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Técnica reduz efeitos colaterais nas cirurgias de câncer de próstata

Foto: Nelson Coelho/Diario SPFoto: Nelson Coelho/Diario SP

E o melhor: tudo feito pelo SUS, gratuitamente

Todos os anos, cerca de 60 mil novos casos de câncer de próstata surgem no Brasil, 12 mil deles no estado de São Paulo. Desde abril, a rede estadual de saúde paulista conta com uma nova arma para reduzir efeitos colaterais, custos e riscos no tratamento dessa doença.

Trata-se de uma técnica, chamada HIFU (High Frequency Ultrassound), que utiliza o ultrassom para atingir o tecido cancerígeno. Com ela, é possível operar câncer de próstata em menos de uma hora, pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

Realizada com um equipamento adquirido por R$ 3,1 milhões, a nova técnica evita complicações como impotência, incontinência urinária ou infecções comuns em cirurgias convencionais, que chegam a durar três horas e meia e necessitam de internação pós-operatória.

"Com esse equipamento miramos exclusivamente no tumor e não comprometemos outras regiões", explicou o urologista Cláudio Murta, coordenador dos procedimentos com o HIFU. "Não se faz corte e com isso reduzimos enormemente os riscos de infecção hospitalar."

Outra vantagem, segundo o especialista, é a redução de custos. O hospital que dispõe do equipamento, o Centro de Referência em Saúde do Homem, nos Jardins, Zona Oeste, gasta em média R$ 35 mil por paciente ao realizar a cirurgia convencional. Com o novo método, o valor por cirurgia cai para R$ 4 mil.

Essa unidade hospitalar realiza cerca de 400 cirurgias de câncer de próstata por ano. "Com a aquisição do HIFU a expectativa é ampliar em 50% o número de procedimentos no primeiro ano, chegando a até duas mil cirurgias no segundo", disse Murta.

O Centro de Referência em Saúde do Homem, gerenciado em parceria com a SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina), atende de forma referenciada, recebendo pacientes encaminhados pelos municípios via central de vagas estadual.

Com o novo equipamento, passa a ser o segundo centro hospitalar da América Latina a utilizar o método, depois do Chile. "O curioso é que no Brasil nem mesmo os melhores hospitais particulares têm o equipamento",disse Murta. "Quem tiver indicação para utilizá-lo, de qualquer classe social, só pode fazê-lo pelo SUS. Isso é um grande avanço da saúde pública."

A vantagem da técnica é voltar no mesmo dia

Tenho 72 anos e, há três, fiquei sabendo que estava com um câncer de próstata em estágio inicial. Depois disso fiz acompanhamento médico até que no início deste ano o médico me falou deste novo método. Ele perguntou se eu aceitava me tratar por ele, e eu topei. Primeiro fiz uma raspagem e, 30 dias depois, o procedimento com o novo equipamento. Não tenho queixas a fazer. Correu tudo bem. Não tive qualquer desconforto. Fiz o procedimento e voltei no mesmo dia para minha casa. Depois disso, todos os exames têm mostrado que correu tudo bem. Até agora está tudo normal. Pelo que disse o médico, o câncer foi resolvido. Eu fiquei feliz porque foi tudo muito rápido, não teve corte nem nada. E pelo que me falaram, a fila para fazer a cirurgia nessa nova técnica não é grande. Tive a sorte de ser bem orientado e desejo que muitas pessoas tenham o mesmo atendimento que eu pude ter. Isso pode salvar vidas.

Somente para estágios iniciais da doença

HIFU é um aparelho de ultrassom robótico. No entanto ele não é útil para todo paciente: apenas serve para os estágios iniciais da doença, 10% dos casos. Cabe ao urologista analisar cada caso e ver a melhor forma de tratamento. Basicamente é um ultrassom que destrói as células tumorais de maneira focalizada. Ele já é certificado pela Anvisa. Os números de menores efeitos colaterais são animadores, mas como dito, a cirurgia convencional ou radioterapia são ainda os caminhos mais utilizados para a maioria dos casos. 

Por: Fernando Granato - Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Fonte: Diariosp.com.br

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A SPDM-Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina é uma das maiores entidades filantrópicas de saúde do Brasil, atuante em 7 estados, com aproximadamente 40 mil funcionários e com a vocação de contribuir para a melhoria dos serviços médicos prestados à população.

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