Os cálculos renais representam uma condição urológica frequente, que afeta de 4% a 15% da população mundial em algum momento da vida. Segundo a Cleveland Clinic, sua incidência tem aumentado nas últimas décadas, devido a fatores como sedentarismo, dieta inadequada e hidratação insuficiente. O problema pode causar dores intensas, obstrução do trato urinário e complicações como infecções e insuficiência renal.
Compreender as opções de tratamentos para cálculo renal e as estratégias de prevenção é essencial para reduzir o impacto da doença e evitar a recorrência. Este texto apresenta informações detalhadas sobre as causas, sintomas, diagnóstico, tratamentos e cuidados preventivos, com base em fontes médicas reconhecidas.
O que é o cálculo renal?
Conhecido popularmente como pedra nos rins, o cálculo renal é uma massa sólida formada pela cristalização de minerais e sais presentes na urina. Conforme o artigo citado da Cleveland Clinic, a formação ocorre quando a urina se torna concentrada, permitindo que os cristais se aglomerem e se depositem no trato urinário.

Os principais tipos de cálculos renais, classificados de acordo com sua composição, incluem:
- Oxalato de cálcio: O mais comum, formado devido ao excesso de cálcio ou oxalato na urina. A ingestão elevada de sódio aumenta a excreção de cálcio, favorecendo sua formação;
- Ácido úrico: Relacionado à ingestão excessiva de proteínas animais e à baixa ingestão de líquidos. A urina ácida promove a cristalização do ácido úrico;
- Estruvita: Associado a infecções urinárias recorrentes, especialmente em mulheres. Esses cálculos podem crescer rapidamente, causando obstrução;
- Cistina: Resultante de uma condição genética chamada cistinúria, que provoca a eliminação excessiva de cistina na urina.
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Os fatores de risco incluem:
- Desidratação: A ingestão insuficiente de líquidos concentra a urina, aumentando a formação de cristais;
- Dieta rica em sódio e proteínas: O excesso de sal eleva a excreção de cálcio, enquanto as proteínas acidificam a urina, favorecendo a formação de cálculos;
- Predisposição genética: Pessoas com histórico familiar têm maior probabilidade de desenvolver a condição.
A composição dos cálculos influencia diretamente o tratamento e as estratégias de prevenção, tornando essencial o diagnóstico preciso para orientar o manejo adequado.
Sintomas e diagnóstico do cálculo renal
Os sintomas variam conforme o tamanho, localização e movimento do cálculo dentro do trato urinário. Segundo a NefroPós, o sintoma mais característico é a dor intensa e súbita, conhecida como cólica renal, geralmente localizada na região lombar ou abdominal.

Outros sinais comuns incluem:
- Dor ao urinar: O cálculo pode irritar o trato urinário, causando dor e ardência durante a micção;
- Sangue na urina (hematúria): O movimento da pedra pode lesionar as paredes do ureter, provocando sangramento;
- Náuseas e vômitos: A dor intensa pode estimular o sistema nervoso, causando esses sintomas;
- Febre e calafrios: Podem indicar uma infecção urinária associada, exigindo tratamento imediato;
- Urgência e aumento da frequência urinária: Um cálculo próximo à bexiga pode causar sensação constante de necessidade de urinar.
O diagnóstico é confirmado por exames laboratoriais e de imagem:
- Exame de urina: Identifica a presença de cristais, sangue e sinais de infecção;
- Ultrassom: Detecta cálculos sem exposição à radiação, sendo indicado para gestantes e crianças;
- Tomografia computadorizada (TC): Considerada o padrão-ouro, permite visualizar cálculos de qualquer tamanho e composição, com alta precisão.
A combinação desses métodos garante um diagnóstico preciso, essencial para definir o tratamento mais adequado.
Tratamentos para cálculo renal
O tratamento varia conforme o tamanho, localização e composição do cálculo. As abordagens incluem métodos conservadores, medicamentosos e cirúrgicos, conforme a gravidade do caso.
Tratamento conservador
O tratamento conservador é indicado para cálculos pequenos, com menos de 5 mm, que podem ser eliminados naturalmente. De acordo com a Mayo Clinic e a American Family Physician, a ingestão diária de 2 a 3 litros de água dilui a urina, facilitando a passagem das pedras.
Para aliviar a dor, utilizam-se analgésicos como o ibuprofeno e o paracetamol. Anti-inflamatórios não esteroides são eficazes para reduzir a inflamação e o desconforto. Além disso, medicamentos alfabloqueadores relaxam os músculos do ureter, facilitando a eliminação das pedras e reduzindo a necessidade de intervenção cirúrgica.
A dieta também desempenha um papel fundamental na prevenção da recorrência, conforme orientações da National Kidney Foundation. Recomenda-se limitar o consumo de sal e proteínas animais, além de aumentar a ingestão de alimentos ricos em cálcio para reduzir a absorção de oxalato.
Tratamento medicamentoso
O tratamento medicamentoso é indicado quando o cálculo não pode ser eliminado naturalmente ou quando há risco de complicações. Segundo a Revista Urominas, medicamentos alcalinizantes ajudam a dissolver cálculos de ácido úrico, tornando a urina menos ácida.
Já segundo o texto citado da American Family Physician, os diuréticos tiazídicos reduzem a excreção de cálcio na urina, prevenindo a formação de cálculos de oxalato de cálcio, e os alfabloqueadores facilitam a passagem das pedras ao relaxar os músculos do ureter, sendo especialmente eficazes para cálculos localizados na parte inferior do trato urinário.
Tratamento cirúrgico
A cirurgia é necessária para cálculos maiores, acima de 10 mm, segundo a Mayo Clinic, ou que causam obstrução urinária. As principais técnicas incluem:
- Litotripsia extracorpórea por ondas de choque (LEOC): Fragmenta os cálculos em pedaços menores, permitindo sua eliminação natural. Indicada para pedras menores de 20 mm localizadas nos rins ou no ureter superior;
- Ureteroscopia: Remoção direta do cálculo usando um endoscópio fino inserido pelo ureter. Ideal para cálculos localizados no ureter médio e inferior.
- Nefrolitotomia percutânea: Procedimento minimamente invasivo realizado através de uma pequena incisão nas costas, indicado para cálculos maiores que 20 mm ou de formato complexo.
Essas técnicas garantem alta taxa de sucesso, com menor tempo de recuperação e menor risco de complicações em comparação às cirurgias abertas.
Estratégias de prevenção do cálculo renal
A prevenção é essencial para reduzir o risco de formação de novos cálculos. De acordo com a já citada National Kidney Foundation, a adoção de hábitos saudáveis e uma alimentação equilibrada são fundamentais.
Hidratação adequada

A ingestão adequada de líquidos dilui as substâncias formadoras de cálculos, reduzindo sua concentração na urina. Segundo a Apollo Hospitals, o consumo diário recomendado é de pelo menos 2 litros de água, ajustando a quantidade conforme o clima e o nível de atividade física. A urina deve estar clara ou levemente amarela, indicando uma hidratação adequada.
Alimentação balanceada
Uma dieta equilibrada contribui para a prevenção dos cálculos renais. Conforme os textos já citados da National Kidney Foundation, Apollo Hospitals e da National Kidney Foundation, as principais recomendações incluem:
- Reduzir o consumo de sal: Limitar a ingestão de sódio a menos de 2.300 mg por dia ajuda a diminuir a excreção de cálcio na urina;
- Evitar o excesso de proteínas animais: Carne vermelha, frango e frutos do mar aumentam a acidez da urina, favorecendo a formação de cálculos de ácido úrico;
- Diminuir alimentos ricos em oxalato: Espinafre, beterraba, nozes, chocolate e chá preto devem ser consumidos com moderação para prevenir a formação de cálculos de oxalato de cálcio;
- Aumentar a ingestão de cálcio alimentar: Laticínios ajudam a reduzir a absorção intestinal de oxalato, prevenindo sua cristalização nos rins. No entanto, suplementos de cálcio devem ser evitados sem orientação médica.
Hábitos de vida saudáveis
Manter um estilo de vida saudável é fundamental para prevenir cálculos renais. Segundo a Apollo Hospitals e a National Kidney Foundation, referenciadas acima, as principais recomendações são:
- Manter o peso corporal adequado: A obesidade aumenta o risco de cálculos devido a alterações metabólicas;
- Praticar atividades físicas regularmente: Exercícios melhoram o metabolismo e a saúde renal;
- Controlar o estresse: O cortisol elevado pode afetar a saúde urinária;
- Monitorar a saúde renal: Pessoas com histórico familiar de cálculos devem realizar exames periódicos para identificar precocemente possíveis alterações.
Conclusão
O cálculo renal é uma condição dolorosa, mas tratável. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são essenciais para aliviar os sintomas e evitar complicações. As opções de tratamento para cálculo renal incluem hidratação intensa, medicamentos e procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos, conforme o tamanho e a composição do cálculo.
Para prevenir a formação de novos cálculos, é fundamental adotar hábitos saudáveis: manter uma hidratação adequada, seguir uma alimentação equilibrada e praticar atividades físicas regularmente. Em casos de histórico familiar ou recorrência frequente, o acompanhamento médico é indispensável para um tratamento individualizado. A adesão a essas estratégias contribui significativamente para a saúde renal e o bem-estar geral.
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