O Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) já atingiu quase 4% da população mundial, em algum momento da vida.
A estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que cerca de 70% das pessoas vivenciam pelo menos um evento traumático ao longo da vida, mas a minoria desenvolve esta doença.
O tipo de evento traumático vivenciado pode potencializar a chance de TEPT. Por exemplo, as taxas são maiores após violência sexual, guerras e outros conflitos violentos.
Com menos de 1 ano na terapia, até 40% do público nesta condição consegue se recuperar.
O que é estresse pós-traumático?
O estresse pós-traumático é um transtorno mental que aparece após a vivência de situações sociais extremas. Desastres naturais, acidentes, violência e perdas são causas típicas, mas outras situações podem desencadear os sintomas.
Na prática, grande parte das pessoas que vivenciam eventos traumáticos pode apresentar algum grau de sofrimento, mas a maioria se recupera de modo natural. Por outro lado, certas pessoas desenvolvem transtornos mentais que às vezes duram anos, como o estresse pós-traumático.
De modo geral, as mulheres apresentam maior propensão a desenvolver TEPT. Outros aspectos que influenciam na probabilidade desta doença são:
- menos escolaridade;
- idade mais jovem;
- histórico familiar com transtornos mentais;
- vivenciar situações traumáticas, de modo repetido e/ou contínuo;
- sofrer lesões graves durante o acontecimento;
- falta de apoio social logo depois do trauma.
A exposição pode ser direta ou indireta:
- direta: vivenciar ou testemunhar o evento;
- indireta: saber ou ouvir de terceiros sobre um evento traumático.
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Sinais de alerta do estresse pós-traumático: fase precoce e aguda
Os primeiros sinais de alerta do TEPT revelam que a pessoa não consegue processar, de um modo saudável, o evento traumático. Podem surgir após minutos, horas, dias ou semanas.
Às vezes, estes sinais duram a curto prazo, até 30 dias. São reações naturais ao estresse agudo, mas exigem monitoramento e observação, para um controle que talvez ajude a não aumentar a intensidade ao ponto de se tornarem crônicas. Veja os alertas:
- angústia passageira;
- susto;
- insônia leve;
- nervosismo;
- mudanças rápidas de humor;
- irritabilidade;
- agitação;
- sensação de desamparo;
- tristeza;
- sentimento de culpa;
- medo;
- raiva;
- um pouco de pensamentos intrusivos com repetições do evento, como se fosse “filme”.
Impactos na saúde mental: fase de transtorno e diagnóstico
A angústia é normal após o trauma. Entretanto, se a vítima revive o evento de forma intensa, já pode ser um dos sintomas crônicos, assim como a hipervigilância e as tentativas sem sucesso de esquecer o acontecimento.
Normalmente, os impactos à saúde mental se tornam crônicos após cerca de 1 mês. A tendência é que sejam persistentes, debilitantes, capazes de atrapalhar a vida profissional, escolar, familiar e social. Os principais são:
Revivência
Surgem pensamentos indesejados e repetidos, de modo que a pessoa revive a experiência com intensa resposta emocional e fisiológica.
A imaginação cria imagens ainda piores do que o acontecimento em si, o que aumenta a sensação de medo e horror intenso. Outras características da revivência são:
- cheiro: odor do agressor;
- sons: tiros ou músicas, por exemplo;
- pesadelos e insônia crônica;
- flashbacks: sensação de estar revivendo o trauma, com perda momentânea da referência ao presente;
- pensamentos intrusivos: com intensidade, há probabilidade de cognições negativas durante as repetições das memórias. Talvez surja uma sensação de culpa ou vergonha, além da visão distorcida de si e/ou do mundo.
Hiperativação
Mesmo sem estarem em risco, as pessoas com TEPT podem sentir uma sensação de perigo constante. Por essa razão, há uma necessidade frequente de observar ao redor, na busca de alguma ameaça para a integridade física ou mental.
Os indivíduos se assustam com facilidade. Nos locais públicos, preferem manter as costas para a parede. Ruídos altos e movimentos bruscos podem gerar medo excessivo. Nas crianças, alguns impactos são:
- se culpar pelo fato, injustamente;
- reencenação do evento em desenhos ou brincadeiras.
Evitação
Essa é uma estratégia das pessoas com estresse pós-traumático que buscam evitar lembranças angustiantes. Em certos casos, mesmo com profissionais de saúde ou familiares, o indivíduo pode usar a tática de evitação, o que talvez perpetue o TEPT. Há tentativas de evitar:
- memórias;
- pensamentos;
- atividades;
- situações;
- músicas;
- locais.
Outros impactos para a saúde mental
Além dos impactos acima, no estado crônico de TEPT podem surgir outras consequências como:
- superproteção com a família;
- excesso de irritação ou raiva;
- sensação de isolamento;
- solidão;
- entorpecimento emocional;
- desespero;
- transtorno de ansiedade;
- transtorno depressivo;
- transtorno por uso de substância;
- pensamentos e comportamentos de autodestruição;
- tensão física;
- doenças cardiovasculares;
- dores de cabeça;
- sintomas gastrointestinais.
Caminhos para o tratamento do estresse pós-traumático
Embora existam diversos tratamentos para o TEPT, uma opção com mais êxito é a intervenção psicológica, com base nas evidências científicas. A terapia pode ocorrer em grupo ou individual, tanto online como presencialmente.
Há alternativas ao suporte inicial com aplicativos, sites e manuais online de autoajuda, apesar de o atendimento que envolve psicológicos e/ou psiquiatras ser a recomendação ideal. Evite ferramentas de inteligência artificial, sem comprovação científica.
As intervenções psicológicas contribuem para:
- administrar situações difíceis;
- compreender novas formas de pensar e lidar com as situações para diminuir os sintomas;
- lidar com lugares, pessoas ou eventos que desencadeiam memórias traumáticas.
Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) especialista em trauma, assim como Dessensibilização e Reprocessamento por Movimentos Oculares (EMDR), são métodos adequados ao tratamento. Na aplicação terapêutica, há técnicas como:
- exposição a gatilhos que evocam memórias traumáticas, de modo imaginário ou real;
- imaginar, recordar ou narrar memórias em um ambiente acolhedor e seguro.
Autocuidado
Para sentir um pouco mais de bem-estar geral e controlar sintomas, as pessoas com TEPT podem praticar estas medidas de autocuidado:
- na medida do possível, continue a rotina diária normalmente;
- praticar técnicas de relaxamento e exercícios de respiração para manejo do estresse;
- realizar exercícios regularmente;
- desenvolver hábitos saudáveis para o sono;
- evitar ou reduzir o uso de substâncias que possam agravar os sintomas, incluindo bebidas alcoólicas;
- conversar com pessoas de confiança sobre a experiência vivida, quando se sentir emocionalmente preparado (a).
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Perguntas frequentes
Estresse pós-traumático tem cura?
Em alguns casos, pode ocorrer remissão completa. Em outros, os sintomas podem persistir de forma crônica, embora geralmente sejam controláveis com tratamento. A evolução varia conforme fatores individuais, a gravidade do quadro e o acesso a intervenções adequadas.
Quanto tempo dura os sintomas do estresse pós-traumático?
A duração dos sintomas varia de pessoa para pessoa. Em alguns casos, eles podem diminuir ao longo de semanas ou meses. Em outros, especialmente quando não há tratamento adequado, os sintomas podem persistir por anos.
Estresse pós-traumático é grave?
Sim. O Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) pode ser uma condição grave e incapacitante, especialmente quando não é reconhecido e tratado adequadamente
Além do sofrimento emocional intenso, os sintomas podem estar associados ao desenvolvimento de outros transtornos mentais, como depressão e transtornos de ansiedade, bem como prejuízos significativos no funcionamento social, profissional e na qualidade de vida.
Tratamento na SPDM
Gerida pela Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), há uma ampla rede de unidades de saúde, com psicólogos e psiquiatras disponíveis de modo gratuito, para pacientes encaminhados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Temos um foco no atendimento que considera primordial a equidade e o total respeito humano. Praticamos apenas técnicas comprovadas pela ciência médica.
Somos uma instituição tradicional. Temos uma longa trajetória com mais de 90 anos na prestação de serviços médicos. Estamos no estado de São Paulo e em outras regiões do país. Veja nossos endereços.
Considerações finais
O TEPT é uma doença mental comum, embora afete a minoria da população mundial que vivencia situações traumáticas. O tipo, a intensidade e a frequência dos eventos traumáticos são motivos centrais que explicam se a pessoa vai desenvolver esta patologia. Contudo, as baixas condições sociais ou a genética também explicam a predisposição.
Essa condição de saúde pode gerar diversos impactos mentais, tais como: revivência, hiperativação e evitação. Aos primeiros sinais, vale a pena buscar o auxílio da psicoterapia, para tentar prevenir a intensidade sintomática que leva ao quadro crônico. Tanto o SUS como a SPDM oferecem tratamentos gratuitos.
Fontes consultadas
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BLACKDOGINSTITUTE.ORG.AU. Signs & symptoms post-traumatic stress disorder. Disponível em: https://www.blackdoginstitute.org.au/resources-support/post-traumatic-stress-disorder/signs/
NCBI.NLM.NIH.GOV. Posttraumatic Stress Disorder. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK559129/
MAYOCLINIC.ORG. Post-traumatic stress disorder (PTSD). Disponível em: https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/post-traumatic-stress-disorder/symptoms-causes/syc-20355967
NIMH.NIH.GOV. Post-Traumatic Stress Disorder. Disponível em: https://www.nimh.nih.gov/health/publications/post-traumatic-stress-disorder-ptsd