Infarto agudo do miocárdio em homens e mulheres: diferenças, sinais e prevenção

Homem segurando o peito demonstrando desconforto.

O infarto agudo do miocárdio (IAM) é uma das principais causas de morte no Brasil e no mundo, representando um grave problema de saúde pública. Ocorre quando o fluxo de sangue para uma parte do coração é bloqueado, geralmente por um coágulo que se forma sobre uma placa de gordura nas artérias coronárias.

Embora afete ambos os sexos, estudos mostram que existem diferenças importantes na forma de apresentação, no diagnóstico e na evolução clínica da doença. Conhecer essas particularidades pode salvar vidas.

O que é o infarto agudo do miocárdio

O infarto acontece quando o suprimento de oxigênio para o músculo cardíaco é interrompido ou severamente reduzido, causando morte de parte do tecido cardíaco. 

O bloqueio é geralmente causado pela aterosclerose, acúmulo de gordura e colesterol nas paredes das artérias que pode se romper e formar um trombo.

Quanto mais rápido o tratamento é iniciado, maior a chance de preservar o músculo cardíaco e reduzir complicações como insuficiência cardíaca, arritmias e morte súbita.

Diferenças entre homens e mulheres

1. Idade e perfil de risco

  • Homens: tendem a apresentar infarto em idade mais jovem, geralmente a partir dos 50 anos.
  • Mulheres: costumam manifestar a doença após a menopausa, devido à perda da proteção hormonal dos estrogênios. Antes disso, têm risco menor.

Além disso, fatores como diabetes, hipertensão e obesidade têm impacto ainda mais significativo no risco cardiovascular feminino. 

Mulheres com diabetes, por exemplo, podem ter até 3 vezes mais risco de infarto em comparação com homens diabéticos.

2. Sintomas típicos e atípicos

  • Homens: dor intensa no peito (pressão, queimação ou aperto) que pode irradiar para braço esquerdo, mandíbula ou costas é mais frequente.
  • Mulheres: podem apresentar sintomas atípicos, como falta de ar, cansaço extremo, dor abdominal, náuseas, tontura ou dor no pescoço e nas costas. Muitas vezes não relatam dor torácica clássica.

Essa diferença faz com que o diagnóstico em mulheres seja atrasado, aumentando o risco de complicações.

3. Prognóstico e mortalidade

Diversos estudos, incluindo análises publicadas no Journal of the American Heart Association e no Heart, Lung and Circulation, indicam que mulheres têm mortalidade mais alta após um infarto, especialmente nas primeiras semanas. Isso se deve a fatores como:

  • Maior prevalência de atrasos no atendimento por causa dos sintomas menos reconhecíveis;
  • Menor frequência de indicação de terapias invasivas (como cateterismo e angioplastia);
  • Diferenças biológicas no sistema cardiovascular feminino.

VEJA MAIS| Como a obesidade afeta o coração

Principais fatores de risco

Homens e mulheres compartilham grande parte dos fatores de risco, mas a intensidade do impacto pode variar entre os sexos. 

Os principais são:

  • Hipertensão arterial;
  • Colesterol alto e aterosclerose;
  • Diabetes mellitus (mais perigoso para mulheres);
  • Tabagismo (nas mulheres, aumenta ainda mais o risco em associação com anticoncepcionais);
  • Sedentarismo e obesidade;
  • Histórico familiar de doença cardiovascular precoce;
  • Estresse crônico e depressão, que têm associação mais forte com infarto em mulheres.

Sinais de alerta: como identificar um infarto

Saber reconhecer os sinais é fundamental para buscar ajuda médica rápida:

  • Dor ou desconforto no peito, que pode durar mais de 20 minutos;
  • Dor irradiada para braço esquerdo, costas, mandíbula ou pescoço;
  • Falta de ar e sensação de aperto;
  • Náusea, vômito, tontura ou suor frio;
  • Cansaço intenso e súbito (mais comum em mulheres).

Em caso de suspeita, ligue imediatamente para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU)  através do número 192 ou vá ao pronto-socorro. O tempo é crucial para salvar o músculo cardíaco.

Como prevenir o infarto em homens e mulheres

A prevenção é baseada em hábitos saudáveis e controle rigoroso dos fatores de risco:

  • Alimentação equilibrada: reduzir gorduras saturadas, açúcar e sal, aumentando frutas, verduras, legumes e alimentos integrais;
  • Atividade física regular: pelo menos 150 minutos por semana;
  • Controle de pressão arterial, glicemia e colesterol;
  • Abandono do tabagismo e moderação no consumo de álcool;
  • Gerenciamento do estresse e apoio psicológico, especialmente para mulheres que acumulam múltiplas jornadas;
  • Acompanhamento médico periódico, com exames preventivos e avaliação de risco cardiovascular.

Para mulheres, é essencial avaliar o risco após a menopausa, especialmente em quem usa reposição hormonal ou tem histórico familiar.

O que fazer em caso de suspeita de infarto

  1. Ligue para o SAMU (192) imediatamente.
  2. Mantenha-se sentado ou deitado, evitando esforços.
  3. Não dirija por conta própria até o hospital.
  4. Enquanto aguarda o socorro, evite se automedicar.

O atendimento rápido pode evitar complicações graves e salvar vidas.

Conclusão

O infarto agudo do miocárdio apresenta diferenças importantes entre homens e mulheres, especialmente nos sintomas e no prognóstico. Reconhecer essas particularidades ajuda no diagnóstico precoce e pode salvar vidas.

A Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) reforça a importância da informação e do atendimento rápido, além do acompanhamento médico para controlar fatores de risco e promover hábitos saudáveis que protegem o coração.

Perguntas frequentes 

1. Mulheres podem ter infarto mesmo sem dor no peito?

Sim. Muitas mulheres apresentam sintomas como falta de ar, náusea, dor nas costas ou cansaço extremo em vez da dor torácica típica.

2. O infarto é mais grave em mulheres?

Estudos indicam que a mortalidade é maior, em parte, porque o diagnóstico costuma ser mais tardio e os sintomas são menos reconhecidos.

3. O que aumenta o risco de infarto em jovens?

Fatores como tabagismo, uso de drogas ilícitas, estresse intenso e histórico familiar precoce podem antecipar o infarto, inclusive antes dos 40 anos.

4. Anticoncepcionais aumentam o risco de infarto?

Sim, especialmente em mulheres fumantes e com outros fatores de risco, como pressão alta ou enxaqueca com aura.

5. O estresse pode causar infarto?

Pode contribuir, principalmente quando associado a outros fatores como pressão alta e sedentarismo. O estresse crônico libera hormônios que sobrecarregam o coração.

6. Como saber se minha dor no peito é preocupante?

Se for intensa, durar mais de alguns minutos, vier acompanhada de suor frio, falta de ar ou irradiar para braços e mandíbula, deve ser avaliada com urgência.

7. O infarto pode acontecer durante o sono?

Sim. Pessoas com alto risco cardiovascular podem sofrer infarto durante o repouso, sem sinais prévios.

8. Quem já teve infarto tem mais risco de outro?

Sim. É fundamental seguir o tratamento prescrito, manter hábitos saudáveis e acompanhamento médico rigoroso.

9. O colesterol baixo elimina o risco de infarto?

Não. Embora reduza o risco, o infarto é multifatorial e envolve pressão alta, diabetes, tabagismo e genética.

10. Qual a importância do atendimento rápido?

Cada minuto conta. Tratamentos precoces podem salvar o músculo cardíaco, reduzir sequelas e aumentar a sobrevida.


Fontes consultadas

1. HURTADO, David et al. Myocardial infarction signs and symptoms: females vs. males. Journal of Clinical Medicine, v. 12, n. 7, p. 1-13, 2023. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10182740/

2. ZHANG, Wei; LI, Xinyu; SUN, Min. Sex differences in outcomes in patients with acute myocardial infarction. Frontiers in Cardiovascular Medicine, v. 11, p. 1-10, 2024. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40205547/.

3. REED, George W. et al. Sex differences in symptom presentation in acute coronary syndromes. Journal of the American Heart Association, v. 9, n. 15, e014733, 2020. Disponível em: https://www.ahajournals.org/doi/10.1161/JAHA.119.014733

4. WONG, Caroline W. et al. Sex disparities in myocardial infarction: biology or bias? Heart, Lung and Circulation, v. 30, n. 11, p. 1632-1642, 2021. Disponível em: https://www.heartlungcirc.org/article/S1443-9506%2820%2930407-8/fulltext. Acesso em: 1 out. 2025.

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