Andropausa: Uma Condição de Saúde Masculina em Foco

Homem sentado na cama com expressão de preocupação.

A andropausa, muitas vezes referida como a “menopausa masculina”, representa um fenômeno de saúde cada vez mais reconhecido que afeta milhões de homens em todo o mundo. 

Embora não seja tão abrupta ou universal quanto sua contraparte feminina, essa condição traz consigo uma série de mudanças físicas, emocionais e sexuais que podem impactar significativamente a qualidade de vida. 

Este texto visa explorar a andropausa em profundidade, desde sua definição e diagnóstico até as opções de tratamento e estratégias de prevenção, sempre com base em evidências científicas e linguagem acessível.

O que é a Andropausa?

A andropausa é um termo que deriva do grego “andras” (homem) e “pause” (cessação), significando literalmente a “cessação masculina”. No entanto, é mais precisamente descrita como uma síndrome associada a um declínio na satisfação sexual ou na sensação de bem-estar geral, acompanhada de baixos níveis de testosterona em homens mais velhos

Trata-se de um declínio generalizado dos hormônios masculinos, principalmente a testosterona e a deidroepiandrosterona (DHEA), que ocorre em homens de meia-idade e idosos.

Esta condição é conhecida por diversos nomes, incluindo hipogonadismo de início tardio, climatério masculino, androclise, deficiência androgênica em homens idosos (ADAM) e síndrome do homem idoso. 

Embora a testosterona comece a diminuir após os 40 anos, a andropausa propriamente dita corresponde à idade em que um limiar patogênico é alcançado. É importante notar que a comunidade científica ainda debate se a andropausa deve ser considerada uma condição de doença que requer tratamento, ao contrário de condições como a osteoporose, que são amplamente aceitas.

Andropausa vs. Menopausa: Compreendendo as diferenças

A principal distinção entre andropausa e menopausa reside na sua natureza e progressão.

  • Menopausa: é um processo universal, bem caracterizado e com tempo definido, associado à falência gonadal absoluta nas mulheres, marcada por uma perda precipitada de estrogênio.
  • Andropausa: caracteriza-se por um início insidioso e progressão lenta. O declínio da função testicular em homens é gradual, e os sintomas associados são frequentemente vagos e inespecíficos. Ao contrário da menopausa, a capacidade reprodutiva masculina geralmente é preservada; homens mais velhos ainda podem ser pais, apesar do declínio na performance sexual e libido. A testosterona geralmente diminui de forma gradual, cerca de 1% a 1,5% anualmente, a partir dos 35 anos. Essa redução nos níveis totais de testosterona pode não ser observada em todos os homens até a sexta década de vida.

Outra diferença notável é que o termo “andropausa” não está incluído na classificação médica CID 10 (Classificação Internacional de Doenças) da Organização Mundial da Saúde (OMS), o que contrasta com a menopausa.

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Principais sintomas

Os sintomas da andropausa são variados e afetam múltiplas esferas da vida do homem, resultantes do declínio generalizado dos hormônios masculinos.

1 – Sintomas sexuais:

  • Perda de libido (o sintoma mais consistentemente associado).
  • Disfunção erétil, incluindo ereções menos fortes e diminuição das ereções matinais.
  • Diminuição do desejo e da performance sexual.

2- Sintomas físicos:

  • Fadiga e baixa energia.
  • Perda de massa muscular e força, acompanhada de um aumento da gordura corporal, principalmente na região abdominal.
  • Osteopenia e osteoporose, com diminuição da densidade óssea e risco aumentado de fraturas.
  • Ondas de calor e sudorese excessiva.
  • Problemas de sono, como dificuldade em adormecer ou dormir profundamente, acordar cedo e sentir-se cansado, e aumento da necessidade de sono.
  • Diminuição do crescimento da barba e dos pelos corporais, e, em alguns casos, ginecomastia (desenvolvimento das mamas).

3 – Sintomas emocionais e psicológicos:

  • Depressão e mudanças de humor.
  • Aumento da irritabilidade, nervosismo e ansiedade.
  • Perda de motivação, diminuição do “prazer na vida” e sensação de estagnação ou de que a vida perdeu sentido.
  • Declínio do desempenho cognitivo, como dificuldade de concentração e problemas de memória, particularmente a memória visuoespacial.

Os sintomas iniciais podem ser vagos, como diminuição dos níveis de energia subjetivos, aumento da irritabilidade, declínio do humor, declínio do desempenho cognitivo e perda de ereções matinais. A intensidade e a manifestação desses sintomas podem variar consideravelmente entre os indivíduos.

Causas hormonais e fatores de risco

A diminuição da testosterona com o envelhecimento é multifatorial e contribui para o desenvolvimento da andropausa.

Causas hormonais

  • Redução da produção de testosterona e DHEA: as células de Leydig nos testículos são as principais responsáveis pela produção de testosterona. Com a idade, ocorre uma redução gradual tanto no número absoluto de células de Leydig quanto na capacidade de produção hormonal das células remanescentes.
  • Aumento da Globulina Ligadora de Hormônios Sexuais (SHBG): os níveis de SHBG aumentam com a idade, o que resulta em maior ligação da testosterona circulante. Isso diminui a quantidade de testosterona livre e biologicamente ativa disponível para os tecidos, uma vez que apenas a testosterona livre e a fracamente ligada à albumina são consideradas biologicamente ativas.
  • Disfunção do Eixo Hipotálamo-Hipófise-Gonadal (HPG): alterações na dinâmica do eixo HPG, que regula a produção hormonal, também contribuem para a diminuição da produção testicular de testosterona.

Fatores de Risco

Além das mudanças hormonais naturais do envelhecimento, diversos fatores podem influenciar o início e a gravidade da andropausa:

  • Idade Avançada: é o principal fator de risco, com a prevalência de andropausa aumentando significativamente com o envelhecimento. A testosterona diminui cerca de 1% ao ano após os 30 anos, e em homens com 80 anos, os níveis hormonais podem retornar a níveis pré-puberdade.
  • Doenças Crônicas: obesidade (especialmente a abdominal), diabetes mellitus tipo 2, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), doenças inflamatórias artríticas, doença renal, infecção por HIV, síndrome metabólica e hemocromatose estão associadas a níveis mais baixos de testosterona.
  • Estilo de Vida: o estresse (incluindo o estresse psicossocial relacionado ao trabalho), dieta inadequada, tabagismo excessivo, consumo de álcool, falta de sono e sedentarismo podem acelerar o declínio da testosterona e exacerbar os sintomas.
  • Medicações: certos medicamentos, como corticosteroides, cimetidina, espironolactona, digoxina, analgésicos opioides, antidepressivos e antifúngicos, podem temporariamente ou permanentemente diminuir os níveis de testosterona.
  • Fatores Hereditários: a predisposição genética também pode desempenhar um papel na suscetibilidade à andropausa.

É importante ressaltar que o limiar de testosterona no qual os sintomas se manifestam varia entre os indivíduos, e nem todos os homens com níveis baixos de testosterona desenvolverão sintomas clinicamente significativos.

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Impactos na saúde e qualidade de vida

A andropausa pode ter amplos impactos na saúde e no bem-estar geral dos homens.

  • Saúde cardiovascular: existe uma provável relação causal entre baixos níveis de andrógenos e o aumento do risco cardiovascular. Estudos indicam que baixos níveis de testosterona estão associados a uma maior incidência de doença arterial coronariana e a um perfil lipídico potencialmente aterogênico, caracterizado por triglicerídeos elevados e baixos níveis de HDL-colesterol. A idade avançada é, por si só, um fator de risco significativo para a insuficiência cardíaca. Modelos experimentais em camundongos deficientes em testosterona mostraram pressão arterial elevada, disfunção endotelial, remodelação vascular e inflamação.
  • Saúde óssea: homens hipogonadais apresentam taxas mais elevadas de osteopenia, osteoporose e fraturas. A testosterona desempenha um papel protetor, aumentando a atividade osteoblástica (formação óssea) e, quando aromatizada em estrogênio, reduzindo a atividade osteoclástica (reabsorção óssea), o que contribui para a densidade mineral óssea.
  • Composição corporal: o declínio da testosterona leva à perda de massa muscular e força, bem como ao aumento da gordura corporal, especialmente a gordura abdominal. A terapia com testosterona pode ajudar a reverter essas mudanças, diminuindo a massa gorda e aumentando a massa magra.
  • Função cognitiva: níveis reduzidos de testosterona têm sido associados a disfunção cognitiva em adultos idosos, incluindo declínio na memória verbal e visual, e no desempenho visuoespacial.
  • Bem-estar e qualidade de vida: a andropausa compromete a qualidade de vida, afetando o humor, os níveis de energia, o desejo sexual e a resistência. A autoavaliação positiva da saúde, que se correlaciona com menor mortalidade, é frequentemente prejudicada. Em casos extremos, a andropausa pode levar à fragilidade, um estado de reserva funcional reduzida e capacidade adaptativa prejudicada. A terapia com testosterona tem demonstrado melhorar o desejo sexual, a ereção, os níveis de energia, a capacidade de exercício e a sensação geral de alegria de viver, além de diminuir a depressão.
  • Anemia: a deficiência de testosterona pode causar uma diminuição de 10-20% na concentração de hemoglobina, pois os andrógenos estimulam a eritropoiese (produção de glóbulos vermelhos).
  • Consequências a longo prazo: além dos impactos imediatos, o declínio dos níveis de testosterona pode levar a alterações na arquitetura óssea, composição corporal, força muscular, funções cognitivas e humor, bem como efeitos negativos na pele e no cabelo ao longo do tempo.

Diagnóstico e exames recomendados

O diagnóstico da andropausa requer uma abordagem dupla: a avaliação dos sintomas e a confirmação laboratorial.

  • Avaliação Clínica dos Sintomas: o diagnóstico é estabelecido pela presença de sintomas e sinais sugestivos de deficiência de testosterona. A baixa libido é o sintoma mais associado ao hipogonadismo. Outras manifestações incluem disfunção erétil, diminuição da massa muscular e força, aumento da gordura corporal, osteoporose e humor deprimido.
  • Questionários de Rastreamento:
    • Questionário ADAM (Androgen Deficiency in the Aging Male): embora identifique pacientes com baixos níveis de testosterona com alta sensibilidade (88%), sua especificidade é baixa (60%), não sendo recomendado para diagnóstico definitivo.
    • Questionário AMS (Aging Male Symptom): similar ao ADAM, também possui baixa especificidade (30%) para o diagnóstico de hipogonadismo.
    • qADAM (quantitative Androgen decline in aging male): utiliza uma escala Likert para quantificar os sintomas, com pontuações de 14 a 49 indicando sintomas leves, acima de 50 moderados e de 51 a 85 graves.
  • Exames Laboratoriais:
    • Testosterona Total e Testosterona Livre no Soro: são os exames cruciais. A coleta deve ser realizada entre 07:00 e 11:00 da manhã para considerar o ritmo circadiano. Os níveis normais de testosterona total variam entre 300–1000 ng/dL (10,4–35 nmol/L).
      • Critérios para LOH: a presença de três sintomas sexuais (diminuição da libido, ereções matinais e disfunção erétil) combinada com um nível de testosterona total inferior a 11 nmol/l (aproximadamente 317 ng/dL) e testosterona livre inferior a 220 pmol/l (aproximadamente 63 pg/mL) é considerada o mínimo para o diagnóstico.
      • Níveis de testosterona total acima de 12 nmol/L (346 ng/dL) ou testosterona livre acima de 250 pmol/L (72 pg/mL) geralmente não indicam necessidade de substituição.
      • Níveis abaixo de 8 nmol/L (231 ng/dL) ou testosterona livre abaixo de 180 pmol/L (52 pg/mL) geralmente requerem substituição.
      • Se os níveis estiverem entre 8 e 12 nmol/L, é recomendável repetir a medição e incluir a SHBG para um cálculo mais preciso da testosterona livre ou biodisponível.
    • SHBG (Globulina Ligadora de Hormônios Sexuais): sua medição é importante quando os níveis de testosterona total estão no limite inferior do normal, pois alterações nos níveis de SHBG (diminuída em obesidade, diabetes; aumentada com idade, doença hepática) podem afetar a testosterona biodisponível.
    • LH (Hormônio Luteinizante) e FSH (Hormônio Folículo-Estimulante): a medição desses hormônios ajuda a diferenciar entre hipogonadismo primário (níveis elevados de LH/FSH, indicando problema nos testículos) e hipogonadismo secundário ou central (níveis normais ou baixos de LH/FSH, sugerindo problema na hipófise ou hipotálamo).
    • Exclusão de outras Condições: é fundamental descartar outras condições que possam mimetizar os sintomas, como depressão, hipotireoidismo, alcoolismo crônico e o uso de certos medicamentos.

Tratamentos disponíveis

O tratamento da andropausa visa aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida. As opções incluem a terapia de reposição hormonal (TRH) e mudanças no estilo de vida.

Terapia de reposição de testosterona (TRT)

A TRT é clinicamente indicada para homens com deficiência comprovada ou ausência de testosterona endógena devido a hipogonadismo primário ou secundário, acompanhada de sintomas. Homens sintomáticos com níveis de testosterona total abaixo de 300 ng/dL (10,4 nmol/L) podem ser candidatos.

  • Benefícios Potenciais:
    • Função Sexual: melhora da libido, ereção, pensamentos sexuais e satisfação geral.
    • Composição Corporal: redução da massa gorda e aumento da massa muscular e força.
    • Densidade Óssea: aumento da densidade mineral óssea, especialmente na coluna lombar, ajudando a prevenir osteopenia e osteoporose.
    • Humor e Bem-Estar: efeitos benéficos no humor, especialmente em pacientes com hipogonadismo e HIV/AIDS (Vírus da Imunodeficiência Humana). Melhora significativa na qualidade de vida.
    • Função Cognitiva: pode haver um benefício no desempenho cognitivo, como memória verbal e visual.
    • Metabolismo: potencial para melhorar a sensibilidade à insulina e desfechos cardiorrespiratórios e musculares em homens com insuficiência cardíaca crônica. Pode reduzir o risco de síndrome metabólica.
    • Anemia: estimula a eritropoiese, aumentando a contagem de reticulócitos e a hemoglobina.
  • Formas de Administração:
    • Oral: testosterona undecanoato (evita o metabolismo de primeira passagem), mesterolona. Pode ter meia-vida curta e exigir dosagem frequente, com risco de hepatotoxicidade em uso prolongado.
    • Injetável (Intramuscular): cipionato e enantato de testosterona. Oferecem duração mais longa, mas podem causar picos de testosterona suprafisiológicos e não mimetizam a variação circadiana natural.
    • Transdérmica (Adesivos ou Géis): géis hidroalcoólicos de testosterona. São populares por mimetizar a variação circadiana e ter menor risco de hepatotoxicidade. Podem causar irritação cutânea local.
    • Implantes Subcutâneos: oferecem liberação prolongada, mas há risco de extrusão ou infecção local.
  • Contraindicações e Riscos:
    • Absolutas: câncer de próstata ou mama preexistente, hematócrito > 54-55%.
    • Relativas: apneia obstrutiva do sono grave não tratada, insuficiência cardíaca congestiva grave não controlada e sintomas obstrutivos urinários graves devido a hiperplasia prostática benigna (HPB) com IPSS > 19.
    • Riscos Potenciais: a TRT pode estimular o crescimento de um câncer de próstata subjacente (embora não haja evidências conclusivas de que cause o câncer), exacerbar a HPB, piorar a apneia do sono, causar ginecomastia, policitemia (aumento do hematócrito), acne, pele oleosa, sensibilidade nas mamas e, em algumas formas orais, hepatotoxicidade. A relação com doenças cardiovasculares ainda é controversa, mas alguns estudos sugerem que níveis mais elevados de testosterona podem ter um efeito benéfico.
  • Monitoramento: É fundamental para a segurança e eficácia da TRT. Deve incluir:
    • Medições regulares de testosterona para garantir níveis dentro da faixa normal.
    • Exames de PSA (Antígeno Prostático Específico) e toque retal (DRE) para monitorar a saúde da próstata.
    • Hemograma completo (especialmente hematócrito) para verificar a policitemia.
    • Avaliação dos sintomas para determinar a eficácia do tratamento.

Terapias complementares e mudanças no estilo de vida

Além da TRT, ou em combinação com ela, mudanças no estilo de vida são cruciais.

  • Atividade Física Regular e Perda de Peso: exercícios e a perda de peso são fortemente recomendados para homens hipogonadais com obesidade, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica. A perda de peso pode inclusive reverter o hipogonadismo associado à obesidade.
  • Dieta Balanceada: uma alimentação saudável e equilibrada contribui para a saúde geral e pode otimizar os níveis hormonais.
  • Gerenciamento do Estresse: técnicas de relaxamento e manejo do estresse são importantes para o bem-estar psicológico e hormonal.
  • Moderação no Consumo de Tabaco e Álcool: reduzir ou eliminar esses hábitos pode ter um impacto positivo nos níveis de testosterona e na saúde geral.

Estratégias de prevenção e cuidados a longo prazo

A prevenção e o cuidado a longo prazo são essenciais para lidar com a andropausa e seus impactos.

  • Manutenção de um Estilo de Vida Saudável:
    • Um estilo de vida saudável, que inclui dieta balanceada, exercícios físicos regulares e gerenciamento do estresse, pode desacelerar o declínio da testosterona e mitigar os sintomas da andropausa.
    • A moderação no consumo de tabaco e álcool também é crucial para a saúde hormonal e geral.
  • Monitoramento Regular da Saúde:
    • Homens, especialmente a partir dos 30 ou 40 anos, devem considerar o monitoramento regular de sua saúde, incluindo exames hormonais, se apresentarem sintomas.
    • A avaliação da densidade óssea em intervalos de 2 anos é aconselhável para homens hipogonadais.
    • No caso de TRT, o monitoramento contínuo e rigoroso de testosterona, PSA, exame de toque retal e hematócrito é imperativo.
  • Educação e Conscientização:
    • Aumentar a conscientização pública sobre os sinais e sintomas da andropausa é fundamental para que os homens busquem ajuda médica e gerenciem seus problemas de saúde sexual e geral de forma mais eficaz.
  • Abordagem Multidisciplinar:
    • Devido à complexidade da andropausa, um programa multidisciplinar envolvendo endocrinologistas, urologistas, cardiologistas, geriatras e outros especialistas pode fornecer o cuidado mais adequado para o homem idoso sintomático com hipogonadismo comprovado.

Conclusão

A andropausa é uma realidade que afeta a saúde e a qualidade de vida de muitos homens à medida que envelhecem. Caracterizada pela redução gradual dos níveis de testosterona, ela pode manifestar-se por uma série de sintomas físicos, emocionais e sexuais que, se não abordados, podem levar a sérios problemas de saúde, como doenças cardiovasculares e osteoporose.

Embora ainda haja debates na comunidade científica sobre alguns aspectos da andropausa e da terapia de reposição de testosterona (TRT), é inegável que a condição impacta significativamente o bem-estar masculino. O diagnóstico preciso, baseado na avaliação clínica dos sintomas e na confirmação laboratorial dos baixos níveis de testosterona, é o primeiro passo para o tratamento.

A TRT oferece benefícios potenciais para homens hipogonadais, melhorando a função sexual, a composição corporal, a densidade óssea, o humor e a qualidade de vida. No entanto, sua administração exige acompanhamento médico rigoroso e monitoramento constante de possíveis riscos e efeitos colaterais. A idade, por si só, não é uma contraindicação para a TRT, desde que a avaliação seja completa e os riscos e benefícios discutidos.

Além das intervenções médicas, as mudanças no estilo de vida, como uma dieta balanceada, exercícios regulares, controle de peso e gerenciamento do estresse, são fundamentais para atenuar os sintomas e promover um envelhecimento saudável.

Em suma, a andropausa é uma condição complexa que merece atenção e cuidado. Buscar acompanhamento médico é essencial para obter um diagnóstico correto, discutir as melhores opções de tratamento e estabelecer um plano de cuidados a longo prazo que vise não apenas adicionar anos à vida, mas, principalmente, adicionar vida aos anos.


Fontes consultadas

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