Embora socialmente aceito para maiores de 18 anos, o consumo de álcool pode ser extremamente nocivo ao organismo. E em casos mais graves, ocorre a chamada intoxicação alcoólica, em decorrência da ingestão exagerada da substância em um curto período, sobrecarregando o metabolismo do corpo. Segundo o estudo “Alcohol Intoxication and Cognition: Implications on Mechanisms and Therapeutic Strategies“, os efeitos variam desde alterações cognitivas temporárias até danos irreversíveis.
Neste texto, explicaremos os efeitos da intoxicação alcoólica, os riscos associados e como o organismo reage ao excesso.
O que é intoxicação alcoólica?
A intoxicação alcoólica é uma condição provocada pelo consumo rápido e excessivo de álcool, resultando em alta concentração de etanol no sangue. O fígado, principal órgão responsável pelo metabolismo da substância, pode processar apenas uma quantidade limitada por hora. Quando a ingestão supera essa capacidade, o álcool se acumula no organismo, provocando diversos sintomas.
É o que mostra a pesquisa “Alcohol: Effects on Neurobehavioral Functions and the Braim”, que também indica o consumo excessivo episódico como uma das principais causas da intoxicação alcoólica. Esse padrão de consumo é comum em festas, sendo especialmente preocupante entre jovens.
A intoxicação alcoólica pode ser classificada em diferentes níveis, desde leve até grave, dependendo da quantidade de álcool ingerido e da tolerância do indivíduo.
Como o álcool é metabolizado pelo organismo?
O metabolismo do álcool ocorre principalmente no fígado, em um processo que envolve enzimas como a álcool desidrogenase (ADH) e a aldeído desidrogenase (ALDH). Segundo o estudo “Alcohol metabolism in alcohol use disorder“, essas enzimas transformam o etanol em acetaldeído e, posteriormente, em acetato, que é menos tóxico ao organismo.
Porém, em casos de consumo excessivo, o fígado fica sobrecarregado, não conseguindo metabolizar todo o álcool ingerido. Isso faz com que o etanol circule no sangue, atingindo órgãos como o cérebro e provocando efeitos depressivos no sistema nervoso central.

Vale destacar ainda que fatores como genética, idade e peso corporal influenciam a velocidade de metabolização do álcool. Indivíduos com menor tolerância ao álcool, por exemplo, apresentam sintomas mais rapidamente.
Sintomas e estágios da intoxicação alcoólica
Os sintomas da intoxicação alcoólica variam de acordo com a quantidade de álcool no sangue, medida em gramas por decilitro (g/dL). Segundo o artigo “Alcohol Intoxication and Cognition: Implications on Mechanisms and Therapeutic Strategies”, supracitado no início do texto, os sintomas comuns incluem:
- Alterações no equilíbrio e na fala;
- Confusão mental;
- Náuseas e vômitos;
- Desmaios.
Conforme os níveis de álcool aumentam, os sintomas podem evoluir:
- Leve (0,03-0,12 g/dL): sensação de relaxamento, perda de inibição e dificuldades leves de coordenação.
- Moderada (0,12-0,25 g/dL): comprometimento da fala, reflexos lentos e sonolência.
- Grave (0,25-0,40 g/dL): confusão intensa, vômitos, perda de consciência e risco de depressão respiratória.
- Muito grave (>0,40 g/dL): coma alcoólico, parada respiratória e risco de morte.
De acordo com o artigo “Alcohol Intoxication and Cognition“, os efeitos mais graves ocorrem devido à depressão do sistema nervoso central. Em casos extremos de intoxicação alcoólica pode haver insuficiência respiratória ou cardíaca.
Efeitos da intoxicação alcoólica no organismo
O consumo excessivo de álcool afeta diversos sistemas do corpo, sendo que o cérebro é um dos órgãos mais prejudicados. A intoxicação causa alterações temporárias na memória, no julgamento e na coordenação motora. Além disso, o abuso frequente pode comprometer funções cognitivas permanentemente.

No sistema digestivo, o álcool irrita a mucosa gástrica, podendo provocar gastrite e vômitos. O fígado, sobrecarregado, sofre danos que, a longo prazo, podem evoluir para doenças como a esteatose hepática e a cirrose.
Além disso, a intoxicação afeta o sistema cardiovascular, causando hipotensão, taquicardia e riscos de arritmias. Segundo o estudo “Associations between Low to Moderate Consumption of Alcoholic Beverages“, mesmo pequenas quantidades de álcool podem impactar negativamente o coração.
Em casos graves, há risco de depressão respiratória, coma e morte. Por isso, é fundamental reconhecer os sinais e buscar atendimento médico em casos de suspeita de intoxicação.
Fatores de risco e grupos mais vulneráveis
Diversos fatores aumentam a vulnerabilidade à intoxicação alcoólica. Como aponta o artigo “Knowledge and Practice towards Alcohol Consumption in a Sample of University Students“, os jovens são os mais afetados devido ao padrão de consumo eventual, mas em grandes quantidades.
Além disso, indivíduos com menor massa corporal, mulheres e pessoas com histórico familiar de alcoolismo possuem maior risco. Segundo a supracitada pesquisa “Alcohol: Effects on Neurobehavioral Functions and the Braim”, fatores socioeconômicos e psicológicos também influenciam o consumo excessivo.
Doenças preexistentes, como problemas hepáticos ou cardíacos, aumentam os riscos associados à intoxicação, tornando os efeitos ainda mais graves.
Prevenção e tratamento
A prevenção da intoxicação alcoólica envolve a conscientização sobre os riscos do consumo excessivo. Campanhas educativas e políticas públicas são fundamentais para reduzir os casos, especialmente entre jovens.
Para o tratamento, a hidratação e o monitoramento médico são essenciais. Em casos graves, o paciente pode necessitar de suporte respiratório e internação em unidades de terapia intensiva.
A longo prazo, o acompanhamento psicológico e terapias, como a cognitivo-comportamental, ajudam a reduzir o risco de recaídas.
Responsabilidade e saúde
A intoxicação alcoólica é uma condição grave que exige atenção. Os efeitos no organismo vão desde alterações temporárias até danos irreversíveis, colocando a vida em risco. A conscientização sobre os limites e riscos é essencial para evitar complicações.
Adotar um consumo responsável e buscar ajuda em casos de abuso são passos fundamentais para proteger a saúde e o bem-estar.
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