A epilepsia é uma condição neurológica conhecida há séculos, mas que ainda hoje é cercada por mitos, preconceitos e informações incorretas. Essas percepções equivocadas afetam diretamente a forma como as pessoas que vivem com epilepsia são acolhidas, tratadas e compreendidas pela sociedade, além de dificultarem o diagnóstico precoce e a adesão ao tratamento adequado.
Promover informação qualificada sobre epilepsia é uma estratégia fundamental para reduzir o estigma, fortalecer o cuidado contínuo em saúde e estimular uma convivência social mais respeitosa e inclusiva.
O que é epilepsia
A epilepsia é uma condição neurológica caracterizada pela ocorrência de crises epilépticas recorrentes, resultantes de descargas elétricas excessivas ou desorganizadas no cérebro. Essas crises podem se manifestar de diferentes formas, desde episódios breves de alteração da consciência até convulsões com movimentos involuntários.
É importante destacar que a epilepsia não é uma doença única, mas um conjunto de síndromes com causas, manifestações e evoluções variadas. Ela pode estar associada a fatores genéticos, alterações estruturais do cérebro, infecções, traumatismos cranianos ou causas desconhecidas.
Com diagnóstico adequado e acompanhamento em saúde, grande parte das pessoas com epilepsia pode ter controle das crises e manter uma vida ativa e produtiva.
Mitos comuns que precisam ser superados
A desinformação sobre epilepsia contribui para o medo e o isolamento social. Um dos mitos mais frequentes é a ideia de que a epilepsia é contagiosa, o que não corresponde à realidade. A condição não é transmitida por contato físico, convivência ou compartilhamento de objetos.
Outro equívoco comum é associar a epilepsia a transtornos mentais ou limitações intelectuais. A epilepsia não define a capacidade cognitiva, emocional ou social de uma pessoa. Cada indivíduo deve ser compreendido em sua singularidade, sem generalizações ou rótulos.
Também é incorreta a crença de que pessoas com epilepsia não podem trabalhar, estudar ou participar de atividades sociais. Com acompanhamento adequado e ambiente acolhedor, essas atividades são plenamente possíveis.
A importância do diagnóstico e do acompanhamento contínuo
O diagnóstico da epilepsia é clínico e envolve avaliação médica detalhada, análise do histórico de crises e, quando indicado, exames complementares. O reconhecimento precoce da condição permite iniciar o tratamento adequado, reduzir a frequência das crises e minimizar impactos na qualidade de vida.
O acompanhamento contínuo é essencial, pois o tratamento pode exigir ajustes ao longo do tempo. Medicamentos anticonvulsivantes, quando prescritos corretamente e utilizados de forma regular, são eficazes no controle das crises para a maioria das pessoas.
Além do tratamento medicamentoso, o cuidado em saúde envolve orientação sobre fatores desencadeantes, rotina de sono, uso adequado de medicamentos e acompanhamento das condições associadas.
Conviver com epilepsia exige informação e empatia
A convivência com a epilepsia vai além do controle clínico. Ela envolve o apoio da família, da comunidade, da escola e do ambiente de trabalho. A informação correta ajuda a reduzir o medo diante das crises e orienta sobre como agir de forma segura e respeitosa quando elas ocorrem.
Criar ambientes informados e acolhedores contribui para a autonomia, a autoestima e a inclusão social das pessoas com epilepsia. O estigma, muitas vezes, causa mais impacto do que a própria condição neurológica.
O papel da informação na promoção do cuidado
Com mais de 90 anos de história dedicados à promoção da vida, a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) atua na gestão de serviços públicos de saúde, promovendo ações de educação em saúde, cuidado contínuo e acesso qualificado ao acompanhamento neurológico.
A SPDM reforça que a disseminação de informações baseadas em evidências científicas é parte fundamental da promoção da saúde e da redução de desigualdades no cuidado. Informar é também cuidar, pois fortalece a autonomia das pessoas e melhora a relação entre usuários, profissionais de saúde e a comunidade.
Informação como caminho para reduzir o estigma
Superar os mitos sobre a epilepsia é um compromisso coletivo. Quando a sociedade compreende melhor a condição, cria se um ambiente mais seguro, solidário e inclusivo para quem convive com ela.
A informação correta contribui para o diagnóstico precoce, para o tratamento adequado e para a construção de uma convivência social mais justa. Cuidar melhor começa pelo conhecimento e pela empatia.
Fontes Consultada:
Organização Mundial da Saúde. Epilepsy. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/epilepsy.