Importância da vacina de HPV

Aplicação de vacina no braço com seringa e luvas descartáveis.

O HPV é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns do mundo, associada a milhões de casos anuais no Brasil e responsável por diversos tipos de câncer, como o de colo do útero.

A vacinação surge como a forma mais eficaz de prevenção, protegendo contra os tipos mais perigosos do vírus e reduzindo drasticamente os riscos de complicações futuras.

Entender o que é o HPV, seus impactos e como a vacina funciona é essencial para reforçar a relevância dessa medida de saúde pública.

O que é o HPV e quais seus riscos?

O Papilomavírus Humano (HPV) é um vírus que afeta a pele e as mucosas, transmitido principalmente por via sexual.

Estima-se que entre 9 e 10 milhões de pessoas estejam infectadas no Brasil, com cerca de 700 mil novos casos a cada ano.

Embora muitas infecções sejam assintomáticas, algumas causam verrugas genitais e outras estão diretamente ligadas a tumores malignos, incluindo:

  • Câncer do colo do útero (associado a quase 100% dos casos)
  • Câncer de pênis
  • Câncer de ânus
  • Câncer de boca e garganta
  • Câncer de vulva e vagina

Esses dados reforçam a necessidade de prevenção primária, cujo maior recurso é a vacinação.

Por que a vacina contra o HPV é essencial?

Eficácia e proteção

A vacina contra o HPV estimula a produção de anticorpos que bloqueiam a infecção.
Estudos mostram que, aplicada entre 9 e 14 anos, induz resposta imunológica até dez vezes maior do que a adquirida naturalmente.

A versão nonavalente (HPV9) é capaz de prevenir até 90% dos cânceres de colo do útero e proteger contra verrugas anogenitais.

Já a vacina quadrivalente disponível no SUS protege contra os tipos mais frequentes e perigosos do HPV: 6 e 11 (verrugas genitais) e 16 e 18 (câncer do colo do útero).  

Disponibilidade no SUS

Desde 2014, a vacina quadrivalente é ofertada gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS).
O público-alvo inclui meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos.
Até dezembro de 2025, adolescentes de 15 a 19 anos também têm direito à imunização gratuita.

Além disso, grupos especiais como pessoas que vivem com o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), pacientes oncológicos e transplantados podem se vacinar gratuitamente até os 45 anos.

Segurança e reações

A vacina é segura e não contém vírus vivos.
Os efeitos adversos mais comuns são dor, vermelhidão e inchaço no local da aplicação.
Reações graves são extremamente raras, e contraindicações incluem gestantes e pessoas com reação severa a doses anteriores.

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Esquema vacinal

  • No SUS (quadrivalente): duas doses para meninas e meninos de 9 a 14 anos, com intervalo de seis meses.
  • Na rede privada (nonavalente):
    • De 9 a 19 anos: duas doses.
    • A partir de 20 anos: três doses.
    • Imunocomprometidos: três doses em qualquer idade.

Esse calendário garante a máxima eficácia da imunização, especialmente quando aplicada antes do início da vida sexual.

Vacina não substitui outros cuidados

Apesar da eficácia comprovada, a vacina não substitui o exame de Papanicolau, essencial para detectar precocemente lesões precursoras de câncer em mulheres de 25 a 64 anos.

Também não protege contra outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs),como HIV, sífilis e hepatite B, o que torna o uso de preservativos indispensável.

A vacina não tem efeito terapêutico: não trata lesões já existentes, mas pode evitar reinfecções ou infecções por tipos diferentes de HPV.

VEJA TAMBÉM| Importância da prevenção de ISTs

Prevenção e tratamento complementares

Além da vacinação, a prevenção inclui:

  • Uso de preservativos ( oferecem uma  proteção parcial, mas não absoluta)
  • Exames de rastreio, como o Papanicolau e testes moleculares para HPV, já incorporados pelo SUS
  • Tratamento das lesões visíveis, por métodos químicos, cirúrgicos ou imunológicos

O tratamento não elimina o vírus, apenas as lesões, que podem reaparecer, exigindo acompanhamento médico contínuo.

Metas nacionais e globais

O Brasil tem como meta vacinar ao menos 80% do público-alvo.
No cenário mundial, a Organização Mundial da Saúde (OMS) busca eliminar o câncer de colo do útero como problema de saúde pública até 2030.

A estratégia inclui vacinar 90% das meninas até os 15 anos, rastrear 70% das mulheres em duas faixas etárias e garantir tratamento a 90% das diagnosticadas.

No entanto, a baixa adesão no Brasil ainda é um desafio, influenciada por desinformação e preconceitos.
Campanhas de conscientização são fundamentais para reverter esse quadro.

Conclusão

A vacinação contra o HPV é um pilar essencial da saúde pública, capaz de prevenir milhões de casos de câncer e verrugas genitais.

Segura, eficaz e disponível gratuitamente no SUS, deve ser amplamente divulgada e incentivada, especialmente entre adolescentes e grupos de risco.

Somada ao rastreamento regular e ao uso de preservativos, a vacina é a principal aliada na luta pela redução de infecções e na eliminação do câncer de colo do útero como ameaça global.

A Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) atua na gestão de hospitais e unidades de saúde em parceria com o SUS, oferecendo informação de qualidade e serviços que reforçam a importância da prevenção.

Acesse spdm.org.br e conheça as iniciativas que promovem cuidado, conscientização e atendimento à população.

Perguntas Frequentes

1. O que é o HPV?

O HPV é o Papilomavírus Humano, um vírus que pode causar verrugas genitais e está associado a vários tipos de câncer, como colo do útero, pênis e garganta.

2. A vacina contra o HPV é gratuita no SUS?

Sim. Desde 2014, a vacina quadrivalente está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde .

3. Quem pode tomar a vacina pelo SUS?

 Meninas de 9 a 14 anos, meninos de 11 a 14 anos e, até dezembro de 2025, adolescentes de 15 a 19 anos. Grupos especiais também têm direito até os 45 anos.

4. A vacina contra o HPV é segura?

Sim. A vacina é segura, não contém vírus vivos e apresenta apenas reações leves, como dor no local da aplicação.

5. Quantas doses são necessárias?

No SUS, são duas doses para meninas e meninos de 9 a 14 anos. Em clínicas privadas, adultos podem precisar de três doses.

6. A vacina substitui o exame de Papanicolau?

Não. O exame continua sendo essencial para detectar precocemente lesões precursoras do câncer de colo do útero.

7. A vacina protege contra todas as infecções sexualmente transmissíveis?

Não. Ela previne contra os tipos de HPV mais perigosos, mas não protege contra HIV, sífilis ou hepatite B. O uso de preservativo continua necessário.

8. Quem já teve contato com o HPV pode se vacinar?

Sim. A vacina pode evitar reinfecções e proteger contra outros tipos do vírus ainda não adquiridos.

9. A vacina tem efeito terapêutico?

Não. Ela não trata lesões já existentes, apenas previne novas infecções pelos tipos cobertos.

10. Qual a meta mundial da OMS em relação ao HPV?

Eliminar o câncer de colo do útero como problema de saúde pública até 2030, ampliando a vacinação, rastreamento e tratamento.


Fontes consultadas

  1. CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DA BAHIA. Eficácia da vacina contra HPV é maior quando aplicada entre 9 e 14 anos. 9 jul. 2019. Disponível em: https://www.coren-ba.gov.br/eficacia-da-vacina-contra-hpv-e-maior-quando-aplicada-entre-9-e-14-anos/.
  2. MINISTÉRIO DA SAÚDE. HPV. [S. l.]: Ministério da Saúde, [s.d.]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/h/hpv.
  3. HERMES PARDINI. Vacina HPV Novevalente: Doses, Aplicação e Contraindicações. [S. l.]: Hermes Pardini, [s.d.]. Disponível em: https://www.hermespardini.com.br/vacina/vacina-hpv-nonavalente.
  4. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Biblioteca Virtual em Saúde. Vacina contra o HPV: a melhor e mais eficaz forma de proteção contra o câncer de colo de útero. 1 jan. 1970. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/vacina-contra-o-hpv-a-melhor-e-mais-eficaz-forma-de-protecao-contra-o-cancer-de-colo-de-utero/.
  5. INSTITUTO BUTANTAN. HPV. [S. l.]: Instituto Butantan, [s.d.]. Disponível em: https://butantan.gov.br/hpv.
  6. SECRETARIA DA SAÚDE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL. Vacinação contra HPV para jovens de 15 a 19 anos é prorrogada até o final de 2025. [S. l.]: SES/RS, 2025. Disponível em: https://saude.rs.gov.br/vacinacao-contra-hpv-para-jovens-de-15-a-19-anos-e-prorrogada-ate-o-final-de-2025.
  7. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Campanhas de vacinação: HPV. [S. l.]: Ministério da Saúde, [s.d.]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/campanhas-da-saude/vacinacao/hpv.

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