No mundo, entre 5% e 10% da população sofrem algum grau de fobia social, também conhecida como transtorno de ansiedade social, termos que se referem à mesma condição clínica. A maioria dos sintomas surge após os 20 anos de idade, mas crianças e adolescentes também podem apresentar manifestações, que variam em gravidade conforme a intensidade desse transtorno mental.
Em geral, as mulheres apresentam taxas superiores de ansiedade decorrente da fobia social, se comparar com os homens. Além disso, esta é a terceira condição de saúde mental mais ocorrente mundialmente, apenas perde aos transtornos por consumo de substâncias e para a depressão.
De fato, somente psiquiatras devem diagnosticar, mas vale a pena reconhecer os efeitos sintomáticos a fim de ter consciência sobre a necessidade de procurar terapia, para que esta fobia não atrapalhe a sua vida.
Sintomas da fobia social em adultos
Visto que os pacientes com este transtorno têm dificuldades de estarem com outras pessoas e de se apresentarem em público, a simples perspectiva de interação social pode desencadear uma série de sintomas complexos.
Na prática, em alguns contextos, mesmo ao estar entre conhecidos surgem os efeitos físicos e mentais da fobia social. Entre os principais indícios nocivos deste quadro clínico, devemos considerar aspectos físicos, fisiológicos, comportamentais e mentais. Veja:
- rosto corado ou rosado;
- suor na pele e tremulações;
- batimentos cardíacos acelerados;
- nervosismo;
- náuseas;
- pouco contato visual e verbal;
- ataque de pânico;
- postura corporal rígida.
- baixa predisposição à interação, mesmo se a pessoa quer interagir;
- sem vontade de frequentar lugares ou viver certas situações;
- dificuldade para cumprir compromissos;
- perspectivas negativas para qualquer situação que exija interatividade;
- estresse;
- ansiedade;
- depressão;
- vergonha;
- constrangimento;
- esquecimento repentino de fatos importantes;
- não saber o que dizer para as pessoas;
- medo;
- autojulgamento;
- preocupação com julgamentos de terceiros e validação externa;
- se sentir rejeitado e com baixo valor social;
- voz baixa nos diálogos;
- problemas para fazer amizades e ter relações amorosas.
Sintomas da fobia social em crianças
Diversos dos sintomas da fobia social nos adultos se assemelham aos efeitos nas crianças. Aliás, caso o público jovem não receba um tratamento adequado para este transtorno, pode se tornar uma pessoa adulta retraída e transtornada.
Entretanto, nos jovens há algumas situações pontuais, como, por exemplo, evitar ir à escola ou fazer amizades com outras crianças. Em certos casos, há queixas de dores de cabeça e de estômago.
Tipos de fobia social
É importante considerar que as fobias sociais nas pessoas não são iguais. Na prática, existem tipos diversos que se diferenciam pela intensidade dos sintomas e do método de tratamento. Podemos dividir em 3 níveis:
- leve: apresenta sintomas físicos e psicológicos, mas não apenas participa como também tolera situações sociais;
- moderada: sente os efeitos um pouco mais intensos. Participa de algumas, mas pode evitar outras interações;
- extrema: é um estado crônico do transtorno. Pessoas nestas condições evitam a qualquer custo uma situação social e podem ter ataques de pânico, pela perspectiva de interagir.
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Diferença entre fobia social e timidez
A timidez existe em todos os seres-humanos, o que é diferente de uma fobia social capaz de interferir de modo direto na vida das pessoas e de impedir atividades no cotidiano.
Praticamente, este transtorno pode prejudicar os relacionamentos pessoais, a carreira profissional e os estudos, o que não é o caso de uma mera timidez. Em termos práticos, há três pontos que diferem uma condição da outra:
- até que ponto você evita algumas situações;
- o nível de ansiedade e de medo;
- como interfere no dia a dia.
Perguntas frequentes
Quais as causas da fobia social?
Cientificamente, não se sabe ao certo quais as verdadeiras causas da fobia social. Pode ser hereditário, embora algumas famílias tenham integrantes com ou sem este transtorno. Pesquisadores também investigam o papel dos fatores ambientais e do estresse, mas não há nada conclusivo.
A fobia social pode surgir na infância ou adolescência?
Sim, a fobia social pode surgir na infância ou adolescência. Nas crianças, os sintomas comuns são retração, recusa em dialogar nos momentos sociais, paralisia, agarramento excessivo com os pais na hora de socializar, choro exagerado ou ataques de raiva. Em adolescentes, o sinal de alerta está na preocupação excessiva antes de alguma apresentação escolar e outros eventos que têm público.
Quando é o momento de procurar ajuda para o transtorno de ansiedade social?
É necessário procurar ajuda para o transtorno social, se a ansiedade e o medo de situações sociais começam a impactar a vida, significamente.
Como tratar a fobia social?
O tratamento para fobias sociais engloba psicoterapia e/ou medicação. O psiquiatra deve analisar cada caso e seguir uma melhor alternativa. Atenção: você jamais deve se medicar sem orientação médica.
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Como a SPDM ajuda no tratamento da fobia social
Por meio dos seus diversos centros de saúde mental, a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) disponibiliza atendimento com psicólogos e psiquiatras para tratamento de fobia social.
Inclusive, a organização opera na administração do Centro de Atenção Integrada à Saúde Mental (CAISM) Vila Mariana, em São Paulo, uma das referências nacionais
Para ter acesso ao atendimento, é necessário possuir o Cartão do Sistema Único de Saúde (SUS). Com ele, o paciente pode receber tratamento gratuito em uma das unidades de saúde gerenciadas pela SPDM.
Destacamos que o encaminhamento de pacientes para o CAISM é realizado através do sistema CROSS (Central de Regulação de Ofertas e Serviços de Saúde),
em psiquiatria.
Considerações finais
Em situações graves, até para receber um entregador há dificuldades, assim como na finalidade de interagir por telefone. O paciente com quadros intensos não consegue responder perguntas de outras pessoas, se alimentar em público ou participar de entrevistas de emprego.
Realmente, a fobia social não deve ser ignorada ou encarada como parte da personalidade. Uma vez que esta condição interfere na qualidade de vida, é essencial buscar um tratamento ao notar os sintomas.
Com diagnóstico adequado e acompanhamento profissional, é possível reduzir os sintomas, recuperar a autonomia e melhorar a qualidade de vida. Buscar ajuda especializada ao perceber os primeiros sinais é um passo fundamental para o tratamento e para o bem-estar emocional.
Fontes consultadas
NIMH.NIH.GOV. Social Anxiety Disorder: What You Need to Know. Disponível em: https://www.nimh.nih.gov/health/publications/social-anxiety-disorder-more-than-just-shyness
CLEVELANDCLINIC.ORG. Social Anxiety Disorder (Social Phobia). Disponível em: https://my.clevelandclinic.org/health/diseases/22709-social-anxiety
MDSMANUAIS.COM. Transtornos de ansiedade social em crianças e adolescentes. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/casa/problemas-de-sa%C3%BAde-infantil/dist%C3%BArbios-da-sa%C3%BAde-mental-em-crian%C3%A7as-e-adolescentes/transtornos-de-ansiedade-social-em-crian%C3%A7as-e-adolescentes