Doenças autoimunes, condições em que o sistema imunológico ataca erroneamente tecidos saudáveis do próprio corpo, podem ter um impacto significativo na fertilidade feminina.
Essa interferência ocorre de diversas maneiras, desde afetar a produção hormonal até prejudicar a implantação do embrião e aumentar o risco de complicações na gravidez.
É fundamental compreender essa relação para buscar o diagnóstico e tratamento adequados, visando preservar a saúde reprodutiva.
A complexa interligação entre sono e saúde mental
As doenças autoimunes podem afetar a fertilidade feminina por meio de mecanismos complexos. A inflamação crônica, característica comum dessas condições, pode prejudicar a qualidade dos óvulos e a receptividade do útero para a implantação do embrião.
Além disso, algumas doenças autoimunes afetam diretamente as glândulas endócrinas, responsáveis pela produção de hormônios essenciais para a ovulação e a manutenção da gravidez.
Principais doenças autoimunes e seus efeitos
Diversas doenças autoimunes podem comprometer a fertilidade feminina, cada uma com suas particularidades:
- Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES): Esta doença pode causar inflamação nos ovários e no útero, além de aumentar o risco de aborto espontâneo e parto prematuro.
- Artrite Reumatoide (AR): A inflamação crônica associada à AR pode afetar a qualidade dos óvulos e a capacidade de implantação do embrião.
- Doença de Hashimoto: Esta condição afeta a tireóide, levando a desequilíbrios hormonais que podem interferir na ovulação e na regularidade do ciclo menstrual.
- Síndrome do Anticorpo Antifosfolípide (SAF): A SAF aumenta o risco de trombose, o que pode prejudicar o fluxo sanguíneo para o útero e a placenta, resultando em abortos recorrentes.
- Doença Celíaca: A reação autoimune ao glúten pode levar à má absorção de nutrientes, o que pode afetar a saúde reprodutiva da mulher.
A prevalência de infertilidade em mulheres com doenças autoimunes varia dependendo da condição específica.
Por exemplo, um estudo publicado no Human Reproduction encontrou que mulheres com infertilidade não tratada tinham um risco aumentado de desenvolver doenças autoimunes sistêmicas reumáticas após o parto.
Mecanismos de impacto na fertilidade
As doenças autoimunes podem afetar a fertilidade feminina de diversas maneiras. A inflamação crônica, presente em muitas dessas condições, pode danificar os tecidos reprodutivos, como os ovários e o útero.
Além disso, algumas doenças autoimunes podem levar à produção de autoanticorpos, que atacam erroneamente as células do próprio corpo, incluindo as células envolvidas na reprodução.
Outro mecanismo importante é o desequilíbrio hormonal.
Doenças como a tireoidite de Hashimoto podem afetar a produção de hormônios essenciais para a ovulação e a manutenção da gravidez, como o hormônio folículo-estimulante (FSH) e o hormônio luteinizante (LH).
Diagnóstico e avaliação
O diagnóstico das doenças autoimunes é fundamental para o manejo adequado da fertilidade feminina. A avaliação geralmente envolve exames de sangue para detectar a presença de autoanticorpos, avaliação dos níveis hormonais e exames de imagem para avaliar a saúde dos órgãos reprodutivos. Em alguns casos, pode ser necessária a realização de biópsias para confirmar o diagnóstico.
A investigação da infertilidade em mulheres com doenças autoimunes deve ser abrangente, buscando identificar possíveis causas relacionadas à condição autoimune, bem como outros fatores que possam estar contribuindo para a dificuldade de engravidar.
Tratamentos e opções reprodutivas
O tratamento das doenças autoimunes visa controlar a inflamação, aliviar os sintomas e prevenir danos aos órgãos.
Em relação à fertilidade, o manejo pode envolver o uso de medicamentos que suprimem o sistema imunológico, terapias hormonais e técnicas de reprodução assistida.
As técnicas de reprodução assistida, como a fertilização in vitro (FIV), podem ser uma opção para mulheres com doenças autoimunes que desejam engravidar.
A FIV permite que os óvulos sejam fertilizados em laboratório e, em seguida, transferidos para o útero, aumentando as chances de sucesso da gravidez.
VEJA TAMBÉM: Extresse e infertilidade
A escolha do tratamento mais adequado dependerá da doença autoimune específica, da gravidade da condição e das características individuais de cada mulher.
É fundamental que o tratamento seja individualizado e acompanhado por uma equipe multidisciplinar, incluindo reumatologistas, endocrinologistas e especialistas em reprodução humana.
A importância do acompanhamento especializado
Mulheres com doenças autoimunes que desejam engravidar devem contar com o acompanhamento de uma equipe médica especializada.
Esse acompanhamento é essencial para monitorar a atividade da doença, ajustar a medicação, avaliar a fertilidade e planejar a gravidez de forma segura.
A SPDM – Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina, desempenha um papel crucial no suporte a hospitais e profissionais de saúde, promovendo a pesquisa, o ensino e a assistência especializada em diversas áreas, incluindo a saúde da mulher e a reprodução humana.
A instituição contribui para o avanço do conhecimento e a melhoria dos cuidados oferecidos às pacientes com doenças autoimunes e infertilidade.
Procure redes de apoio gerenciada pela SPDM
A importância do diagnóstico precoce
As doenças autoimunes podem representar um desafio para a fertilidade feminina, mas muitas mulheres com essas condições conseguem engravidar e ter filhos saudáveis.
O diagnóstico precoce, o tratamento adequado e o acompanhamento especializado são fundamentais para preservar a saúde reprodutiva e aumentar as chances de sucesso da gravidez.
Perguntas Frequentes
Quais são os principais sinais de alerta de infertilidade em mulheres com doenças autoimunes?
Irregularidades menstruais, dor pélvica crônica e dificuldade para engravidar após um ano de tentativas podem ser sinais de alerta. Mulheres com doenças autoimunes devem estar atentas a esses sintomas e buscar avaliação médica.
A fertilização in vitro (FIV) é segura para mulheres com doenças autoimunes?
A FIV pode ser uma opção segura e eficaz para mulheres com doenças autoimunes, mas é importante que a condição esteja bem controlada antes do início do tratamento.
Cada caso deve ser avaliado individualmente por um especialista em reprodução humana.
Quais são os riscos de complicações na gravidez para mulheres com doenças autoimunes?
Mulheres com doenças autoimunes podem ter um risco aumentado de complicações como aborto espontâneo, parto prematuro e pré-eclâmpsia.
O acompanhamento médico rigoroso durante a gravidez é essencial para minimizar esses riscos.









