Doença de Alzheimer: aspectos clínicos, fisiopatologia e critérios diagnósticos

A Doença de Alzheimer (DA) é um transtorno neurodegenerativo progressivo e fatal que se manifesta pela deterioração cognitiva e da memória, comprometimento progressivo das atividades de vida diária e uma variedade de sintomas neuropsiquiátricos e de alterações comportamentais.

Uma das principais causas de demência no Brasil, a Doença de Alzheimer (DA) atinge mais de um milhão e duzentos mil brasileiros, conforme informa o Ministério da Saúde. A cada ano, há cerca de cem mil novos diagnósticos, de modo que é uma patologia comum.

Neste ritmo de crescimento, até 2050, o Brasil deve registrar mais de quatro milhões de casos. Os principais fatores de risco desta patologia estão na genética e no envelhecimento populacional. De fato, esta condição neurodegenerativa que afeta a memória ocorre com maior frequência em pessoas com mais de 60 anos.

Aspectos clínicos da Doença de Alzheimer

Os sinais e sintomas da DA aparecem de um modo inexorável e lento, em diversos estágios. Infelizmente, não há como impedir o avanço da doença, ao passo que a média de vida do indivíduo diagnosticado pode chegar a 10 anos. Há 4 estágios para o quadro clínico:

  • estágio 1 – fase inicial: caracteriza-se por alterações sutis de memória, mudanças de personalidade e dificuldades em habilidades espaciais e visuoespaciais;
  • estágio 2 – fase moderada: observa-se piora cognitiva, com sintomas como insônia, agitação, redução da coordenação motora, dificuldade para realizar tarefas cotidianas e problemas de linguagem;
  • estágio 3 – fase grave: há comprometimento motor progressivo, dificuldade para se alimentar, incontinência urinária e fecal e dependência significativa para as atividades diárias;
  • estágio 4 – fase terminal: podem ocorrer infecções recorrentes, dificuldade para deglutição, mutismo e restrição ao leito.

Sintomas da Doença de Alzheimer

O primeiro sintoma da doença de Alzheimer – e o mais característico – é a perda de memória recente. Além disso, pode haver:

  • pouca capacidade de realizar tarefas cotidianas;
  • apatia;
  • ansiedade;
  • depressão;
  • repetição de perguntas;
  • isolamento;
  • falsas interpretações de estímulos auditivos ou visuais;
  • passividade ou agressividade;
  • irritabilidade;
  • desconfiança ou paranoia sem motivo real;
  • dificuldade para expressar sentimentos ou encontrar palavras para concluir ideias;
  • complicação para formar pensamentos complexos e acompanhar diálogos;
  • impossibilidade de resolver problemas com estratégias lógicas;
  • incapacidade de achar caminhos conhecidos ou dirigir veículos.

VEJA TAMBÉM | SaúdeCast #05 – Prevenção da Demência.

Fisiopatologia da Doença de Alzheimer

A condição decorre, em parte, de falhas no processamento de proteínas no sistema nervoso central. Esse processo leva ao acúmulo de proteínas anormais e tóxicas nos neurônios e nos espaços entre eles, desencadeando alterações estruturais e funcionais no cérebro.

Por causa desta toxicidade, de modo progressivo há a redução de neurônios em determinadas partes do cérebro. Exemplos:

  • córtex cerebral: indispensável para pensamentos abstratos, reconhecimento de estímulos sensoriais, raciocínio e linguagem;
  • hipocampo: responsável por controlar a memória.

A ciência não sabe quais são as causas dessa condição neurodegenerativa. Contudo, a literatura científica aponta como hipóteses principais a genética e a hereditariedade. O avanço da idade é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento da doença.

Ainda não existem critérios comprovados para prevenir a DA. Entretanto, o público que estuda por mais tempo na vida desenvolve capacidade de estimular o raciocínio. Isso fortalece os neurônios e reduz as chances de demência em geral. Outras formas de prevenção são:

  • atividades em grupo;
  • atividades físicas regularmente;
  • jogos inteligentes;
  • exercícios de aritmética;
  • não fumar;
  • evitar consumo excessivo de álcool;
  • alimentação regrada e saudável.

Critérios diagnósticos da Doença de Alzheimer

Neurologistas especializados em Alzheimer e psiquiatras geriatras são capacitados para diagnosticar a doença e indicar o tratamento mais apropriado.

A exclusão é o pilar para diagnósticos precisos. De modo inicial, o rastreamento engloba análises de quadros da depressão. Também há exames laboratoriais com fins de avaliar as taxas de vitamina B12 no sangue e a funcionalidade atual da tireoide.

Além disso, exames físicos e neurológicos criteriosos servem para identificar déficits de:

  • memória;
  • linguagem;
  • visuoespaciais: percepção do espaço.

Vale enfatizar que o diagnóstico precoce e o tratamento correto são indispensáveis para aliviar sintomas, estabilizar ou retardar o avanço patológico.

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Perguntas frequentes

Quem tem epilepsia pode ter Alzheimer?

Sim, existe a possibilidade. A epilepsia representa um fator de risco para o Alzheimer e vice-versa. O declínio cognitivo pode ocorrer com mais rapidez, por acúmulo de certas proteínas e resistência à insulina, o que desencadeia as duas patologias. 

Vale a pena considerar também que há um maior risco de Alzheimer nas pessoas que têm epilepsia de início tardio, inclusive por causa das convulsões.

Qual o tratamento para a Doença de Alzheimer?

Normalmente, o uso de remédios com prescrição médica é a recomendação para atenuar os sintomas, sejam dos distúrbios ou de comprometimento cognitivo, a fim de melhorar a qualidade de vida.

Tem tratamento de Alzheimer no SUS?

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento para a Doença de Alzheimer por meio de centros de referência em saúde mental e geriatria, e disponibiliza alguns medicamentos gratuitamente, conforme critérios clínicos.

Tratamento na SPDM

A Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) oferece unidades de saúde com abordagem integral e multidisciplinar, seja aos diagnósticos ou tratamentos para a Doença de Alzheimer, gratuitamente.

O trabalho dos especialistas da SPDM envolve diagnóstico precoce e utilização de medicações fornecidas pelo SUS. Também efetuamos atividades com fins de estimular a cognição, inclusive nos Ambulatórios Médicos de Especialidades (AMEs) do idoso. Confira nossos endereços em São Paulo ou outras partes do Brasil.

Considerações finais

A Doença de Alzheimer é comum, com sintomas que costumam surgir de modo gradual, a partir dos 60 anos de idade, seja em homens ou mulheres. A ciência não sabe a causa, mas a literatura acadêmica tende a considerar a genética como causadora principal.

Não há cura para essa condição neurodegenerativa. Porém, o diagnóstico precoce junto da forma adequada de tratamento para cada caso, ajuda a melhorar a qualidade de vida dos pacientes, assim como atenua a evolução da doença.

O SUS desempenha papel fundamental no cuidado às pessoas com Doença de Alzheimer, oferecendo acompanhamento por meio de uma rede estruturada de serviços e centros de apoio.

Fontes consultadas

GOV.BR. Doença de Alzheimer. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/alzheimer

GOV.BR. Alzheimer: um diagnóstico que atinge o paciente e toda a família. Disponível em: https://www.gov.br/ebserh/pt-br/comunicacao/noticias/alzheimer-um-diagnostico-que-atinge-o-paciente-e-toda-a-familia

GOV.BR. SUS amplia tratamento para casos graves de Alzheimer. Disponível em: 

https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2025/maio/sus-amplia-tratamento-para-casos-graves-de-alzheimer

INSCER.PUCRS.BR. O Brasil pode ter 4 milhões de pessoas com Alzheimer em 2050, projeta estudo inédito. Disponível em https://inscer.pucrs.br/br/brasil-pode-ter-4-milhoes-de-pessoas-com-alzheimer-em-2050-projeta-estudo-inedito

PMC.NCBI.NLM.NIH.GOV. A correlação clínica entre a doença de Alzheimer e a epilepsia. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9352925/

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