novos desafios para a saúde dos olhos. O aumento do tempo diante de computadores, celulares e outros dispositivos eletrônicos tem contribuído para o crescimento de queixas como fadiga visual, sensação de olhos secos, visão embaçada e dores de cabeça.

A Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) destaca que cuidar da saúde ocular vai muito além da correção do grau dos óculos. Consultas periódicas e avaliação especializada permitem identificar precocemente doenças que podem comprometer a visão e orientar medidas para preservar a qualidade visual ao longo da vida.

Quando procurar um oftalmologista?

Embora a consulta oftalmológica seja frequentemente associada à necessidade de trocar os óculos, esse especialista é responsável pela prevenção, diagnóstico, tratamento e acompanhamento de diversas doenças que afetam os olhos e a visão.

Algumas alterações surgem de forma aguda, enquanto outras evoluem lentamente e passam despercebidas por longos períodos. Por isso, não é necessário esperar que a visão esteja muito comprometida para procurar atendimento.

A avaliação oftalmológica é recomendada sempre que surgirem sintomas persistentes ou mudanças na qualidade da visão, especialmente quando começam a interferir nas atividades cotidianas.

Entre os sinais que merecem atenção, estão:

  • visão embaçada ou dificuldade para focalizar objetos;
  • sensação frequente de olhos secos ou ardência;
  • dores de cabeça associadas ao esforço visual;
  • vermelhidão persistente;
  • sensibilidade excessiva à luz;
  • aparecimento de manchas ou pontos escuros no campo visual;
  • perda parcial ou súbita da visão;
  • dor ocular intensa;
  • dificuldade para enxergar durante a noite.

Além da investigação de sintomas, os exames oftalmológicos preventivos são importantes mesmo para pessoas sem queixas, especialmente na presença de fatores de risco, como diabetes, hipertensão arterial, histórico familiar de glaucoma ou idade mais avançada.

Visão embaçada, olhos secos e dores de cabeça: o que esses sinais podem indicar?

Sintomas como visão embaçada, sensação de areia nos olhos, ressecamento ocular e cefaleias são relativamente comuns e podem ter diferentes causas.

Em muitos casos, essas manifestações estão relacionadas ao esforço visual prolongado, erros de refração não corrigidos ou redução da lubrificação da superfície ocular. Entretanto, também podem representar o primeiro sinal de doenças que necessitam de investigação especializada.

Visão embaçada

A visão embaçada pode ocorrer de maneira temporária ou persistente.

Entre as possíveis causas estão alterações no grau dos óculos, catarata, doenças da retina, problemas da córnea ou alterações relacionadas ao nervo óptico.

Quando o sintoma surge de forma súbita, principalmente acompanhado de perda parcial da visão, flashes luminosos ou dor ocular, a avaliação médica deve ser imediata.

Olhos secos

A síndrome do olho seco tornou-se uma das principais queixas nos consultórios oftalmológicos.

Essa condição ocorre quando há redução da produção de lágrimas ou aumento de sua evaporação, comprometendo a lubrificação da superfície ocular.

Os sintomas mais frequentes incluem:

  • sensação de areia nos olhos;
  • ardência;
  • vermelhidão;
  • coceira;
  • desconforto após leitura ou uso de telas;
  • lacrimejamento reflexo.

Embora muitas pessoas considerem esses sintomas apenas um desconforto passageiro, a persistência pode afetar a qualidade da visão e a qualidade de vida.

Dores de cabeça relacionadas à visão

Nem toda dor de cabeça tem origem ocular. Entretanto, alterações visuais podem aumentar o esforço realizado pelos músculos responsáveis pela focalização, favorecendo o aparecimento de cefaleias, principalmente após atividades prolongadas de leitura ou uso de dispositivos eletrônicos.

Quando a dor de cabeça está frequentemente associada ao cansaço visual, visão borrada ou dificuldade para enxergar, a avaliação oftalmológica ajuda a identificar possíveis alterações que necessitam de correção.

Quanto tempo você passa em frente às telas? Entenda os impactos na saúde ocular

O uso de computadores, celulares e tablets faz parte da rotina da maioria das pessoas. Trabalho, estudo, lazer e comunicação passaram a depender cada vez mais dos dispositivos digitais.

Embora o uso de telas não seja responsável pelo surgimento de doenças como catarata ou glaucoma, o uso prolongado pode favorecer um conjunto de sintomas conhecido como fadiga ocular digital ou síndrome da visão do computador.

Durante a utilização contínua de dispositivos eletrônicos, a frequência do piscar tende a diminuir. Como consequência, ocorre maior evaporação da lágrima e redução da lubrificação natural da superfície ocular, favorecendo sintomas como:

  • olhos secos;
  • sensação de ardência;
  • vermelhidão;
  • visão embaçada temporária;
  • dificuldade de focalização;
  • sensação de peso nos olhos;
  • dores de cabeça.

Estudos brasileiros mostram que a maioria dos indivíduos que permanece mais de cinco horas por dia diante de telas relata algum grau de desconforto visual, sendo olhos secos, fadiga ocular e visão turva as manifestações mais frequentes.

Outro aspecto importante é que atividades realizadas continuamente em curta distância exigem maior esforço do sistema de acomodação ocular. Sem intervalos adequados, esse esforço pode contribuir para sintomas de cansaço visual ao longo do dia.

Algumas medidas simples ajudam a reduzir esse desconforto:

  • realizar pausas periódicas durante o uso de telas;
  • lembrar de piscar conscientemente com maior frequência;
  • manter distância adequada entre os olhos e o monitor;
  • utilizar iluminação apropriada no ambiente;
  • ajustar brilho e contraste dos dispositivos conforme a luminosidade do local.

Esses cuidados não substituem a avaliação oftalmológica, mas contribuem para reduzir a sobrecarga visual e melhorar o conforto durante atividades prolongadas.

Doenças dos olhos podem evoluir sem sintomas? Como funciona os cuidados especializados para a saúde ocular no SUS

Nem toda doença ocular provoca dor, desconforto ou alteração imediata da visão. Algumas das principais causas de perda visual podem evoluir de forma silenciosa durante meses ou anos, sendo identificadas apenas quando já causaram danos importantes.

Esse é um dos principais motivos pelos quais o acompanhamento oftalmológico periódico é considerado uma das estratégias mais eficazes para a preservação da saúde ocular.

Durante a consulta, além da avaliação da acuidade visual e da necessidade de correção óptica, o oftalmologista examina diferentes estruturas dos olhos, como córnea, cristalino, retina, nervo óptico e pressão intraocular. Essa avaliação permite identificar alterações ainda em fases iniciais, quando as possibilidades de controle e tratamento costumam ser mais favoráveis.

Entre as doenças que podem apresentar evolução silenciosa, destacam-se:

  • glaucoma, que pode comprometer progressivamente o nervo óptico;
  • retinopatia diabética, frequentemente relacionada ao diabetes mellitus;
  • degeneração macular relacionada à idade;
  • algumas doenças da retina e do nervo óptico;
  • catarata em fases iniciais.

Em muitas situações, essas condições não provocam sintomas perceptíveis até que parte da visão já tenha sido comprometida. Por isso, esperar o aparecimento de sinais clínicos nem sempre é a melhor estratégia.

A revisão publicada pela Revista Brasileira de Oftalmologia demonstra que, embora grande parte da população reconheça a importância da saúde ocular, ainda existe uma tendência de procurar atendimento somente diante do aparecimento de sintomas, reduzindo as oportunidades de diagnóstico precoce e prevenção de complicações.

O acesso à avaliação especializada é fundamental para identificar precocemente doenças oculares e definir o tratamento adequado para cada paciente. Na SPDM, unidades como o Hospital de Transplantes Euryclides de Jesus Zerbini e o Centro de Oftalmologia de Diadema, oferecem atendimento oftalmológico especializado em diversas subespecialidades, incluindo córnea e doenças externas, glaucoma, catarata, estrabismo, retinopatias, uveítes e doenças das pálpebras, além de exames diagnósticos, ampliando o acesso da população aos cuidados especializados em saúde ocular.

Em ambas as unidades, os pacientes são encaminhados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). No Hospital de Transplantes Euryclides de Jesus Zerbini, o acesso ocorre por meio da Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (CROSS), da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Já no Centro de Oftalmologia de Diadema, o encaminhamento é realizado pela Divisão de Regulação, Auditoria, Avaliação e Controle (DRAC), do Ministério da Saúde. Após o agendamento, os pacientes são avaliados por oftalmologistas especializados, que definem a investigação diagnóstica e o tratamento mais adequado para cada situação clínica.

O diagnóstico precoce pode preservar a visão, reduzir complicações e contribuir para melhor qualidade de vida ao longo dos anos. Nesse cenário, a integração entre a atenção básica, os serviços especializados e o acompanhamento contínuo desempenha papel fundamental para o tratamento oportuno e a prevenção da perda visual.

Hábitos comuns que podem prejudicar sua visão ao longo dos anos

A saúde ocular também é influenciada pelos hábitos adotados diariamente. Pequenas atitudes, quando repetidas continuamente, podem aumentar o desconforto visual ou favorecer o desenvolvimento de determinadas alterações.

Conhecer esses fatores permite adotar medidas preventivas simples e eficazes.

Permanecer muitas horas sem pausas durante o uso de telas

O uso prolongado de computadores, celulares e tablets reduz a frequência do piscar e aumenta o esforço para focalização visual.

Essa combinação favorece sintomas como fadiga ocular, ressecamento dos olhos, visão embaçada temporária e cefaleias.

Uma estratégia frequentemente recomendada consiste em realizar pausas regulares durante atividades de perto. A chamada regra 20-20-20 orienta que, a cada vinte minutos de uso contínuo das telas, a pessoa desvie o olhar por aproximadamente vinte segundos para um objeto situado a cerca de seis metros de distância, permitindo o relaxamento do sistema de acomodação visual.

Esfregar os olhos com frequência

Embora seja um hábito comum diante de coceira ou cansaço, esfregar os olhos repetidamente pode causar microtraumas na superfície ocular e aumentar o risco de lesões, principalmente em pessoas predispostas a determinadas doenças da córnea.

Quando a coceira é persistente, o mais adequado é investigar sua causa com avaliação especializada.

Utilizar óculos ou lentes sem avaliação periódica

Alterações no grau dos óculos podem ocorrer ao longo da vida.

Além disso, sintomas como visão borrada nem sempre estão relacionados apenas ao erro refrativo, podendo representar outras doenças oculares.

Por esse motivo, a troca de óculos sem avaliação oftalmológica não substitui a consulta médica.

Negligenciar doenças crônicas

Diabetes mellitus e hipertensão arterial podem provocar alterações importantes na retina e na circulação ocular.

O controle adequado dessas doenças, associado ao acompanhamento oftalmológico periódico, reduz significativamente o risco de perda visual decorrente dessas complicações.

Ignorar sinais persistentes

Visão embaçada frequente, flashes luminosos, perda parcial do campo visual, dor ocular intensa ou redução súbita da visão nunca devem ser considerados normais.

Quanto mais precocemente essas alterações forem investigadas, maiores costumam ser as possibilidades de tratamento e preservação da função visual.

Considerações finais

A saúde ocular depende de uma combinação entre prevenção, hábitos saudáveis e acompanhamento médico periódico.

Embora sintomas como visão embaçada, olhos secos e dores de cabeça frequentemente estejam relacionados ao esforço visual ou ao uso prolongado de telas, eles também podem representar os primeiros sinais de doenças que exigem diagnóstico e tratamento especializados.

Da mesma forma, diversas doenças oculares evoluem silenciosamente, sem provocar alterações perceptíveis nas fases iniciais. Por isso, consultas preventivas desempenham papel fundamental na identificação precoce de alterações que podem comprometer a visão ao longo do tempo.

Pequenas mudanças na rotina, como realizar pausas durante o uso de dispositivos eletrônicos, manter controle adequado de doenças crônicas e procurar avaliação diante de sintomas persistentes, contribuem para preservar a saúde dos olhos e melhorar a qualidade de vida.

A SPDM reforça seu compromisso com a promoção da saúde, a prevenção de doenças e a conscientização da população sobre a importância dos cuidados contínuos com a visão. Reconhecer precocemente os sinais de alerta e realizar acompanhamento oftalmológico periódico são medidas essenciais para preservar a saúde ocular em todas as fases da vida.

Fontes consultadas

Guedes RAP, Oliveira CR, Barros JN, et al. Percepção dos cuidados e atenção com a saúde ocular da população brasileira. Revista Brasileira de Oftalmologia, 2023. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbof/a/TSBT6tHryVVfS6h9XpWPWSS/?lang=pt

Barros VFS, et al. Effects of the excessive use of electronic screens on vision and emotional state. Revista Brasileira de Oftalmologia, 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbof/a/WD5LpDPp5vyKgcCCvy3jPgt/abstract/?lang=pt

Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica, Conselho Brasileiro de Oftalmologia e Sociedade Brasileira de Pediatria. Nota Técnica: Uso de telas na infância e saúde ocular. Disponível em: https://sbop.com.br/medico/wp-content/uploads/sites/2/2024/04/Uso-de-telas-CBO.pdf.pdf

Hospital de Transplantes Euryclides de Jesus Zerbini. Serviço de Oftalmologia. Disponível em: https://htejz.spdmafiliadas.org.br/oftalmo-v2/

Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM). Centro de Oftalmologia de Diadema. Disponível em: https://spdm.org.br/ambulatorios_centros/centro-de-oftalmologia-diadema/

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