Não. Ao contrário do que muitos imaginam, as doenças reumáticas não afetam apenas pessoas idosas. Elas podem surgir em qualquer fase da vida, inclusive na infância e na juventude.
Existem mais de 100 tipos diferentes de doenças reumáticas como artrite reumatoide, lúpus, febre reumática e espondilite anquilosante que têm causas autoimunes, genéticas, inflamatórias ou degenerativas.
O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para preservar a mobilidade, controlar a dor e manter a qualidade de vida.
O que são doenças reumáticas
As doenças reumáticas são um conjunto de condições que afetam principalmente o sistema musculoesquelético, incluindo articulações, músculos, tendões, ligamentos e ossos.
Muitas dessas doenças também comprometem outros órgãos, como coração, pulmões, rins, pele e olhos, por isso também são chamadas de doenças sistêmicas autoimunes quando o sistema imunológico ataca o próprio corpo.
Ao contrário de uma ideia antiga e popular, reumatismo não é “coisa da idade”. Na verdade, o termo “reumatismo” é genérico e não corresponde a um diagnóstico específico.
Existem doenças reumáticas que acometem crianças (como a artrite idiopática juvenil), jovens adultos (como o lúpus) e, sim, pessoas idosas (como a osteoartrite).
Quem pode ter doença reumática?
Qualquer pessoa pode desenvolver uma doença reumática, independentemente da idade, sexo ou histórico familiar.
Algumas condições têm maior incidência em determinados grupos:
- idosos: osteoartrite, artrite gotosa, polimialgia reumática;
- mulheres jovens: lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatoide;
- homens jovens: espondilite anquilosante;
- crianças e adolescentes: febre reumática, artrite idiopática juvenil;
- população geral: fibromialgia, tendinites, bursites, síndrome do túnel do carpo.
É importante destacar que a doença não escolhe idade, e ignorar sintomas por acreditar que são “doenças de velho” pode atrasar o diagnóstico e o tratamento adequado.
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Principais tipos de doenças reumáticas por faixa etária
Em crianças e adolescentes
- artrite idiopática juvenil: inflamação crônica nas articulações antes dos 16 anos. Pode causar dor, inchaço, rigidez e atraso no crescimento;
- febre reumática: consequência tardia de infecções por estreptococos. Pode afetar coração, articulações e sistema nervoso;
- lúpus juvenil: forma sistêmica da doença autoimune, com comprometimento de múltiplos órgãos.
Em adultos jovens
- artrite reumatoide: inflamação autoimune das articulações, que pode começar entre os 20 e 40 anos, com rigidez matinal e simetria articular;
- espondilite anquilosante: inflamação da coluna e das grandes articulações, com rigidez lombar que melhora com movimento;
- lúpus eritematoso sistêmico: inflamação multissistêmica com manifestações cutâneas, articulares e viscerais;
- síndrome de Sjögren: secura ocular e bucal, associada ou não a outras doenças autoimunes.
Em idosos
- osteoartrite (artrose): desgaste da cartilagem articular com dor, rigidez e limitação funcional, muito comum após os 60 anos;
- gota: excesso de ácido úrico no sangue que forma cristais nas articulações, geralmente em homens acima de 50 anos;
- polimialgia reumática: dor e rigidez em ombros e quadris, geralmente acima dos 70 anos, associada à arterite temporal.
Sintomas comuns que merecem atenção
Alguns sinais e sintomas podem indicar a presença de uma doença reumática, mesmo em pessoas jovens:
- dor articular persistente;
- inchaço ou vermelhidão nas articulações;
- rigidez ao acordar que dura mais de 30 minutos;
- fadiga crônica e desânimo;
- febre baixa persistente;
- perda de peso não intencional;
- sensação de dormência ou formigamento nas mãos e pés;
- sensibilidade ao sol ou manchas na pele.
Esses sintomas não devem ser atribuídos automaticamente ao “crescimento” nas crianças, ao “estresse” nos jovens ou ao “envelhecimento natural” nos idosos.
É importante buscar avaliação médica com um reumatologista, que é o especialista responsável por investigar e tratar essas condições.
Por que é importante o diagnóstico precoce
Muitas doenças reumáticas são crônicas, progressivas e autoimunes, o que significa que podem evoluir lentamente, mas causar dano permanente nas articulações e órgãos se não forem tratadas a tempo.
O diagnóstico precoce permite:
- início imediato do tratamento, com maior chance de remissão;
- prevenção de deformidades articulares e incapacidade física;
- redução de dor, fadiga e limitações funcionais;
- acompanhamento especializado para prevenir complicações sistêmicas;
- melhora da qualidade de vida e do bem-estar geral.
Além disso, o tratamento moderno conta com medicamentos específicos (como imunobiológicos) que podem modificar o curso da doença quando indicados precocemente.
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Existe cura para as doenças reumáticas?
A maioria das doenças reumáticas não tem cura definitiva, mas pode ser controlada com tratamento adequado.
A meta terapêutica é alcançar remissão ou baixo nível de atividade da doença, evitando crises, preservando a função articular e prevenindo danos a longo prazo.
O plano de tratamento pode incluir:
- medicamentos anti-inflamatórios e imunomoduladores;
- reabilitação com fisioterapia e terapia ocupacional;
- acompanhamento psicológico, quando necessário;
- ajustes no estilo de vida (alimentação, sono, atividade física adaptada);
- educação em saúde e adesão ao tratamento.
O papel da SPDM no cuidado com doenças reumáticas
A Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) atua na gestão de diversas unidades de saúde pública com oferta de atendimento especializado em reumatologia, em parceria com o Sistema Único de Saúde (SUS).
Nas unidades geridas pela SPDM, os pacientes com sintomas reumáticos podem ser encaminhados para avaliação com reumatologista, receber acompanhamento multiprofissional e ter acesso a medicações fornecidas pelo SUS, sempre com foco em acolhimento, cuidado integral e promoção da autonomia funcional.
Conclusão
A ideia de que “doença reumática é doença de idoso” não se sustenta diante da realidade clínica. Esses distúrbios afetam pessoas de todas as idades, inclusive crianças e adultos jovens.
A informação correta, o reconhecimento precoce dos sintomas e o acesso ao tratamento especializado são essenciais para evitar complicações e garantir qualidade de vida.
Cuidar das articulações é cuidar da liberdade de movimento, da autonomia e da saúde como um todo. Diante de sintomas persistentes, não hesite em procurar avaliação médica. A reumatologia moderna está preparada para acompanhar pacientes em todas as fases da vida.
Fontes consultadas
- Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR). O que são doenças reumáticas? Disponível em: https://www.reumatologia.org.br/doencas-reumaticas/
- DONG, Lingli; UMEHARA, Hisanori; ZHONG, Jixin. Editorial: Rheumatic Diseases and Infection. Frontiers in Medicine (Lausanne), v. 9, p. 941678, 1 jun. 2022. DOI: 10.3389/fmed.2022.941678. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC9198567/
- HASSAN, Rola et al. Classification Criteria and Clinical Practice Guidelines for Rheumatic Diseases. In: MOHAMED, Tamer (ed.). Skills in Rheumatology [recurso eletrônico]. Springer, 2021. Cap. 25. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK585758/