Segundo os dados do III Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD), o consumo de cannabis na adolescência entre meninas apresentou aumento significativo em comparação ao levantamento realizado em 2012. Em 2023, por outro lado, observou-se redução do uso entre adolescentes do sexo masculino. Esse crescimento é particularmente expressivo entre meninas de 14 a 17 anos, faixa etária em que o consumo de cannabis mais do que triplicou.
Conforme o módulo Consumo de Cannabis e SPA (exAT) na População Brasileira, do LENAD, em 2012, 2,1% das adolescentes relataram que já consumiram maconha durante a vida, com 1,3% indicando a consumação recentemente, pelo menos no último ano.
Porém, nos dados de 2023, estes números passaram de 2,1% para 7,9% e de 1,3% para 4,6%, o que resultou no crescimento maior do que o triplo, em ambos os casos.
Por outro lado, no levantamento de 2012, ao público masculino jovem, a contabilidade era de 7,3% (uso na vida) e 5,7% (uso recente). Mas, em 2023 houve uma queda para 4,6% e 2,3%, respectivamente.
Razões para o aumento do uso de cannabis entre meninas adolescentes
Embora estas não sejam motivações que só atingem meninas, podemos considerar fatores, como: problemas de autoimagem, baixa autoestima e dificuldades para serem aceitas em grupos sociais. Além do mais, devemos acrescentar outros aspectos:
- curiosidade;
- pressão de amigos;
- saúde mental fragilizada;
- fácil disponibilidade nas ruas e/ou ambientes familiares;
- autoafirmação;
- influência de alguns conteúdos da mídia e cultura pop que romantizam a substância;
- desejo de testar os limites ao fazer algo novo ou arriscado;
- alívio do tédio;
- relaxar e esquecer dos problemas;
- vontade de ter a sensação de autonomia da própria vida;
- falta de diálogo adequado nas escolas e na família.
Efeitos colaterais que atrapalham a vida da adolescente
Os efeitos nocivos da maconha tendem a ser mais intensos, na medida em que jovens possuem menos idade. Isso porque a utilização durante a adolescência prejudica o desenvolvimento de circuitos no cérebro para regulação emocional, tomadas de decisão e aprendizado.
Nesse sentido, pelos danos que a cannabis pode causar ao desenvolvimento cerebral, o uso na adolescência pode resultar em alterações cognitivas que se prolongam até a vida adulta.
De fato, o tetrahidrocanabinol (THC), principal composto psicoativo da cannabis, exerce maior impacto sobre o cérebro em desenvolvimento e está associado ao aumento do risco de transtornos de saúde mental.
Além disso, independente se a experiência é esporádica ou frequente, apenas o ato de usar cannabis pode desencadear uma série de efeitos colaterais que se desenvolvem rapidamente. Por exemplo:
- impactos na saúde emocional;
- danos no pulmão;
- queda de desempenho escolar;
- dificuldade em manter a concentração;
- mais problemas emocionais e acadêmicos do que adolescentes sóbrios;
- perda de interesse por planos que antes faziam sentido;
- esquizofrenia;
- psicose;
- piora no humor;
- desmotivação;
- efeitos negativos e duradouros sobre funções cognitivas;
- depressão;
- ansiedade;
- comportamento impulsivo;
- ao depender do nível de dependência química, a jovem pode se viciar rapidamente;
- se acostumar rápido com o efeito e passar a usar uma maior quantidade de maconha, na busca de ter a forte sensação semelhante aos primeiros dias de consumo;
- vontade de consumir drogas mais fortes.
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Formas de prevenção
Estabelecer discurso punitivo e estimular medo não é o melhor caminho para prevenir a utilização de cannabis. Em suma, a medida recomendável é reservar tempo a fim de estabelecer conversas francas, de forma frequente e sem julgamentos. Também não devemos exagerar ou minimizar os verdadeiros riscos da substância.
Efetivamente, vale a pena falar sobre a cannabis desde cedo. Acima de tudo, o público adolescente necessita compreender que o fato de ser algo natural não garante um uso seguro. Ademais, os pais precisam ter atenção aos sinais de alerta para tomar as devidas providências.
Minha filha fuma maconha: como conversar, impor limites e buscar ajuda
Realizar esta descoberta é um passo importante, assim você sabe o que acontece de fato e consegue agir da melhor forma, para ajudar na reabilitação da sua filha. Neste contexto, algumas práticas essenciais são:
- evitar sentir culpa pela situação e começar a prestar mais atenção nos comportamentos da filha;
- não tolerar o uso de drogas dentro ou fora de casa;
- ter um diálogo com tom acolhedor;
- buscar ajuda profissional: médico, psicólogo e/ou psiquiatra;
- estabelecer limites como a obrigação de chegar mais cedo em casa;
- recompensar os esforços da adolescente para corrigir o comportamento;
- caso amigos estejam envolvidos, considere conversar com os pais deles, o que pode ajudar na recuperação de terceiros;
- procure ter a consciência de que dependência química é uma doença, portanto, evite julgamentos;
- nos casos graves, pode ser necessária uma internação voluntária ou involuntária.
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Perguntas frequentes
Qual a droga mais utilizada na adolescência?
Entre as drogas ilícitas, a cannabis é a mais utilizada por adolescentes. Já quanto às drogas lícitas, as principais são álcool e cigarro.
O que a droga pode causar na adolescência?
Na adolescência, drogas como a cannabis podem causar taxas mais elevadas de dependência e diversos transtornos de saúde mental que tendem a se prolongar até à fase adulta.
Qual é a etapa mais difícil para um dependente químico?
Estando ou não na fase de recuperação da dependência, a etapa mais difícil para um dependente químico é a abstinência. Essa condição gera fissuras (forte desejo de utilização da droga) e extrema ansiedade, mas os sintomas intensos passam com o tempo e o tratamento adequado.
Rede de cuidados para adolescentes: tratamento e acompanhamento especializado na SPDM
Com diversos serviços especializados no tratamento da dependência química, inclusive vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS), a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) é referência no atendimento dentro do estado de São Paulo e em outras regiões brasileiras.
Entre os principais serviços, disponibilizamos tratamentos psicológicos e psiquiátricos, assim como processos seguros de desintoxicação supervisionada. Veja onde estão os nossos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
Considerações finais
Diante deste crescimento do uso de cannabis por parte das jovens, cabe aos pais entender qual a razão do uso da droga, os efeitos colaterais nocivos ao desenvolvimento cerebral, as formas de prevenção e os sinais da dependência química, para intervir o quanto antes.
Como uma das possibilidades de atendimento humanizado gratuito para tratar pessoas dependentes de drogas existem os serviços gerenciados pela SPDM, com foco em saúde tanto mental como física, uma organização que segue as principais diretrizes éticas e científicas.
Fontes consultadas
LENAD.UNIAD.ORG.BR. Consumo de Cannabis e SPA (exAT) na População Brasileira. Disponível em: https://lenad.uniad.org.br/resultados/lenad-iii-consumo-de-cannabis-e-spa-exat/
REVISTACRESCER.GLOBO.COM. Nem precisa ser vício: estudo mostra que uso esporádico de maconha já afeta o cérebro dos adolescentes.
BJIHS.EMNUVENS.COM.BR. A associação entre o uso de cannabis com o desenvolvimento de esquizofrenia. Disponível em:
GETSMARTABOUTDRUGS.GOV. Why do teens use drugs? Disponível em: https://www.getsmartaboutdrugs.gov/family/why-do-teens-use-drugs
FOLHA.UOL.COM.BR. Uso de drogas na adolescência afeta o desenvolvimento do cérebro e pode causar até psicose. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2025/08/uso-de-drogas-na-adolescencia-afeta-o-desenvolvimento-do-cerebro-e-pode-causar-ate-psicose.shtml
JORNAL.USP.BR. Consumo de maconha na adolescência pode causar infertilidade na fase adulta. Disponível em https://jornal.usp.br/atualidades/consumo-de-maconha-na-adolescencia-pode-causar-infertilidade-na-fase-adulta/
FORBES.COM. Data shows young women use more cannabis than men here is why. Disponível em: https://www.forbes.com/sites/sarahsinclair/2024/12/18/data-shows-young-women-use-more-cannabis-than-men–heres-why/
NEWS.UMICH.EDU. Cannabis, hallucinogen use among adults is still at historic highs. Disponível em https://news.umich.edu/cannabis-hallucinogen-use-among-adults-still-at-historic-highs/
PLANALTO.GOV.BR. Lei nº 11.343. Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13840.htm