As aftas são lesões dolorosas que afetam milhões de pessoas e costumam gerar grande desconforto ao falar, mastigar e se alimentar.
Embora muitas desapareçam espontaneamente, algumas exigem atenção maior por causa da dor intensa, da recorrência ou da dificuldade para cicatrizar.
Entender as causas, as formas de tratamento e os sinais que exigem avaliação profissional é fundamental para lidar melhor com esses episódios.
Principais abordagens de tratamento
1 – Tratamentos tópicos
Géis, cremes, pastas, sprays, enxaguantes bucais e pastilhas podem ser aplicados diretamente sobre a lesão.
Entre as possibilidades, incluem-se:
- anestésicos locais, utilizados para reduzir temporariamente a dor;
- soluções antissépticas, que ajudam a diminuir irritação e a manter a região limpa;
- produtos com ação adstringente, usados para reduzir a inflamação superficial;
- agentes anti-inflamatórios de uso tópico, indicados em casos selecionados para diminuir a resposta inflamatória;
- formulações com ação protetora, capazes de formar uma película sobre a afta e reduzir o atrito durante a mastigação e fala;
- substâncias de origem vegetal ou oleosa, que podem auxiliar na hidratação e no conforto local.
2 – Tratamentos sistêmicos (para casos graves ou recorrentes)
Essas abordagens são consideradas quando as aftas são muito grandes, aparecem com frequência ou comprometem alimentação, fala e sono.
• terapias anti-inflamatórias de uso sistêmico, empregadas por períodos curtos e sob avaliação rigorosa, para reduzir dor e inflamação em episódios mais intensos;
• tratamentos imunomoduladores, utilizados apenas em quadros persistentes, extensos ou com impacto importante na qualidade de vida, sempre conduzidos por especialista devido ao perfil de acompanhamento necessário.
3 – Outras intervenções
- cauterização: pode ser realizada com agentes apropriados ou com laser de baixa intensidade, conforme indicação profissional;
- ajustes alimentares: evitar alimentos muito duros, ácidos, picantes, salgados e bebidas alcoólicas ou gaseificadas durante o período de dor;
- cuidados de higiene oral: utilizar escova macia e preferir produtos sem substâncias irritantes, evitando enxaguantes com álcool;
- manejo do estresse: técnicas de relaxamento podem ajudar a reduzir a frequência dos episódios em pessoas suscetíveis;
- avaliação nutricional: a correção de possíveis deficiências nutricionais pode ser orientada por médico ou nutricionista quando necessário.
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Afinal, o que é uma afta?
A afta, conhecida popularmente como “ferida na boca”, é uma lesão ulcerada e dolorosa que aparece nas mucosas orais, como bochechas, lábios, língua, gengivas e, às vezes, na garganta.
Do ponto de vista médico, é chamada de estomatite aftosa recorrente ou úlcera aftosa.
Ela não é contagiosa (diferente do herpes labial, que é causado por vírus) e costuma surgir em episódios que podem se repetir ao longo da vida.
Características principais
- lesão pequena, arredondada ou oval;
- centro esbranquiçado, acinzentado ou amarelado;
- bordas avermelhadas e inflamadas;
- dor que aumenta ao falar, mastigar e ingerir alimentos ácidos, salgados ou picantes.
Causas
A origem das aftas não é totalmente esclarecida, mas estão associadas a vários fatores, como:
- estresse físico ou emocional;
- microtraumas na boca (morder a bochecha, escova dura, aparelhos ortodônticos);
- deficiências nutricionais (ferro, zinco, vitamina B12, ácido fólico);
- alterações hormonais;
- reações a alguns alimentos (chocolate, nozes, tomate, cítricos, glúten);
- predisposição genética;
- doenças autoimunes ou inflamatórias (em casos mais graves ou persistentes).
Diferença em relação ao herpes
- afta: não é causada por vírus, não é transmissível e aparece dentro da boca.
- herpes: causado por vírus, é contagioso e costuma aparecer nos lábios (fora da boca).
Quando procurar um médico ou dentista?
Procure atendimento profissional se:
- as aftas forem muito numerosas ou grandes;
- não cicatrizarem em até duas semanas;
- houver sintomas adicionais como mau hálito ou gânglios linfáticos inchados;
- uma úlcera persistir por mais de três semanas (pode indicar outra condição mais grave).
Quantos dias é normal ter uma afta?
A duração normal de uma afta (úlcera oral) pode variar dependendo do tipo da lesão, mas geralmente elas cicatrizam sozinhas em alguns dias ou semanas.
As aftas menores, conhecidas como minor aphthous ulcers, são o tipo mais comum, afetando cerca de 80% das pessoas. Costumam causar dor por três a cinco dias e desaparecem completamente entre sete e quatorze dias, sem deixar cicatrizes. Mesmo após a cicatrização, podem reaparecer em intervalos que variam de um a quatro meses.
As aftas maiores, chamadas major aphthous ulcers, representam aproximadamente 10% dos casos. São lesões com mais de 10 milímetros de diâmetro, capazes de provocar dor intensa e prolongada. O processo de cicatrização é lento, podendo durar semanas ou até meses, e frequentemente deixa pequenas cicatrizes. Em alguns casos, podem persistir por até seis semanas antes da melhora completa.
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Já as aftas herpetiformes (herpetiform ulcers) são o tipo menos frequente, ocorrendo em cerca de 1% a 10% dos pacientes. Caracterizam-se por múltiplas lesões muito pequenas, semelhantes a cabeças de alfinete, que às vezes se agrupam e formam áreas ulceradas maiores. Normalmente cicatrizam em torno de um mês, e as cicatrizes são raras. Algumas fontes indicam que podem se resolver entre dez e quatorze dias, sem deixar marcas visíveis.
De modo geral, as aftas são lesões dolorosas que podem durar de alguns dias a meses, mas a maioria das aftas menores, que são as mais comuns, tende a desaparecer espontaneamente em até duas semanas.
É importante procurar um médico ou dentista se:
- uma afta não cicatrizar em duas semanas;
- persistir por mais de três semanas.
Nesses casos, a lesão pode ser indicativa de uma condição mais séria, incluindo malignidade.
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