O que é pancreatite e quais os sintomas

Pessoa com dor na região abdominal superior.

Pancreatite é uma inflamação do pâncreas que pode ser aguda com início súbito e resolução em dias, ou crônica com inflamação persistente que leva a dano permanente e insuficiência do órgão. 

Os principais sintomas são dor abdominal intensa, náuseas, vômitos e, nos casos graves, febre e icterícia. 

O tratamento costuma exigir hidratação venosa, controle da dor, nutrição precoce e correção da causa como cálculos da vesícula ou consumo de álcool. 

A forma aguda costuma melhorar com tratamento. A forma crônica não “some”, porém é possível controlar sintomas e complicações. Casos graves podem ser fatais sem atendimento rápido. 

Panorama rápido

AspectoAgudaCrônica
DuraçãoDias a poucas semanasMais de 6 meses, com crises repetidas
Dano permanenteGeralmente nãoSim, pode evoluir para insuficiência pancreática
Causas comunsCálculo biliar, álcoolÁlcool, tabagismo, causas genéticas, obstruções
TratamentoSuporte hospitalar e correção da causaControle da dor, enzimas pancreáticas, nutrição, cessar álcool e cigarro
PrognósticoBoa recuperação na maioriaControle a longo prazo, sem “cura” completa

Tipos de pancreatite

  • pancreatite aguda: inflamação súbita que varia de leve a grave. Pode complicar com necrose, choque séptico, insuficiência respiratória e renal se não tratada prontamente;
  • pancreatite crônica: inflamação recorrente e persistente que causa dor abdominal de repetição, esteatorreia por insuficiência exócrina e risco de diabetes por perda endócrina;
  • pancreatite autoimune: forma menos comum ligada a resposta imune, pode simular tumor e responder a corticoide quando bem indicada.

Causas e fatores de risco

As causas variam conforme o tipo, porém as mais frequentes incluem:

  • cálculos biliares que obstruem o ducto pancreático; 
  • álcool em excesso;
  • triglicerídeos muito elevados;
  • medicamentos específicos, traumas, procedimentos endoscópicos, alterações anatômicas, causas hereditárias e autoimunes;
  • tabagismo aumenta o risco e acelera a progressão para a forma crônica. 

Sintomas

O sintoma mais típico é dor forte no abdômen superior que pode irradiar para as costas, frequentemente acompanhada de náuseas, vômitos e piora após comer. 

Em quadros mais intensos, surgem febre, icterícia, distensão abdominal, queda da pressão e cansaço extremo.

Sinais de alerta para procurar emergência imediatamente: dor abdominal intensa contínua, vômitos persistentes, pele e olhos amarelados, febre alta, dificuldade para respirar, tontura com sensação de desmaio. 

Como o diagnóstico é feito

A avaliação clínica é combinada com dosagem de amilase e lipase no sangue e exames de imagem como ultrassom, tomografia ou ressonância, além da investigação da causa biliar, alcoólica ou metabólica. 

Tratamento: o que esperar na prática

  1. suporte inicial em hospital: hidratação venosa, analgesia, correção de distúrbios eletrolíticos e oxigenação conforme necessidade. A nutrição precoce por via oral ou por sonda é incentivada quando possível para reduzir complicações.
  2. tratar a causa:
    cálculo biliar: pode ser indicada colecistectomia após estabilização e, em casos com colangite ou obstrução, CPRE (colangiopancreatografia retrógrada endoscópica) precoce.
    álcool e tabaco: cessação completa com suporte multiprofissional.
    hipertrigliceridemia: manejo metabólico específico.
  3. pancreatite crônica: além do controle da dor e da abstinência de álcool e cigarro, pode haver indicação de suplemento de enzimas pancreáticas para tratar má digestão e perda de peso, com acompanhamento nutricional.

Tem cura?

  • pancreatite aguda: a maioria se resolve completamente com tratamento adequado, especialmente quando a causa é identificada e corrigida;
  • pancreatite crônica: não há “cura” no sentido de reverter o dano estrutural. Há controle clínico dos sintomas, prevenção de deficiências nutricionais e redução de novas crises evitando álcool e cigarro, tratando a dor e, quando preciso, usando enzimas e intervenções endoscópicas ou cirúrgicas.

Pode matar?

Infelizmente, sim. Uma parcela dos casos de pancreatite aguda evolui com falência de órgãos e complicações infecciosas, o que aumenta o risco de morte. 

O atendimento precoce em serviço de urgência reduz complicações e melhora o prognóstico. 

O que é proibido para quem tem pancreatite

  • álcool: não consumir em nenhuma quantidade. A abstinência é parte do tratamento e reduz novas crises e progressão da doença;
  • cigarro: não fumar. O tabagismo piora a evolução e aumenta a dor e as complicações;
  • alimentação gordurosa durante a fase aguda: evitar frituras, embutidos e refeições muito pesadas até liberação médica. A reintrodução da dieta é gradual e guiada pelos sintomas;
  • automedicação e jejum prolongado sem orientação: o manejo nutricional e analgésico deve ser definido pela equipe que acompanha o caso.

Como prevenir novos episódios de pancreatite

A prevenção varia de acordo com a causa identificada na avaliação médica, porém algumas medidas apresentam benefícios consistentes na redução do risco de recorrência. 

Manter abstinência completa de álcool e evitar o tabagismo reduz inflamação, melhora a função pancreática e diminui crises. O controle dos triglicerídeos por meio de acompanhamento nutricional e mudanças no estilo de vida auxilia na prevenção da forma metabólica.

Em situações relacionadas a cálculos biliares, a remoção da vesícula biliar após estabilização do quadro diminui significativamente o risco de novos episódios. A adoção de uma alimentação equilibrada, com menor teor de gordura e com reintrodução gradual conforme orientação profissional, também é essencial no período de recuperação.

Observação importante

A pancreatite pode apresentar evolução rápida e requer avaliação especializada para definir a causa, a gravidade e o melhor plano terapêutico. 

Dor abdominal intensa, vômitos persistentes, febre, icterícia ou queda da pressão são sinais de alarme que exigem atendimento imediato em um serviço de urgência.

Este conteúdo é apenas informativo e não substitui uma consulta médica. Se houver sintomas persistentes ou qualquer sinal de alerta, procure avaliação profissional o quanto antes.

A Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) oferece acompanhamento qualificado por meio de suas unidades de saúde, contribuindo para o diagnóstico precoce, o manejo seguro e o cuidado contínuo de pessoas com doenças pancreáticas.


Fontes Consultadas

Diretrizes do American College of Gastroenterology 2024 para recomendações de tratamento da pancreatite aguda. (Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Digestivas e Renais)

ASHRAF, H.; COLOMBO, J. P.; MARCUCCI, V.; RHOTON, J.; OLOWOYO, O. A Clinical Overview of Acute and Chronic Pancreatitis: The Medical and Surgical Management. Cureus, v. 13, n. 11, e19764, 20 nov. 2021. DOI: 10.7759/cureus.19764. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34938639/

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