30 de Janeiro | Dia Mundial das Doenças Tropicais Negligenciadas: Desafios, avanços e importância da vigilância em saúde.

O Dia Mundial das Doenças Tropicais Negligenciadas, celebrado em 30 de janeiro, chama atenção para um conjunto de enfermidades que seguem impactando milhões de pessoas no mundo, especialmente populações em situação de vulnerabilidade social. Apesar de preveníveis e, em muitos casos, tratáveis, essas doenças ainda recebem pouca visibilidade, o que contribui para a manutenção de desigualdades em saúde e para o agravamento de condições que poderiam ser evitadas.

Falar sobre doenças tropicais negligenciadas é falar de equidade, acesso aos serviços de saúde e responsabilidade coletiva. É reconhecer que a vigilância em saúde e o cuidado contínuo são instrumentos fundamentais para proteger vidas e fortalecer o sistema público de saúde.

O que são as doenças tropicais negligenciadas

As doenças tropicais negligenciadas, conhecidas como DTNs, englobam um grupo de enfermidades infecciosas que afetam principalmente comunidades com menor acesso a saneamento básico, informação e serviços de saúde. Elas estão associadas a condições ambientais, sociais e econômicas desfavoráveis e, por isso, refletem de forma direta as desigualdades sociais.

Entre as principais características das DTNs, estão:

• ocorrência predominante em áreas de maior vulnerabilidade social;
• impacto significativo na qualidade de vida e na capacidade funcional das pessoas;
• possibilidade de prevenção e controle com ações de saúde pública bem estruturadas;
• necessidade de vigilância contínua e diagnóstico precoce.

Mesmo quando não levam à morte, essas doenças podem causar incapacidades físicas, estigmatização social e prejuízos econômicos importantes para indivíduos, famílias e comunidades.

Por que essas doenças ainda são um desafio para a saúde pública

O termo negligenciadas não é casual, ele reflete a baixa prioridade histórica dada a essas enfermidades em comparação com outros agravos de saúde. A falta de informação, o diagnóstico tardio e a limitação de recursos para vigilância e controle contribuem para a manutenção da transmissão e para o agravamento dos casos.

Entre os principais desafios relacionados às DTNs, estão:

• subnotificação de casos;
• dificuldade de acesso aos serviços de saúde em áreas remotas;
• estigma associado a algumas doenças;
• necessidade de integração entre ações de vigilância, assistência e educação em saúde.

Superar esses desafios exige políticas públicas consistentes, fortalecimento da atenção primária e investimento contínuo em ações de prevenção e promoção da saúde.

Sintomas e importância do diagnóstico precoce

Os sinais e sintomas das doenças tropicais negligenciadas variam de acordo com a enfermidade, mas muitos quadros iniciais podem ser silenciosos ou pouco específicos. Isso reforça a importância da vigilância ativa e da atenção aos sinais persistentes.

De forma geral, alguns sintomas que merecem atenção incluem:

• lesões de pele que não cicatrizam;
• febre recorrente ou prolongada;
• alterações neurológicas ou sensitivas;
• aumento de volume em determinadas regiões do corpo;
• fraqueza, dor ou mal-estar persistente.

A identificação precoce permite iniciar o tratamento adequado, reduzir complicações e interromper a transmissão, protegendo não apenas o indivíduo, mas toda a comunidade.

Prevenção e vigilância em saúde como pilares do enfrentamento

A prevenção das DTNs envolve ações integradas que vão além do atendimento individual. Medidas de vigilância em saúde, educação da população e melhoria das condições ambientais são fundamentais para reduzir a incidência dessas doenças.

Entre as principais estratégias de prevenção e controle, estão:

• fortalecimento da atenção primária à saúde;
• ações de vigilância epidemiológica e sanitária;
• orientação sobre sinais, sintomas e formas de prevenção;
• acompanhamento contínuo das populações mais expostas;
• articulação entre serviços de saúde e políticas públicas.

A vigilância em saúde permite identificar riscos, monitorar a ocorrência de casos e orientar decisões estratégicas, contribuindo para respostas mais rápidas e eficazes.

O papel da SPDM no cuidado às populações mais vulneráveis

Com mais de 90 anos de história dedicados à promoção da vida, a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) atua de forma integrada na assistência, na gestão de serviços e na promoção da saúde pública, contribuindo para o enfrentamento de diversos agravos que impactam a população.

A SPDM está presente em diversos estados do país, desenvolvendo ações que fortalecem a vigilância em saúde, ampliam o acesso ao diagnóstico e ao tratamento e promovem cuidado humanizado às populações mais expostas às doenças tropicais negligenciadas.

Por meio da atuação em diferentes níveis de atenção, a instituição contribui para a identificação precoce de casos, o acompanhamento adequado e a educação em saúde, reforçando o compromisso com a equidade e com a redução das desigualdades em saúde.

Um compromisso permanente com a saúde pública

O Dia Mundial das Doenças Tropicais Negligenciadas reforça a necessidade de manter o tema em pauta ao longo de todo o ano. Conscientizar, prevenir e cuidar são ações contínuas, que exigem o envolvimento de gestores, profissionais de saúde e da sociedade.

Investir em vigilância, informação e acesso ao cuidado é uma forma concreta de proteger vidas e fortalecer o sistema público de saúde. Combater as DTNs é, acima de tudo, um compromisso com a dignidade, a justiça social e a promoção da saúde para todos.

Para mais informações, acesse: https://spdm.org.br


Fontes Consultadas: 

World Health Organization. Neglected tropical diseases
https://www.who.int/teams/control-of-neglected-tropical-diseases

Molyneux DH et al. Neglected tropical diseases: beyond the tipping point
https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(09)61914-0/abstract

Associação Paulista Para o Desenvolvimento da Medicina – SPDM

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