Frances Kelsey: a médica que salvou uma geração de bebês da talidomida nos EUA

frances kelsey

Um “não” que salvou milhares de pessoas da morte ou de malformações congênitas.

Em 1960, a Dra. Frances Oldham Kelsey impediu a venda de talidomida nos Estados Unidos porque ficou insatisfeita com as evidências apresentadas sobre sua segurança para uso: tratar enjoo matinal. Comercializada como um sedativo na Europa, no fim dos anos 1950, a talidomida já era acessível em cerca de 20 países. 

Ao saber dos riscos da substância, a dra. Frances Kelsey foi corajosa diante da enorme pressão da empresa farmacêutica responsável pelo medicamento e poupou os americanos de uma epidemia quando recusou a aprovar a venda da talidomida nos Estados Unidos. Vários meses depois, surgiam relatos em outros países de como a talidomida causava danos graves aos fetos. Foram ao menos cem bebês que nasceram no Canadá com graves malformações congênitas.

Saiba mais sobre o caso no vídeo da CBC News em inglês. Logo abaixo, confira a transcrição em português, em tradução livre.

Transcrição do Vídeo em Português, em tradução livre:

Faleceu uma médica canadense a quem se atribui o mérito de ter impedido que a talidomida fosse aprovada nos Estados Unidos. A dra. Frances Kelsey demonstrou coragem inabalável diante de enorme pressão e poupou aquele país de uma epidemia de malformações congênitas causadas por um medicamento destinado a prevenir o enjoo matinal. Kelsey foi rapidamente reconhecida por seu trabalho em Washington, mas somente décadas depois recebeu homenagens em seu país de origem, o Canadá.

Na década de 1960, a canadense Kelsey trabalhava na Food and Drug Administration (FDA), nos Estados Unidos, e, nesse cargo, salvou os americanos de um desastre médico praticamente certo. Àquela altura, a talidomida já havia sido aprovada para uso em cerca de 20 países, inclusive no Canadá, sendo considerada um sedativo supostamente seguro para tratar o enjoo matinal.

O medicamento, porém, estava longe de ser seguro. Por causa dele, pelo menos cem bebês nasceram no Canadá com graves malformações congênitas. Ainda assim, a empresa farmacêutica responsável fez intenso lobby nos Estados Unidos para liberar o uso da droga. Kelsey resistiu à pressão e bloqueou sua aprovação.

Foi assim que o jornalista Knowlton Nash, da CBC, descreveu Kelsey nos anos 1960:

Uma obstinada médica da Food and Drug Administration (FDA), a Dra. Frances Kelsey, é natural de Cobble Hill, na Colúmbia Britânica, se formou na Universidade McGill, em Montreal. Ela se recusou a aprovar a venda da talidomida nos Estados Unidos, apesar da forte pressão da indústria farmacêutica.

A primeira vez que você foi alertada sobre o perigo da talidomida aconteceu quando leu um artigo sobre a talidomida em uma revista médica britânica. Não há nenhum sistema internacional capaz de regular relatos e evidências sobre novos medicamentos?

Não, não existe um sistema como esse. 

Seria um mecanismo útil?

Certamente.

Seu trabalho foi considerado tão heróico que recebeu do presidente John F. Kennedy o Prêmio Presidencial por Serviço Civil Distinto. Houve outras homenagens ao longo dos anos, mas somente em 2015, o Canadá decidiu conceder à dra. Frances Kelsey a Ordem do Canadá, em reconhecimento por seus alertas contra a talidomida.

Quando a saúde de Kelsey começou a se deteriorar seriamente, sua filha, preocupada, pediu que a cerimônia de condecoração fosse antecipada em um dia. O vice-governador de Ontário foi até a casa de Kelsey, em Londres, para lhe entregar pessoalmente a honraria. Ela ficou visivelmente emocionada.

Na manhã seguinte, Frances Kelsey faleceu, aos 101 anos de idade.

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