O linfedema é o acúmulo anormal de líquido linfático nos tecidos, resultando em inchaço persistente, geralmente nos braços ou nas pernas.
A condição ocorre quando há comprometimento do sistema linfático, rede responsável por drenar o excesso de fluidos e participar da defesa imunológica do corpo.
É uma doença crônica e progressiva, mas que pode ser controlada com diagnóstico precoce, tratamento adequado e cuidados contínuos.
O que é linfedema?
O sistema linfático é um conjunto de vasos e gânglios (linfonodos) que transportam a linfa, um líquido transparente composto por proteínas, gorduras e células de defesa.
Quando essa rede sofre uma obstrução, lesão ou sobrecarga, a linfa deixa de circular normalmente e se acumula nos tecidos, causando inchaço e endurecimento da pele.
O linfedema pode afetar qualquer parte do corpo, mas é mais comum em braços, pernas, mamas, abdômen ou genitais.
É considerado uma doença crônica não transmissível e pode ter impacto físico, estético, psicológico e funcional significativo.
Tipos de linfedema
O linfedema é classificado em primário e secundário, de acordo com a origem da disfunção linfática.
Linfedema primário
É causado por alterações congênitas ou genéticas do sistema linfático, que podem levar à formação insuficiente de vasos ou linfonodos.
Pode surgir em diferentes idades:
- congênito: presente desde o nascimento;
- precoce: manifesta-se na puberdade ou início da vida adulta;
- tardio: aparece após os 35 anos, sem causa aparente.
Linfedema secundário
É o tipo mais comum, decorrente de danos adquiridos ao sistema linfático, como:
- cirurgias oncológicas (especialmente em câncer de mama, ginecológico ou de próstata);
- radioterapia, que pode destruir vasos linfáticos;
- infecções repetidas (como erisipela);
- traumas e queimaduras;
- insuficiência venosa crônica;
- obesidade grave, que comprime os vasos linfáticos;
- parasitoses, como a filariose linfática (elefantíase), em regiões endêmicas.
Sintomas do linfedema
Os sintomas variam conforme a gravidade e o tempo de evolução da doença.
Os principais sinais são:
- inchaço persistente em um ou mais membros;
- sensação de peso e rigidez na região afetada;
- pele espessada e endurecida (fibrose);.
- diminuição da mobilidade articular;
- alterações na textura da pele, como ressecamento, rachaduras e pequenas verrugas;
- maior propensão a infecções, como celulite ou erisipela;
- assimetria corporal visível entre os membros.
Nos estágios iniciais, o edema pode diminuir ao elevar o membro ou após o repouso. Com o tempo, torna-se irreversível, exigindo tratamento contínuo.
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Estágios do linfedema
| Estágio | Descrição |
| 0 (latente) | O sistema linfático está comprometido, mas sem inchaço visível. |
| I (reversível) | Edema leve, que melhora ao elevar o membro. Pele ainda normal. |
| II (espontaneamente irreversível) | Inchaço persistente, pele endurecida e fibrose local. |
| III (linfedema grave ou elefantíase) | Aumento expressivo do volume, deformidades e risco elevado de infecções. |
A gravidade é classificada em estágios clínicos: o diagnóstico precoce é essencial para evitar a progressão para os estágios mais avançados, quando o controle se torna mais difícil.
Diagnóstico do linfedema
O diagnóstico é clínico, baseado na história do paciente, exame físico e avaliação de fatores de risco.
O médico especialista, geralmente angiologista, cirurgião vascular ou fisiatra, pode solicitar exames complementares para confirmar a origem e o grau de comprometimento:
- ultrassonografia Doppler: Diferencia linfedema de causas venosas;
- linfocintilografia: Avalia o fluxo da linfa e possíveis obstruções;
- ressonância magnética linfática: Visualiza vasos e tecidos com maior precisão;
- bioimpedância segmentar: Mede o volume e a composição corporal do membro afetado.
O diagnóstico diferencial é importante para descartar trombose venosa profunda, insuficiência cardíaca e causas renais ou hepáticas de edema.
Tratamento do linfedema
Embora o linfedema não tenha cura definitiva, ele pode ser controlado com abordagem combinada e acompanhamento especializado.
O objetivo é reduzir o volume do edema, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida.
1. Terapia descongestiva complexa (TDC)
É o tratamento padrão internacional e envolve quatro pilares:
- drenagem linfática manual: técnica específica que estimula a circulação da linfa;
- compressão elástica: uso de faixas, bandagens ou meias compressivas sob medida;
- cuidados com a pele: higiene e hidratação para prevenir infecções;
- exercícios terapêuticos: movimentações suaves que auxiliam o retorno linfático.
2. Controle de peso e alimentação equilibrada
O excesso de peso agrava o linfedema, pois aumenta a pressão sobre os vasos linfáticos.
A dieta deve priorizar alimentos naturais, baixos em sódio e ricos em antioxidantes, como frutas, legumes e gorduras boas.
3. Fisioterapia e reabilitação
Programas de reabilitação auxiliam na mobilidade, na força muscular e no retorno funcional do membro afetado.
A hidroterapia (terapia na água) pode ser indicada em casos de limitação articular.
4. Tratamento medicamentoso
Não existem medicamentos capazes de eliminar o linfedema, mas alguns podem reduzir inflamação, dor e risco de infecção, sempre sob prescrição médica.
5. Cirurgia
Indicada apenas em casos específicos, quando há deformidades graves ou infecções recorrentes.
As técnicas mais utilizadas incluem lipoaspiração do tecido fibroso e microcirurgias de anastomose linfática.
Cuidados diários para quem tem linfedema
O autocuidado é parte fundamental do tratamento. Algumas medidas simples ajudam a prevenir complicações e manter o controle da doença:
- evitar ferimentos ou cortes na região afetada;
- hidratar bem a pele para evitar fissuras;
- proteger o membro contra queimaduras e picadas de insetos;
- não usar roupas ou acessórios apertados;
- evitar carregar peso excessivo com o braço acometido;
- manter a prática regular de exercícios leves;
- procurar atendimento médico imediato diante de sinais de infecção (vermelhidão, calor, febre).
A adesão ao tratamento e o acompanhamento periódico são determinantes para conter a progressão da doença.
Linfedema e saúde emocional
Viver com linfedema pode impactar a autoestima, a imagem corporal e o convívio social.
O suporte psicológico é essencial, especialmente em casos pós-cirúrgicos ou de longa evolução.
A participação em grupos de apoio e o acompanhamento por equipe multiprofissional ajudam a promover aceitação, autocuidado e qualidade de vida.
O papel da SPDM no cuidado ao linfedema
A Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) gerencia unidades públicas de saúde em parceria com o Sistema Único de Saúde (SUS), onde pacientes com linfedema podem receber acompanhamento multidisciplinar, incluindo avaliação médica, fisioterapia e orientações de autocuidado.
Com atuação voltada à prevenção de complicações e reabilitação funcional, a SPDM reforça o compromisso com o cuidado integral e humanizado, ajudando pacientes a manter autonomia e bem-estar mesmo diante de condições crônicas.
Conclusão
O linfedema é uma condição crônica que requer atenção contínua, mas não deve ser motivo de resignação.
Com diagnóstico precoce, tratamento especializado e hábitos saudáveis, é possível controlar o inchaço, prevenir complicações e preservar a qualidade de vida.
A conscientização e o acesso a serviços de saúde especializados são fundamentais para garantir que cada paciente receba o cuidado adequado no momento certo.
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Fontes consultadas
- National Institute of Health (NIH) – MedlinePlus. Lymphedema. Disponível em: https://medlineplus.gov/lymphedema.html
- International Society of Lymphology (ISL). The Diagnosis and Treatment of Peripheral Lymphedema: 2020 Consensus Document. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32521126/