A sensação de controlar sentimentos e emoções é positiva para o ego. Isso valida o livre-arbítrio, assim como a percepção de que somos donos do destino.
Também emerge o senso de responsabilidade cumprida com autonomia, pois parte do senso comum defende que cada pessoa é responsável pelos sentimentos, pensamentos, interpretações e deliberações, independente dos fatos sociais.
Entretanto, há tempos a ciência entende que existem mensageiros químicos capazes de influenciar o cérebro humano. Eles são conhecidos como neurotransmissores.
Aliás, quanto mais os cientistas estudam os neurotransmissores, maior é a compreensão de que os hormônios influenciam a mente humana, em certa medida. Assim, talvez não exista a possibilidade de alguém ter o total controle mental e emocional da própria vida, sem a “permissão hormonal”.
A tese do hormônio no comando da mente
Certos tecidos, órgãos e glândulas são responsáveis pela liberação dos hormônios, que entram no fluxo sanguíneo e se ligam a receptores em locais específicos.
A conexão entre hormônios e receptores funciona como um “aperto de mão” biológico que sela uma espécie de acordo, para alguma instrução ao corpo humano.
Por exemplo, o hormônio insulina conduz as células musculares e o fígado, a fim de absorver o excedente de glicose no sangue, para armazenar como glicogênio.
A partir desta tese, aceita sem tanta oposição no meio acadêmico, os cientistas trabalham na finalidade de desvendar novos métodos, para entender as razões e tratar transtornos como ansiedade ou depressão.
O controle oculto hormonal
Hoje, a ciência já identificou mais de 50 hormônios no organismo humano. Futuramente, de modo provável, novos devem ser identificados. Entretanto, juntos, eles administram processos corporais. Por exemplo:
- bem-estar mental;
- humor;
- emoções;
- vigília;
- ciclo do sono;
- reprodução;
- funções sexuais;
- desenvolvimento;
- crescimento;
- morte celular;
- neurogênese: nascimento ou criação de novos neurônios.
Controle hormonal feminino
Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), ansiedade e depressão são doenças cuja incidência aumenta no decorrer das principais transições hormonais, principalmente em mulheres, após a infância.
Em algumas mulheres, os hormônios sexuais influenciam o humor. Por causa da queda nos níveis de progesterona e estrogênio, podem até sofrer de TDPM (Transtorno Disfórico Pré-Menstrual), duas semanas antes da menstruação.
No geral, talvez surjam sintomas como:
- extrema variação de humor;
- tristeza;
- fadiga;
- irritabilidade;
- ansiedade;
- humor deprimido;
- pensamentos de autodestruição;
- distúrbios do sono.
Estrogênio
Em alguns casos, o controle dos hormônios sobre a mente é positivo. Por exemplo: a sensação de felicidade, calma ou bem estar tem relação com altas taxas de estrogênio, antes da ovulação.
Pós-gravidez e menopausa
Mais de 12% das mulheres que têm filhos sofrem com depressão pós-parto. Existem diversas causas. Apesar disto, ao considerar o lado hormonal, após dar à luz, há uma repentina queda de estrogênio e progesterona, o que talvez explique o estado depressivo da mente.
Existem as intensas flutuações de hormônios ovarianos nas mulheres em fase de perimenopausa e menopausa, o que talvez origine depressão ou outros transtornos mentais.
Nestes casos, o ponto-chave não é a quantidade de hormônio, mas sim as transições súbitas. Ou seja, se a pessoa passa de baixos para altos níveis hormonais ou vice-versa, rapidamente.
No entanto, este descontrole da mente por causa de altas flutuações hormonais pode ou não ocorrer, dependendo de cada pessoa.
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Controle hormonal masculino
Embora a alteração seja gradual, com o tempo, os homens também diminuem níveis de testosterona, o que implica em quedas de dopamina e serotonina.
Neste quadro clínico, há uma hipótese de alterações no humor em alguns homens, além de existirem prováveis tratamentos. Entenda:
- o aumento dos níveis dos neurotransmissores dopamina e serotonina no cérebro é uma das formas pelas quais os hormônios sexuais podem influenciar o humor;
- baixos níveis de serotonina têm sido tradicionalmente associados à depressão;
- evidências sugerem que determinados estrogênios podem aumentar a sensibilidade dos receptores de serotonina e elevar a quantidade de receptores de dopamina no cérebro.
Menopausa e mal de Alzheimer
Uma das prováveis razões para pessoas com menopausa e/ou doença de Alzheimer sofrerem depressão está na perda de neurônios no hipocampo: estrutura cerebral responsável pela formação de memórias novas, emoções e aprendizagem.
Neste contexto, existe a teoria de que o estrogênio e certos antidepressivos previnem lesões, além de estimularem crescimento neural, no hipocampo.
Na prática, o estrogênio funciona como um neuroprotetor que estimula a neurogênese.
Cortisol e estresse
Distúrbios no hipocampo originam consequências perigosas para outros sistemas de hormônios, como, por exemplo: o eixo hipotálamo-pituitária-adrenal (HPA), responsável por regular as reações corporais por causa do estresse. Funciona assim:
- em decorrência da ansiedade, há um envio de sinal do hipotálamo para a glândula pituitária liberar adrenocorticotrófico (ACTH);
- por sua vez, a ACTH estimula as glândulas adrenais a liberar o hormônio do estresse, conhecido como cortisol;
- o cortisol instrui o corpo a liberar açúcar no fluxo sanguíneo, o que origina mais energia emergencial ao corpo e cérebro.
Em curto prazo, a ativação do eixo HPA pode ser ajustável para o corpo lidar melhor com momentos estressantes. Porém, ao longo do tempo, a abundante produção de cortisol tende a ser prejudicial, o que pode ocorrer se a pessoa sofre de estresse crônico, por razões como:
- violência;
- abuso;
- intimidação.
Em longo prazo, o cortisol excessivo inflama o cérebro, mata os neurônios e reduz o controle autônomo da pessoa para reduzir estresse. Também destrói outras partes cerebrais como o córtex pré-frontal e a amígdala que possibilita controlar as emoções, o que talvez prejudique aspectos como:
- concentração;
- tomada de decisões corretas no momento certo;
- humor;
- memória e lembranças de informações;
- inteligência emocional;
- dificuldade em lidar com emoções negativas;
- serenidade.
Oxitocina como alternativa para o estresse
A oxitocina é conhecida como o hormônio do amor e ajuda a promover sentimentos confortáveis, menos estressantes. A liberação dela ocorre em certas situações. Por exemplo:
- orgasmo;
- amamentação;
- parto;
- momentos de laços entre seres humanos e animais;
- ocasiões que originam sensação de segurança.
Apesar de não existirem evidências científicas de que a oxitocina consiga ultrapassar a barreira hematoencefálica, certas pesquisas pressupõem que o uso de spray com esta substância pode tornar o público mais:
- empático;
- cooperativo;
- generoso;
- propenso a confiar em outras pessoas.
Hormônios no controle de ansiedade e depressão
Academicamente, parte dos especialistas considera mais a teoria de que dois hormônios, cuja produção provém da tireoide, sejam responsáveis por estes transtornos: tri-iodotironina (T3) e tiroxina (T4).
- ansiedade: ocorre quando os níveis de ambos os hormônios estão altos, o que se diagnostica como tireoide hiperativa;
- depressão: acontece se as taxas forem baixas.
Assim, ao corrigir os níveis destes hormônios, em alguns casos surge a possibilidade de ajustar o humor.
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Novas terapias
No geral, a ciência tende a concordar com o fato de que os hormônios podem controlar a mente, podendo afetar a saúde mental e o humor. Entretanto, não se sabe ao certo como isso acontece, o que retarda o desenvolvimento de terapias efetivas.
No entanto, diversas pesquisas já reconhecem o tratamento com estrogênio como útil para a Terapia de Reposição Hormonal (TRH), em especial na perimenopausa e menopausa.
Também existe a hipótese do controle hormonal de natalidade. Por um lado, ele ajuda algumas mulheres na fase de TDPM. Contudo, para certas pacientes os sintomas podem agravar.
Além disso, a oxitocina parece ser útil em certo grau para reduzir o cortisol, como mencionado anteriormente.
Perguntas frequentes
Quais os sinais de cortisol alto?
Os principais sinais de cortisol alto são: dificuldades cognitivas, dores musculares, dor de cabeça, hipertensão, ansiedade, alterações de humor, insônia, fadiga, cansaço e ganho de peso.
Testosterona causa agressividade?
Não existem pesquisas robustas que sustentem a relação causal entre agressão humana e testosterona. Talvez, exista uma correlação fraca, não sendo uma causa direta.
Por que a menopausa pode causar perda de memória?
Porque os sintomas da menopausa às vezes causam insônia, o que desencadeia esgotamento mental. Assim, um tipo de memória, conhecido como memória de trabalho, talvez não funcione bem para processar e assimilar novas informações. Certas teses também defendem que a flutuação dos níveis de estrogênio podem afetar o cérebro.
Psicoterapia e tratamento hormonal na SPDM
A Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) disponibiliza atendimento gratuito aos pacientes encaminhados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com especialistas em psicoterapia, capazes de proporcionar terapias que reduzem o estresse e melhoram o controle da mente.
Também oferecemos endocrinologistas, para recomendar tratamentos hormonais às condições como: descontrole de tireoide, menopausa, diabetes, andropausa, entre outros casos. Do mesmo modo, ginecologistas e outras especialidades estão disponíveis em nossos serviços.
Verifique as localidades das nossas unidades em São Paulo e outras regiões do país.
Considerações finais
Diversos estudos científicos sustentam que os hormônios exercem influência relevante sobre o funcionamento mental e o comportamento. Entretanto, os mecanismos dessa interação ainda não são totalmente compreendidos, o que pode dificultar o desenvolvimento de abordagens terapêuticas mais precisas.
Também há defesas teóricas e práticas de que a mente das mulheres tende a ser mais controlada por hormônios, embora homens também sejam suscetíveis.
O estresse, a ansiedade e a depressão são típicos quadros, cujo controle pode ter maior relação com condições hormonais do que falta da força de vontade emocional, em alguns pacientes.
Fontes consultadas
BBC.COM. Como seus hormônios podem controlar sua mente. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cwywqnz1j5no
CLEVELANDCLINIC.ORG. Hippocampus. Disponível em: https://my.clevelandclinic.org/health/body/hippocampus
CNNBRASIL.COM.BR. Cortisol: o que é e como atua o hormônio do estresse. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/cortisol/
NATIONALGEOGRAPHICBRASIL.COM. Conheça 5 alimentos que ajudam a combater o estresse. Disponível em: https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/05/conheca-5-alimentos-que-ajudam-a-combater-o-estresse
SCIENCEDIRECT.COM. Is testosterone linked to human aggression? A meta-analytic examination of the relationship between baseline, dynamic, and manipulated testosterone on human aggression. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0018506X19304519