A conquista da saúde mental da população é hoje um grande desafio nos mais diversos cantos do planeta e, no Brasil, não é diferente. Neste texto, você vai entender o que é o Setembro Amarelo, bem como sua história e importância na prevenção ao suicídio.
Trata-se de uma ação fundamental em um cenário como o atual, em que a crescente pressão social, econômica e psicológica divide espaço com uma desigualdade social imensa, racismo estrutural, machismo e LGBTfobia, todos dificultando a qualidade de vida e o equilíbrio das pessoas, principalmente as mais vulneráveis.
Segundo um estudo publicado em fevereiro deste ano em The Lancet Regional Health – Americas, a taxa de suicídio entre jovens brasileiros cresceu 6% ao ano entre 2011 e 2022. Os dados são de um estudo do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), em colaboração com pesquisadores de Harvard, e tiveram por base informações do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Sistema de Informações Hospitalares (SIH) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).
Em termos percentuais, a taxa mundial de suicídios em 2019 era de 9 para 100 mil habitantes, contra 6,7 por 100 mil no Brasil. Apesar da diferença, enquanto os números mundiais caíram 36% de 2000 a 2019, a região das Américas demonstrou um aumento de 17% durante o período, e o Brasil teve o aumento mais significativo, de 43%!
Esses dados reforçam a importância do Setembro Amarelo, uma campanha nacional, encampada por instituições e sociedade civil, com objetivo de sensibilizar, informar e conscientizar as pessoas sobre a importância da prevenção ao suicídio.
O que é o Setembro Amarelo?
Embora não exista ainda uma Lei Federal sobre o tema, como é o caso do Dezembro Vermelho e do Outubro Rosa, o Setembro Amarelo acontece desde 2015 no Brasil, e todos os anos há campanhas nacionais sobre o tema. Além disso estados como Alagoas, São Paulo e Santa Catarina e dezenas de municípios possuem leis oficializando a campanha.
O mês foi escolhido porque o dia 10 de Setembro é tido internacionalmente como o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. A data tornou-se símbolo da luta desde 1994, quando Mike Emme, um jovem de 17 anos, cometeu suicídio nos Estados Unidos. Após a tragédia, seus pais distribuíram fitas amarelas em seu funeral, em referência a um automóvel Mustang 1968, que o jovem havia restaurado.
Essa ação simbólica deu origem ao Programa de Prevenção ao Suicídio Fita Amarela, que anos depois foi trazido ao Brasil, já em 2015, pela Associação Brasileira de Psiquiatria em colaboração com o Conselho Federal de Medicina, com o objetivo de aumentar a conscientização sobre a saúde mental.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, entre os jovens de 15 a 29 anos, como Mike Emme, o suicídio é a quarta principal causa de morte. A iniciativa dos pais de Mike em distribuir fitas amarelas se transformou em um símbolo internacional de esperança e ajuda, incentivando as pessoas a buscarem apoio e a falarem sobre seus sentimentos, com a fita amarela se tornando um ícone reconhecido mundialmente na luta contra o suicídio.
No Brasil, graças ao Setembro Amarelo, diferentes organizações desenvolvem publicações e debates sobre prevenção ao suicídio, realizam eventos, fomentam discussões em escolas e empresas, mobilizam a imprensa para tratar do assunto e pressionam políticos para direcionarem recursos para ações de saúde mental, entre diversas atividades ligadas ao tema.
Cartazes e painéis se espalham pelo país e locais públicos são iluminados com cor amarela, a exemplo do Cristo Redentor (RJ), do Congresso Nacional (DF), do Estádio Beira Rio (RS), entre outros. Essa visibilidade tem inspirado iniciativas semelhantes em outros países, contribuindo para um esforço global na prevenção ao suicídio e no enfrentamento dos desafios da saúde mental.
Como colaborar para o Setembro Amarelo?
Como cidadã ou cidadão, há várias formas de colaborar com o Setembro Amarelo e ajudar na prevenção ao suicídio no dia a dia. Aqui estão algumas sugestões:
- Educar-se e educar os outros: Informar-se sobre os sinais de alerta de alguém em risco de suicídio e compartilhar esse conhecimento com amigos, familiares e colegas. Saber reconhecer mudanças de comportamento, falar abertamente sobre saúde mental e estar disposto a escutar pode fazer uma grande diferença.
- Oferecer apoio emocional: Esteja disponível para ouvir e apoiar aqueles ao seu redor que possam estar enfrentando dificuldades. Muitas vezes, o simples ato de ouvir sem julgamento pode ajudar alguém a se sentir menos sozinho e mais encorajado a buscar ajuda.
- Participar e divulgar a campanha: Participe de eventos e atividades do Setembro Amarelo, como palestras, workshops e caminhadas, e use suas redes sociais para divulgar informações sobre a campanha. Isso ajuda a aumentar a conscientização e a quebrar o estigma em torno da saúde mental, incentivando mais pessoas a falar sobre o assunto e a buscar ajuda.

Quais os sinais de alerta para suicídio e o que fazer
Identificar que alguém precisa de ajuda e agir para prevenir o suicídio exige atenção, empatia e conhecimento. Aqui estão algumas dicas para reconhecer sinais de alerta e o que fazer para ajudar:
Sinais de alerta para prevenção de suicídio
- Mudanças de comportamento: Preste atenção a comportamentos incomuns, como isolamento, perda de interesse em atividades antes apreciadas, mudanças bruscas de humor, irritabilidade ou letargia.
- Falar sobre morte ou suicídio: Comentários como “Eu preferia não estar aqui” ou “Não vejo sentido em continuar” podem indicar que a pessoa está pensando em suicídio. Mesmo que sejam sutis, essas falas não devem ser ignoradas.
- Desespero ou desesperança: Se a pessoa expressa sentimentos de desamparo, como se nada pudesse melhorar, ou uma visão extremamente negativa do futuro, isso pode ser um sinal de que ela está em risco.
- Mudanças nos padrões de sono e alimentação: Alterações significativas, como dormir ou comer muito mais ou muito menos que o habitual, também podem ser indicadores de que a pessoa está enfrentando dificuldades emocionais.
- Despedidas ou doação de bens: Gestos como se despedir de amigos e familiares ou doar pertences pessoais de valor sentimental podem ser sinais de que a pessoa está considerando o suicídio.
Ações que podem ajudar:
- Conversar abertamente: Se você perceber sinais de alerta, converse com a pessoa de forma direta e cuidadosa. Pergunte como ela está se sentindo e se ela já pensou em se machucar ou tirar a própria vida. Falar sobre suicídio não vai “plantar” a ideia, mas pode ajudar a pessoa a expressar seus sentimentos.
- Escutar sem julgamento: Ofereça um espaço seguro para que a pessoa possa falar sobre o que está sentindo. Evite interromper, minimizar seus sentimentos ou dar conselhos imediatos. O mais importante é que ela se sinta ouvida e compreendida.
- Incentivar a busca de ajuda profissional: Sugira que a pessoa procure ajuda de um profissional de saúde mental, como um psicólogo ou psiquiatra. Ofereça-se para acompanhá-la a consultas, se necessário.
- Estar presente: Mantenha contato regular com a pessoa, mostrando que você se importa. Muitas vezes, a presença e o apoio contínuo de amigos e familiares podem ser cruciais para a prevenção.
- Apoio em crise: Se a situação parecer urgente, como se a pessoa estiver em perigo imediato de se machucar, não hesite em buscar ajuda de emergência. Ligue para o CVV (Centro de Valorização da Vida) no número 188, que oferece suporte emocional 24 horas por dia, ou procure um CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) ou uma UBS (Unidades Básicas de Saúde).
Principais canais de apoio para prevenção
Os principais canais para prevenção do suicídio no Brasil oferecem suporte emocional e orientação para quem está em sofrimento ou para quem deseja ajudar alguém. Aqui estão alguns dos mais relevantes:
Centro de Atenção Integrada à Saúde Mental da Vila Mariana (CAISM VM)
- Telefone: (11) 5576-4854
- Site: spdmafiliadas.org.br
- Serviços: Resultado de um convênio entre o Estado de São Paulo, por intermédio de sua Secretaria de Estado da Saúde – SES, a Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP, e a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina – SPDM, o Caism oferece serviços acadêmicos assistenciais de saúde mental para usuários do Sistema Único de Saúde – SUS na região da Vila Mariana, na capital paulista.
- Endereço: Rua R. Maj. Maragliano, 241 – Vila Mariana, São Paulo (SP).
Serviços de Saúde Pública (SUS)
- CAPS: Centros especializados em saúde mental que oferecem atendimento gratuito para pessoas em sofrimento mental, incluindo aqueles em risco de suicídio.
- UBS: Oferecem suporte inicial e encaminhamentos para serviços especializados.
SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência)
- Telefone: Ligue 192
- Serviços: Em casos de emergência, como quando uma pessoa está em risco iminente de suicídio, o SAMU pode ser acionado para prestar socorro imediato.
Redes de Apoio e ONGs
- Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP): Oferece recursos e informações sobre prevenção do suicídio.
- Viver (Associação de Valorização da Vida): Oferece apoio emocional e orientação para pessoas em crise.
Plataformas Online e Aplicativos
- Psicologia Viva, Zenklub: Plataformas que conectam pessoas a psicólogos para sessões de terapia online.
Amigos e Familiares
Talvez a mais importante das redes seja aquela formada por amigos, familiares e colegas de trabalho. Incentivar um ambiente de diálogo e compreensão nesses espaços pode fazer toda a diferença para a saúde mental de todas e todos.
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