Doenças crônicas vão pressionar SUS

Aumento da população idosa vai requisitar mais recursos para tratamento especializado
Érica Ribeiro
eribeiro@brasileconomico.com.br
 
O Brasil está 40 anos defasado, em relação aos países desenvolvidos, quando o assunto é atendimento público de saúde. Os recursos disponíveis, que correspondem a 8% do Produto Interno Bruto (PIB) são insuficientes para uma população estimada em 190 milhões de habitantes. Segundo Marcos Bosi Ferraz, diretor do Grupo Interdepartamental de Economia da Saúde da Unifesp e professor adjunto da Escola Paulista de Medicina, no caso dos idosos, que correspondem a 9,5% da população, os problemas de atendimento poderão se agravar, tendo em vista que esta população deverá aumentar em 50% nos próximos 20 anos. Na França, por exemplo, se passaram quase cem anos para que população de idosos dobrasse.

“O Brasil terá um crescimento muito mais acelerado de idosos e ainda não discute a relação entre qualidade e quantidade de vida da maneira que deveria”, alerta Ferraz. Segundo ele, dos 3,8% do PIB que são aplicados no Sistema Único de Saúde (SUS), pouco é direcionado para resolver problemas antigos e os que já batem à porta, em decorrência do aumento da expectativa de vida da população.

“Neste ambiente de 190 milhões de brasileiros, este percentual corresponde ao valor de uma passagem de ônibus ida e volta por habitante. Com esses recursos é difícil atender à demanda da população, sobretudo esse grupo que está envelhecendo mais rápido”, diz.

Ele destaca que, além do déficit financeiro, a gestão dos recursos públicos é ineficiente. Ferraz diz que não basta construir hospitais, é necessário também investir em equipamentos, manutenção e na contratação de profissionais.

“Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) mostram que a cada cinco pacientes com mais de 60 anos, quatro têm pelo menos uma doença crônica. No geral, 31% dos brasileiros são portadores de alguma doença crônica, enquanto em países desenvolvidos. Nos países desenvolvidos 45% da população registra o mesmo perfil. Isso significa que, ao avançarmos na expectativa de vida, vamos acumulando progressivamente mais doenças”, explica o especialista.

Para o presidente da Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina, Rubens Belfort, os dados do IBGE mostram que o país hoje controla doenças que antes matavam mais cedo, caso das infecções, e já demanda investimentos em doenças crônicas e degenerativas. Segundo ele, pesquisas mostram que um idoso pode tomar em média 20 medicamentos por dia.

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