Segurança do paciente: o que diferencia uma assistência realmente segura?

Receber um atendimento de saúde envolve muito mais do que chegar a um diagnóstico ou iniciar um tratamento. Em cada etapa do cuidado existem processos que precisam funcionar de forma coordenada para reduzir riscos, prevenir incidentes e proteger o paciente.

É nesse contexto que a segurança do paciente se torna um dos pilares da qualidade assistencial. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tema envolve esforços para reduzir danos evitáveis associados aos cuidados de saúde. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desenvolve estratégias voltadas à gestão de riscos e à melhoria contínua das práticas de segurança nos serviços de saúde.

Em 2026, o Dia Mundial da Segurança do Paciente, celebrado em 17 de setembro, tem como tema “Cuidados seguros para doenças não transmissíveis” e o slogan “Cuidado seguro para a vida!”. A campanha chama atenção para a necessidade de manter a segurança durante toda a jornada assistencial, especialmente em condições que exigem acompanhamento prolongado, desde a prevenção e o diagnóstico até o tratamento, o monitoramento e o autocuidado.

A Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) reconhece a segurança assistencial como parte essencial de um cuidado responsável, humanizado e centrado nas necessidades de cada paciente.

O que significa segurança do paciente na prática?

Um cuidado seguro não depende exclusivamente da atuação individual de um profissional. Ele é resultado de processos organizados, protocolos assistenciais, equipes capacitadas, comunicação adequada e monitoramento contínuo dos riscos.

Isso significa estabelecer barreiras para evitar que uma falha alcance o paciente. A identificação correta antes de um procedimento, por exemplo, parece uma medida simples, mas é fundamental para garantir que exames, tratamentos e intervenções sejam realizados na pessoa correta.

A Anvisa estabelece diferentes práticas voltadas à segurança assistencial. Entre elas estão protocolos relacionados à identificação do paciente, higiene das mãos, cirurgia segura, prevenção de quedas e prevenção de lesões por pressão, além de medidas para aumentar a segurança durante a prescrição, o uso e a administração de medicamentos.

Esses protocolos precisam estar incorporados à rotina do serviço. A própria Anvisa destaca que sua implantação deve ser acompanhada pela capacitação periódica dos profissionais responsáveis por aplicá-los.

Portanto, segurança não é apenas possuir normas escritas. É fazer com que essas normas sejam conhecidas, atualizadas e efetivamente aplicadas no cotidiano.

Comunicação também é uma barreira de segurança

Parte importante dos riscos assistenciais está relacionada à circulação de informações ao longo da jornada do paciente.

Resultados de exames, condições clínicas, alergias, procedimentos realizados e informações relevantes para a continuidade do tratamento precisam ser comunicados adequadamente entre profissionais e diferentes pontos da assistência.

Quanto mais complexo e prolongado é o cuidado, maior pode ser a necessidade de coordenação.

Esse aspecto recebe atenção especial no Dia Mundial da Segurança do Paciente de 2026. A OMS destaca que pessoas com doenças não transmissíveis frequentemente necessitam de cuidados contínuos em diferentes contextos e durante longos períodos, criando diversos momentos nos quais riscos podem surgir.

Por isso, uma assistência segura também depende de continuidade. Prevenção, diagnóstico, tratamento, acompanhamento e autocuidado não devem ser vistos como etapas completamente independentes.

O paciente também participa da segurança do cuidado

Segurança assistencial não significa transferir responsabilidades dos profissionais para o paciente. Significa reconhecer que uma pessoa bem informada pode participar ativamente das decisões relacionadas à própria saúde.

Comunicar alergias, esclarecer dúvidas, informar os tratamentos em andamento e compreender as orientações recebidas são atitudes que podem contribuir para um cuidado mais seguro.

A OMS reforça essa perspectiva ao defender o envolvimento das pessoas com experiência direta de doenças não transmissíveis na organização dos serviços e nas decisões sobre o próprio cuidado. Para a campanha de 2026, um dos pontos discutidos é justamente reconhecer essas pessoas como parceiras durante a assistência.

Isso exige comunicação acessível. Orientações excessivamente técnicas ou pouco claras podem dificultar a compreensão e comprometer a continuidade do cuidado fora do ambiente assistencial.

A escuta também é importante. Dúvidas, percepções e informações fornecidas pelo paciente e por seus familiares podem oferecer elementos relevantes para a equipe responsável pelo atendimento.

Por que os protocolos precisam estar acompanhados de uma cultura de segurança?

Protocolos são fundamentais, mas não funcionam de maneira isolada.

Uma instituição comprometida com a segurança precisa desenvolver uma cultura de segurança do paciente, na qual prevenção de riscos, identificação de fragilidades e melhoria dos processos façam parte da rotina das equipes.

A Anvisa ressalta a importância dessa cultura para favorecer a implementação de práticas seguras, reduzir erros e minimizar riscos e danos relacionados à assistência.

Isso envolve capacitação dos profissionais, gestão de riscos, investigação de eventos adversos e utilização das informações obtidas para aperfeiçoar processos.

Em Janeiro de 2026, entrou em vigor o novo Plano Integrado para a Gestão Sanitária da Segurança do Paciente em Serviços de Saúde 2026 a 2030, da Anvisa. Entre seus objetivos estão fortalecer a gestão de riscos e a qualidade assistencial, além de promover a vigilância, a notificação e a investigação de incidentes e eventos adversos relacionados à assistência.

O princípio é importante: quando uma fragilidade é identificada, ela deve gerar aprendizado e ações capazes de reduzir a possibilidade de recorrência.

Segurança precisa acompanhar toda a jornada do paciente

A campanha mundial de 2026 amplia a discussão sobre segurança justamente porque muitas pessoas convivem durante anos com doenças cardiovasculares, câncer, diabetes, doenças respiratórias crônicas e outras condições não transmissíveis.

Nesses casos, o paciente pode passar por diferentes profissionais, exames, procedimentos e etapas de tratamento. A segurança precisa acompanhar todo esse percurso.

Segundo a OMS, os riscos podem estar presentes desde a prevenção e o diagnóstico até o tratamento, o acompanhamento de longo prazo e o autocuidado. Por isso, melhorar a segurança dessas pessoas envolve reduzir riscos relacionados à complexidade da assistência e fortalecer a integração do cuidado.

Essa perspectiva mostra que qualidade assistencial não pode ser avaliada somente por um procedimento isolado. Também importa observar como as diferentes etapas se conectam e como as informações necessárias acompanham o paciente durante sua trajetória de cuidado.

O que observar em uma assistência realmente segura?

Para pacientes e familiares, muitos processos técnicos de segurança não são diretamente visíveis. Ainda assim, alguns aspectos ajudam a demonstrar como a segurança está incorporada ao atendimento.

Uma assistência segura envolve profissionais que confirmam a identificação do paciente, explicam procedimentos, esclarecem dúvidas e adotam medidas de prevenção de riscos. Também pressupõe higiene adequada das mãos, comunicação organizada entre as equipes e atenção às particularidades clínicas de cada pessoa.

Outro aspecto relevante é perceber se existe espaço para perguntas. O paciente deve sentir que pode informar algo importante, pedir esclarecimentos e participar das decisões relacionadas ao cuidado.

Mais do que procurar sinais isolados, é importante compreender que qualidade e segurança assistencial são critérios fundamentais em qualquer serviço de saúde. Estrutura adequada, protocolos, capacitação profissional, gestão de riscos, comunicação e cuidado centrado na pessoa precisam funcionar de forma integrada.

Considerações finais

A segurança do paciente não deve ser entendida como um recurso adicional ou um diferencial opcional. Ela é uma condição essencial para uma assistência de qualidade.

Protocolos assistenciais, identificação correta, prevenção de infecções e quedas, comunicação efetiva, capacitação das equipes, gestão de riscos e participação do paciente são partes de um mesmo sistema de proteção.

O tema do Dia Mundial da Segurança do Paciente de 2026 reforça ainda que esse compromisso precisa acompanhar toda a jornada assistencial. Para pessoas que convivem com doenças crônicas e necessitam de acompanhamento durante longos períodos, a continuidade e a coordenação do cuidado tornam-se especialmente relevantes.

A SPDM reforça seu compromisso com a qualidade assistencial, a humanização do cuidado e a segurança do paciente, valorizando práticas e processos voltados à prevenção de riscos e à melhoria contínua da assistência.

Cuidado seguro não deve ser uma exceção. Deve fazer parte de cada etapa da atenção à saúde.

Fontes consultadas

Organização Mundial da Saúde. World Patient Safety Day, 17 September 2026: “Safe care for noncommunicable diseases”. Disponível em: https://www.who.int/news-room/events/detail/2026/09/17/default-calendar/world-patient-safety-day--17-september-2026---noncommunicable-diseases

Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Segurança do paciente. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/servicosdesaude/seguranca-do-paciente/seguranca-do-paciente

Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Plano Integrado para a Gestão Sanitária da Segurança do Paciente em Serviços de Saúde. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/servicosdesaude/seguranca-do-paciente/plano-integrado

Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Projeto Serviço Seguro. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/servicosdesaude/seguranca-do-paciente/projeto-servico-seguro

Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente. OMS define tema do Dia Mundial da Segurança do Paciente 2026 e foco será nas doenças não transmissíveis. Disponível em: https://ibsp.net.br/oms-define-tema-do-dia-mundial-da-seguranca-do-paciente-2026-e-foco-sera-nas-doencas-nao-transmissiveis/

 

Compartilhe nas Redes Sociais

Facebook
Twitter
Email
WhatsApp

SaúdeCast

Publicações

Relacionados

Acessar o conteúdo