Você já ouviu falar em adenomiose?
Apesar de ser uma condição bastante comum, ainda é pouco discutida fora dos consultórios médicos. Muitas mulheres passam anos convivendo com dores intensas, sangramentos fortes ou dificuldades para engravidar sem saber que esses sintomas podem estar ligados a esse problema.
Neste texto, vamos explicar de forma clara e acessível o que é a adenomiose, por que ela acontece, quais são os sintomas mais frequentes, como é feito o diagnóstico e quais são as opções de tratamento.
Nosso objetivo é trazer informação confiável e ajudar você a compreender melhor essa condição que afeta diretamente a saúde e a qualidade de vida de milhões de mulheres em todo o mundo.
O que é adenomiose?
A adenomiose é uma alteração benigna do útero em que o tecido que normalmente reveste sua parte interna (endométrio) cresce de forma inadequada para dentro do músculo uterino (miométrio).
Esse tecido responde aos hormônios do ciclo menstrual, mas como está em um local errado, pode gerar dores e sangramentos fora do comum.
Antes, o diagnóstico só era possível após a retirada do útero (histerectomia). Hoje, com exames modernos como ultrassom transvaginal e ressonância magnética, já é possível identificar a doença de forma precoce e sem cirurgia.
Existem dois tipos principais:
- Adenomiose difusa: quando o tecido está espalhado por várias áreas do útero.
- Adenomiose focal: quando aparece em forma de nódulo isolado, chamado de adenomioma.
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Por que a adenomiose acontece?
Ainda não existe uma resposta definitiva, mas os especialistas têm algumas explicações. A hipótese mais aceita é a de que microlesões no útero, muitas vezes causadas por cirurgias como cesarianas ou curetagens, permitem que o tecido endometrial “invada” a camada muscular.
Outras teorias falam em falhas durante o desenvolvimento embrionário, resposta exagerada a lesões repetidas ou até fatores relacionados às células-tronco.
Além disso, alguns fatores aumentam as chances de desenvolver adenomiose:
- Exposição prolongada ao estrogênio (menarca precoce, ciclos menstruais curtos, obesidade, uso de certos medicamentos).
- Cirurgias uterinas prévias.
- Ter tido várias gestações.
- Idade entre 30 e 40 anos, embora casos em mulheres mais jovens estejam aumentando.
- Histórico de depressão ou uso de antidepressivos.
- Gravidez ectópica.
Sintomas mais comuns
Uma das grandes dificuldades em diagnosticar a adenomiose é que os sintomas podem variar bastante.
Algumas mulheres não sentem nada, enquanto outras relatam sintomas intensos que atrapalham a rotina.
Os mais frequentes são:
- Cólica menstrual intensa (dismenorreia), que costuma piorar ao longo dos anos.
- Sangramento menstrual abundante, muitas vezes com coágulos.
- Dor pélvica crônica, mesmo fora do período menstrual.
- Dor durante a relação sexual (dispareunia).
É importante destacar que a adenomiose pode aparecer junto com outras condições, como miomas e endometriose, o que torna o diagnóstico ainda mais desafiador.
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Como é feito o diagnóstico?
O médico pode suspeitar da doença a partir dos sintomas e do exame físico, em alguns casos, o útero pode estar aumentado e mais sensível.
Mas o diagnóstico de fato é feito com exames de imagem:
- Ultrassom transvaginal: é o primeiro exame pedido, acessível e com bons índices de precisão.
- Ressonância magnética: indicada em casos de dúvida ou quando o ultrassom não é conclusivo.
Exames laboratoriais podem ajudar a descartar outras doenças, mas não existem marcadores específicos para a adenomiose.
Tratamentos disponíveis
O tratamento vai depender de três fatores principais: a intensidade dos sintomas, a idade da paciente e o desejo de preservar a fertilidade.
Opção definitiva: histerectomia
A retirada do útero é considerada a única cura definitiva para a adenomiose. Geralmente é indicada quando a mulher não deseja mais engravidar e apresenta sintomas muito fortes que não melhoram com outras medidas.
Opções medicamentosas
Quando a prioridade é controlar sintomas e manter o útero, entram em cena os medicamentos:
- Anti-inflamatórios (AINEs): aliviam a dor.
- Hormônios: incluem anticoncepcionais orais, o DIU (Dispositivo Intrauterino) com levonorgestrel (considerado tratamento de primeira escolha), agonistas de GnRH e outros moduladores hormonais.
Procedimentos minimamente invasivos
Para quem não responde bem às medicações e quer evitar uma cirurgia maior:
- HIFU (ablação por ultrassom focado).
- Embolização da artéria uterina, que reduz o fluxo sanguíneo do útero.
- Cirurgias conservadoras, como a adenomiomectomia, indicadas em casos selecionados.
Adenomiose, fertilidade e qualidade de vida
A relação entre adenomiose e infertilidade ainda é estudada, mas as evidências mostram que ela pode reduzir as chances de sucesso em tratamentos como a fertilização in vitro (FIV) e aumentar o risco de aborto espontâneo.
Além disso, os sintomas, cólicas fortes, sangramentos intensos e dor pélvica constante, têm um impacto profundo no bem-estar, comprometendo trabalho, vida social e autoestima.
Por isso, o tratamento deve sempre ter como meta não apenas controlar a doença, mas também devolver qualidade de vida à paciente.
Perguntas frequentes
- Adenomiose é o mesmo que endometriose?
Não. Na adenomiose, o tecido cresce dentro do músculo uterino. Na endometriose, ele cresce fora do útero. - Existe cura sem cirurgia?
Não existe cura definitiva sem histerectomia, mas há diversos tratamentos que controlam os sintomas e preservam o útero. - Como confirmar o diagnóstico sem cirurgia?
O ultrassom transvaginal e a ressonância magnética são os exames de escolha. - A adenomiose sempre afeta a fertilidade?
Nem sempre, mas pode dificultar a gravidez e aumentar o risco de abortos. - Quais são os melhores tratamentos para quem deseja engravidar?
DIU com hormônio, terapias medicamentosas específicas e, em alguns casos, cirurgias conservadoras. Tudo depende do caso individual.
Fontes consultadas
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