Voluntariado faz bem à saúde mental: entenda os benefícios de ajudar o próximo

Grupo de voluntários organizando doações em ação solidária.

Estudos mostram que o voluntariado contribui para o bem-estar emocional, a redução do estresse, a melhora da autoestima e até a prevenção de transtornos mentais como depressão e ansiedade. 

Ajudar o outro fortalece vínculos sociais, dá sentido à vida e promove uma percepção mais positiva de si mesmo e do mundo. 

Ao se engajar em ações solidárias, o voluntário não apenas transforma a realidade de quem recebe o apoio, mas também cuida da própria saúde mental de forma significativa.

O que é voluntariado e por que ele transforma vidas

Voluntariado é a prática de dedicar tempo, habilidades ou apoio a causas sociais, sem remuneração, com o objetivo de melhorar a vida de outras pessoas ou contribuir com instituições e comunidades.

Trata-se de uma escolha livre, consciente e altruísta que envolve empatia, escuta, presença e cooperação.

Quem participa de atividades voluntárias vivencia uma experiência de pertencimento e propósito. 

Ao perceber que suas ações geram impacto positivo na vida do outro, o voluntário fortalece sua própria identidade, autoconfiança e estabilidade emocional.

Voluntariado e bem-estar emocional: como ajudar o outro também fortalece quem ajuda

O voluntariado, além de promover transformações sociais, costuma impactar positivamente o bem-estar emocional de quem se engaja nessa prática. 

Ao dedicar tempo e atenção a causas coletivas, muitas pessoas relatam sentir mais propósito na rotina, maior conexão com os outros e uma sensação real de contribuição para algo maior.

Participar de ações solidárias estimula vínculos humanos, amplia o repertório de experiências e oferece novas formas de enxergar desafios e superações. 

Essa troca, que acontece no encontro com o outro, favorece o desenvolvimento da empatia, da paciência e do senso de pertencimento.

Além disso, incluir o voluntariado na rotina pode trazer efeitos subjetivos importantes: 

  • sensação de utilidade;
  • melhora na autoestima;
  • alívio de tensões cotidianas e fortalecimento emocional diante das dificuldades da vida.

Esses benefícios não surgem de forma automática nem substituem o cuidado clínico quando necessário, mas mostram como o envolvimento com o outro, feito de forma consciente e respeitosa, pode ser também um caminho de cuidado consigo mesmo.

Benefícios psicológicos e sociais do voluntariado

1. Redução do estresse e da ansiedade

Ao participar de uma atividade voluntária, o foco se desloca das próprias preocupações para o bem do outro. 

Essa mudança de perspectiva ajuda a diminuir pensamentos ruminativos, a aliviar tensões emocionais e a quebrar ciclos de estresse.

2. Fortalecimento da autoestima e do senso de propósito

Sentir-se útil, valorizado e parte de algo maior é uma das principais fontes de construção da autoestima. 

O voluntariado reforça a identidade positiva, o senso de competência e a convicção de que é possível gerar impacto no mundo.

3. Combate à solidão e ao isolamento

Muitas pessoas, especialmente idosos e indivíduos em sofrimento psíquico, experimentam solidão profunda. 

O voluntariado cria vínculos, gera pertencimento e estimula o convívio com diferentes realidades humanas.

4. Estímulo à empatia e à resiliência

Estar diante das dores e desafios de outras pessoas amplia a visão de mundo, desenvolve empatia genuína e fortalece a capacidade de enfrentar os próprios problemas com mais serenidade.

5. Prevenção de depressão e sofrimento psíquico

Diversos estudos indicam que o envolvimento social voluntário atua como fator protetor contra sintomas depressivos, especialmente em pessoas que já enfrentaram perdas, traumas ou rupturas significativas em suas vidas.

Voluntariado é também uma via de reabilitação emocional

Além de promover saúde mental preventiva, o voluntariado pode ser uma estratégia de recuperação emocional para pessoas em sofrimento.

Pacientes que enfrentaram doenças graves, quadros depressivos, luto ou períodos de desemprego frequentemente relatam que o envolvimento em atividades solidárias ajudou a reconstruir rotinas, resgatar o sentido da vida e retomar vínculos afetivos.

Ajudar, nesses casos, torna-se um elo entre o cuidado que se recebeu e o cuidado que se oferece uma forma de “fechar o ciclo” do sofrimento com dignidade.

Voluntariado na terceira idade: impacto duplo

Na terceira idade, o voluntariado tem efeitos ainda mais intensos sobre a saúde emocional:

  • aumenta a autoestima e a vitalidade;
  • previne sintomas depressivos;
  • estimula cognição e memória;
  • reduz sensação de inutilidade ou dependência;
  • promove redes de apoio social.

O idoso voluntário se sente valorizado por sua experiência e passa a ocupar um lugar ativo na sociedade. 

Essa participação gera ganhos não apenas emocionais, mas físicos e cognitivos.

Voluntariado e saúde do cérebro

Pesquisas de neurociência indicam que o ato de ajudar o outro libera substâncias como:

  • ocitocina, que reduz o estresse e aumenta o vínculo;
  • dopamina, que está associada ao prazer e à motivação;
  • endorfinas, que aliviam a dor e promovem bem-estar.

Essas substâncias atuam no cérebro como reguladores naturais do humor, funcionando de maneira complementar às abordagens clínicas e psicoterapêuticas da saúde mental.

Voluntariado profissional e emocional

Muitas pessoas pensam que só podem ser voluntárias se tiverem uma “profissão útil” ou tempo abundante. Isso não é verdade.

Existem diversas formas de voluntariado, e todas são valiosas:

  • voluntariado técnico ou profissional: psicólogos, advogados, professores, médicos, enfermeiros, entre outros, que oferecem serviços específicos;
  • voluntariado afetivo ou social: pessoas que leem para pacientes, conversam com idosos, acolhem famílias em momentos difíceis, organizam doações, distribuem alimentos;
  • voluntariado comunitário: envolvimento em campanhas, mutirões, eventos ou movimentos locais.

Toda forma de presença solidária conta. E toda ajuda pode transformar vidas, inclusive a do próprio voluntário.

Como começar a ser voluntário

Se você quer se engajar em ações voluntárias, mas não sabe por onde começar, aqui vão algumas orientações:

  • reflita sobre seu tempo disponível, suas habilidades e motivações pessoais;
  • pesquise instituições confiáveis da sua região, como hospitais, ONGs (Organizações Não Governamentais), centros comunitários, casas de acolhida;
  • verifique como funciona o processo de inscrição, capacitação e atuação;
  • comece de forma leve, com tarefas simples e períodos curtos, e vá ampliando conforme se sentir confortável;
  • esteja aberto ao aprendizado, ao encontro humano e às diferenças.

A Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) reconhece a importância das práticas voluntárias como uma forma de fortalecer o vínculo entre a comunidade e os serviços de saúde.

Iniciativas de voluntariado, quando existentes em unidades de saúde, podem contribuir para ambientes mais acolhedores e integrados, favorecendo o bem-estar emocional de pacientes, familiares e profissionais.

O engajamento voluntário, em diferentes contextos, tem potencial para promover empatia, solidariedade e apoio mútuo, valores alinhados com a missão da SPDM no cuidado integral à saúde.

Antes de iniciar qualquer atividade, é essencial buscar informações atualizadas nas unidades e serviços vinculados, para entender como participar de forma adequada, segura e respeitosa.

Considerações finais

O voluntariado é uma via de mão dupla, quem oferece tempo, escuta e apoio também recebe. Ao se engajar em ações solidárias, o voluntário amplia seu olhar, resgata sua humanidade, fortalece seu emocional e contribui para uma sociedade mais justa e acolhedora.

Mais do que doar, o voluntário compartilha. E nesse compartilhamento, colhe saúde mental, vínculos e sentido para a própria vida.

Se você quer transformar a sua rotina e fazer parte de algo maior, considere ser voluntário. Seu gesto pode fazer bem para alguém e também para você.


Fontes consultadas

  1. Jenkinson, C. E. et al. Is volunteering a public health intervention? A systematic review and meta-analysis of the health and survival of volunteers. BMC Public Health, 2013;13:773. DOI: 10.1186/1471-2458-13-773
  2. COSTA, Mariana Pinto da; OLIVEIRA, Jaime. Views on volunteering in mental health: a focus group study with mental health professionals and volunteers in Portugal. Discover Mental Health, v. 3, n. 1, p. 12, 2023. DOI: 10.1007/s44192-023-00038-1. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC10501020/ 

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